A cidade é uma só?
A Vila das Artes apresenta em março a Mostra Cinema Brasileiro Contemporâneo, dentro da programação de seu cineclube. Os filmes de curta e longa duração apresentam aspectos e possibilidades da produção audiovisual recente no Brasil. A mostra traz produções locais, do Paraná, Distrito Federal, Rio de Janeiro e Pernambuco, e mostra pela ótica de seus realizadores o que está sendo produzindo no país. Para além, busca se aprofundar no diálogo dessas novas produções, geralmente obras coletivas que transitam por várias linguagens artísticas.
Na primeira sessão, que acontece nesta quarta (14), às 18h30, será exibido um dos destaques da Mostra: o longa “A cidade é uma só?”, de Adirley Queirós, que recebeu o prêmio da Crítica na Mostra de Cinema de Tiradentes (2012) e Menção Honrosa na Semana dos Realizadores (2011). O documentário é uma reflexão sobre os 50 anos de Brasília, que volta o olhar para a discussão sobre o processo permanente de exclusão territorial e social que uma parcela considerável da população do Distrito Federal e do entorno sofre; também de como essas pessoas restabelecem a ordem social através do cotidiano. O ponto de partida dessa reflexão é a chamada Campanha de Erradicação de Invasões (CEI), que, em 1971, removeu os barracos que ocupavam os arredores da então jovem Brasília. Tendo a Ceilândia como referência histórica, os personagens do filme vivem e presenciam as mudanças da cidade.
Será apresentada também a produção cearense “Europa”, de Leonardo Mouramateus. No curta, o diretor lança um olhar pessoal sobre o bairro Maraponga, onde mora e cultiva relações de afeto. O filme foi eleito Melhor Filme pelo Júri Popular no último Noia – Festival de Cinema Universitário (2011).
A curadoria da Mostra foi assinada pelo realizador Guto Parente, integrante da Alumbramento Filmes e ex-aluno do Curso de Realização em Audiovisual da Vila das Artes. A cada sessão haverá debate com realizadores, professores e pesquisadores em audiovisual. Entrada gratuita.
Programação
Dia 14
“A cidade é uma só?”, de Adirley Queirós (Documentário, 79 min, DF, 2012)
“Europa”, de Leonardo Mouramateus (Documentário, 19 min, CE, 2011)
As ruas onde vivo foram onde nasci. E antes disso, minha mãe. E antes disso, meus avós. Desenho estas ruas: não há lugar como nosso lar.
Dia 21
“Ovos de Dinossauro na Sala de Estar”, de Rafael Urban (Documentário, 12 min, PR, 2011)
A alemã Ragnhild Borgomanero, de 77 anos, estudou fotografia digital e fez cursos de Photoshop e Premiere para manter viva a memória de seu falecido esposo, Guido, com quem reuniu a maior coleção particular de fósseis da América Latina.
“Romance de Formação”, de Julia de Simone (Documentário, 74 min, RJ, 2011)
O documentário acompanha a vida de jovens que carregam consigo a responsabilidade de crescer dentro de grandes instituições acadêmicas. Quatro estudantes vivem, no dia-a-dia, seus sonhos e anseios de uma vida e profissão de grandes realizações. Nesse percurso, eles alcançam muitas conquistas e deixam para trás várias ilusões.
Dia 28
“Mens Sana In Corpore Sano”, de Juliano Dorneles (Ficção, 21 min, PE, 2011)
Garra, disciplina, tenacidade, força física e obediência; Estes são os tesouros guardados para que tenhamos uma vida mais plena e saudável. O seu corpo agradece!
“Strovengah – Amor Torto”, de André Sampaio (Ficção, 88 min, RJ, 2011)
Pedro e Marcela vivem voluntariamente isolados em uma decadente casa no alto da serra de exuberante e selvagem beleza. Ele, um ex-publicitário, dedica-se a escrever um romance. Ela, eterna aspirante a cantora, deixa-se levar pelas obsessões do amante. Uma insólita comitiva de bonecos manequins, encomendados por Pedro para servir de inspiração na redação de seu livro, acaba por transtornar a vida do casal…
SERVIÇO
Mostra Cinema Brasileiro Contemporâneo. Quarta-feira (14), às 18h30, na Vila das Artes (Rua 24 de Maio, 1221, Centro). Informações: 3252-1444.
