Beth Goulart encena o espetáculo de abertura,
Simplesmente Eu, Clarisse Lispector.
Espetáculos de teatro, dança, cultura popular tradicional, esquetes, cortejos, shows musicais, além de um intenso programa de formação, vão transformar Guaramiranga/CE, durante oito dias. De 04 a 11 de setembro acontece a 17ª edição do Festival Nordestino de Teatro – FNT, um dos mais conceituados projetos de artes cênicas existentes no país. A realização é da Associação Amigos da Arte de Guaramiranga – AGUA, que há 18 anos desenvolve um forte e reconhecido trabalho de intercâmbio cultural em suas mais diversas expressões. A programação completa está disponível no www.agua.art.br/fnt2010.
Apesar do caráter nordestino, o FNT prima pelo intercâmbio também com outras regiões ou mesmo países. O festival já recebeu espetáculos de Portugal, da Alemanha e de outros estados do Brasil como Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná. Este ano, na noite de abertura, a carioca Beth Goulart entra em cena no Teatro Municipal Rachel de Queiroz com SIMPLESMENTE EU, CLARICE LISPECTOR. O espetáculo estreou em julho de 2009 em Brasília e já foi visto no país por mais de 56 mil pessoas com uma trajetória vitoriosa. Beth Goulart levou, pelo trabalho, o Prêmio Shell 2009 de melhor atriz e o Prêmio APTR de melhor atriz protagonista. A atriz assina também a adaptação do texto e a direção, esta última com supervisão de Amir Haddad.
É também na primeira noite do FNT que começa a MOSTRA NORDESTE, carro-chefe do festival, que este ano recebe um representante de cada estado da região. São nove espetáculos que foram selecionados entre 77 inscritos. As apresentações acontecem à noite e, na manhã seguinte, no CICLO DE DEBATES SOBRE OS ESPETÁCULOS, a discussão gira em torno do que foi levado ao palco desta mostra na noite anterior.
Zeca Ligiero participa como debatedor.
Para debater: Tiago Fortes (CE – Ator, diretor e pesquisador de teatro. Mestre em Artes Cênicas pela UNIRIO e professor de interpretação no curso de Licenciatura em Artes Cênicas pela Universidade Federal do Ceará – UFC), Zeca Ligiéro (RJ – Artista, escritor, diretor teatral, PhD pela NYU, professor da UNIRIO e pesquisador Cientista na Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro – FAPERJ) e Armindo Bião (BA – Ator e encenador em cerca de 50 obras teatrais e audiovisuais, premiado por seu trabalho em teatro e por suas atividades acadêmicas na Bahia. Atua nas áreas das Artes do Espetáculo – Etnocenologia, Interpretação Teatral, Teatro de Cordel, Treinamento com Máscaras – e da Cultura Baiana – Matrizes Estéticas e Relações Internacionais).
De fora do Ceará o XVII FNT recebe ainda dois espetáculos em circulação pelo projeto SESC PALCO GIRATÓRIO: CONCEIÇÃO (Grupo Experimental de Dança – PE) e MI MUÑEQUITA (Grupo Ponte Cultural – SC). Da Bahia, Armindo Bião e grande elenco levam também ao festival o musical de teatro e cordel, A GENTE CANTA PADILHA, que estreou quinta-feira, 26 de agosto, no Teatro Martim Gonçalves (Escola de Teatro da UFBA) em Salvador.
O CEARÁ NOS PALCOS
Além da peça participante da Mostra Nordeste, o Ceará vai estar em mostras exclusivas para grupos do estado. São elas: PALCO CEARÁ (seis espetáculos), TEATRO INFANTIL (oito peças), GUARAMIRANGA EM CENA (três montagens locais), OI ESQUETES (um grupo) e CULTURA POPULAR TRADICIONAL (reisados). Há ainda a CENA LEITURA, com uma apresentação do Curso de Artes Cênicas da UFC.
Ricardo Guilherme, ator, dramaturgo e diretor teatral cearense, será homenageado no XVII FNT. Em quatro décadas de atividade, numa trajetória nacional e internacional, tem mais de cem espetáculos realizados. Na NOITE DE ENCERRAMENTO desta edição ele entra em cena com A DIVINA COMÉDIA DE DANTE E MOACIR.
A dança também compõe a programação de espetáculos desta edição do FNT, com a Cia de Dança de Paracuru, dirigida pelo bailarino Flávio Sampaio.
PROGRAMA DE FORMAÇÃO
Nem só de espetáculo se faz o Festival de Guaramiranga. O Programa de Formação é um dos pontos fortes, que tem dado ao FNT o reconhecimento de contribuir de forma considerável para a troca de conhecimentos nos diversos campos das artes cênicas. Este ano, como parte da programação, acontece o FÓRUM PEDAGOGIAS TEATRAIS A PARTIR DA EXPERIÊNCIA DE GRUPOS E COMPANHIAS, sob a coordenação de Izabel Gurgel, diretora do Theatro José de Alencar.
Com a ideia básica de um ser encontro, de proporcionar trocas de experiências, entre tantas possibilidades optou-se por trabalhos de grupos e companhias de teatro e dança da história recente do Ceará. Os coletivos artísticos como lugar de formação, como escola-em-processo. Diretores-professores, eles próprios com trajetórias distintas de formação. Do fórum participam: Tomaz de Aquino (Teatro Mimo – trabalho com ênfase no teatro físico/mímica), Silvero Pereira (CPBT/TJA – experiência com a montagem do espetáculo Mixórdia) e Flávio Sampaio (Paracuru Cia de Dança).
Este ano acontece no FNT o VIII ENCONTRO DE ARTISTAS-PESQUISADORES, coordenado pela professora Rejane Reinaldo. Do encontro participam este ano os seguintes pesquisadores. Armindo Bião (BA) com o tema “Mulheres por um fio (inferno, purgatório e paraíso no Atlântico Negro)”; Hebe Alves (BA) sobre “Da Negação do Amor: Um estudo da Anatomia Emocional das Personagens da peça Dorotéia de Nelson Rodrigues”; José Ligiero (RJ) sobre “O Estudo da Verdade da Cena e seus Contextos e Recursos: ritual, jogo, narrativa épica e Performing Art”; Oswald Barroso (CE), com o tema “A Máscara no Teatro Popular do Nordeste”; Diego Cavalcante (CE), sobre “A Arte do Corpo em Movimento”; Wellington Junior (CE), sobre “Réquiem para meus Pais: Eros, Tanatos na Performance Contemporânea”; e Tiago Fortes (CE), com o tema “O que Pode o Corpo de um Ator: outros modos de Sentir-Pensar-Existir a partir de Artaud”.

