A XV Unifor Plástica anunciou, na última terça-feira, os vencedores de quatro das cinco categorias. Este ano, o salão teve como destaque uma sala especial, com trabalhos de artistas, iniciantes ou não, que se mostraram sintonizados com o seu tempo Salão lotado, e uma infinidade de obras para serem apreciadas. A solenidade de abertura da XV Unifor Plástica, mostra que pode ser visitada até o dia 13 de dezembro, anunciou os vencedores em quatro das cinco categorias. Tércia Montenegro foi premiada na Fotografia, e Rian Fontenele venceu em Pintura. Já Maíra Ortins destacou-se no Desenho, enquanto Sara Vasconcelos, na Gravura. Os vencedores são contemplados com passagens aéreas para a Bienal de Veneza, além de ajuda custo de R$ 3 mil. Fizeram parte da comissão de premiação: Celina Queiroz; Carlos Velasquez, coordenador do curso de Belas Artes da Unifor; o artista visual Sólon Ribeiro; Jacqueline Medeiros, coordenadora do Núcleo de Artes Visuais do Centro Cultural Banco do Nordeste; e o coordenador do Salão, Max Perlingeiro.Com relação à categoria Escultura, não houve vencedor. Segundo o edital que regulamenta a XV Unifor Plástica, “as decisões das comissões de seleção e de premiação são irrecorríveis, sendo facultado à comissão de premiação a não concessão de prêmios”. Assim, o júri é soberano para não premiar quando achar necessário. Para o professor Carlos Velasquez, coordenador do curso de Belas Artes da Unifor e integrante das comissões de seleção e premiação, a preocupação durante o processo de seleção foi com a qualidade dos trabalhos, o que sinalizou uma exposição crítica e ética. De acordo com José Guedes, diretor do MAC do Dragão do Mar e integrante da comissão de seleção, o destaque desta edição da Unifor Plástica é a sala especial, que inclui o que ele chama de uma “seleção dentro da seleção”. “São trabalhos com nível de depuração maior, mais bem resolvidos e em sintonia com o seu tempo”.No texto de descrição da exposição, as 31 peças de 18 artistas que compõem a sala especial, são referidas como ousadas, suscitando o sonho e propondo uma reflexão por via intuitiva, “sem presunção de ´artisticidade´ ou mesmo de intelectualismo elaborado”.A coordenadora do núcleo de Artes Visuais do CCBNB, Jacqueline Medeiros, ressalta que as obras desse espaço possuem uma proposta mais distante do convencional. “São trabalhos que além das questões técnicas, apresentam uma poética ou uma intenção de ser”, afirmou. O pesquisador Gilmar de Carvalho elogiou a exposição “rica, plural e democrática, que ão rejeita linguagens e suportes tradicionais”.
Vencedores Rian Fontenele, vencedor na Pintura, com as obras “Elogio à sombra # Noturno 1” e “Elogio à sombra # Noturno 2”, diz que as peças foram resultado dos últimos três anos de criação. “É uma quebra, do ponto de vista de linguagem, com relação ao que eu vinha fazendo anteriormente”, explicou. O traço e a linha precisa deram lugar a volumes, noturnos, conferindo certa sobriedade às pinturas. O artista, que em 2005 foi o vencedor da Unifor Plástica, na categoria Desenho, encontrou referências na literatura de Jorge Luís Borges e Orides Fontela para a confecção dos trabalhos. “É uma evolução natural dessas leituras”, afirmou. Já Tércia Montenegro, que participou pela primeira vez da Unifor Plástica, venceu com as fotografias “Veja” e “Leia”, registradas no começo do ano passado em Israel, em redutos boêmios e artísticos do país. “São espontâneas, capturei o momento ocasional, tem um pouco do espaço íntimo”. No Desenho, Maíra Ortins foi eleita com as obras “Um eu todo encoberto 1” e “Um eu todo encoberto 2”. Sara Vasconcelos ganhou na Gravura, com “Lucíola 1” e “Lucíola 2”. Além dos 140 trabalhos, distribuídos entre 60 pinturas, 15 desenhos, 20 gravuras, 20 esculturas e 25 fotografias, os visitantes poderão apreciar um ambiente reservado aos 20 anos do Espaço Cultural Unifor. No local, encontram-se catálogos de todas as edições realizadas e nomes dos artistas que participaram das exposições.
