Editado em 1976, o livro O Som Pasquim é reeditado para festejar os 40 anos de criação do semanário símbolo da imprensa alternativa, extinto em 1991.
O Som do Pasquim é uma compilação de 10 entrevistas concedidas ao jornal por nomes da MPB. A seleção reúne Tom Jobim (1927 – 1994), Chico Buarque, Milton Nascimento, Caetano Veloso com nomes que quase nunca tiveram vez na imprensa oficial e alternativa – Agnaldo Timóteo e Waldick Soriano(1933 – 2008) identificados com a música dita cafona. A entrevista de Timóteo é das mais interessantes por ser pontuada pela mágoa exposta pelo cantor por conta da rejeição da crítica e da elite – no caso, representada até pela banca de entrevistadores do jornal (Timóteo chegou ao cúmulo de levar um dicionário para a entrevista para poder compreender o vocabulário usado pelos jornalistas). Com a língua afiada, disparou ataques às obras de Tom Jobim, Milton Nascimento e Caetano Veloso. Contudo, ao ser consultado para a inclusão de sua entrevista na reedição do livro, fez corajoso mea culpa (publicado ao fim da entrevista) em que afirma que seus atacados colegas estão acima do que hoje Timóteo considera “uma análise ignorante e preconceituosa de décadas atrás”. Já Waldick não teve tempo de rever suas posições, mas provavelmente repetiria máximas machistas como “Sou casado em casa. Saio na rua e ninguém tem nada com minha vida” ou “Mulher deve ser sempre subalterna ao homem”. Outra figura bissexta em publicações do gênero, o compositor gaúcho Lupicínio Rodrigues (1914 – 1974) fez no Pasquim – um ano de sua morte – um inventário de suas dores de amores (inspiradoras de músicas como Vingança) enquanto afirmava a paixão suprema pela boemia. Bem mais curiosa sob a perspectiva do tempo, a entrevista de Martinho da Vila – concedida ao fim de 1969, ano do estouro de seu primeiro LP – é pontuada pela certeza do sambista de que sua permanência na vida artística seria passageira.
