O documentário “Cego Aderaldo: O Cantador e o Mito”, do cineasta cearense Rosemberg Cariry, ganhará sua primeira exibição (hors concours) neste domingo, 03 de junho, a partir das 20h30, no Theatro José de Alencar, como parte da programação do 22º Cine Ceará. Fruto de mais de 10 anos de pesquisa do cineasta cearense Rosemberg Cariry, o longa conta a história do herói da cultura nordestina que se tornou um dos principais nomes da cantoria e poesia brasileira.
Cego Aderaldo nasceu no Crato, em 1878, mas ainda criança foi para Quixadá. Ele sempre trabalhou para ajudar a família, mas sua vida mudaria aos 18 anos, quando Aderaldo perde a visão e se distancia do seu grande amor. Após a morte da mãe, Aderaldo passa a cantar nas ruas para ganhar dinheiro. O poeta criou uma orquestra de meninos no sertão e educou cerca de 26 filhos, educando a todos e dando-lhes uma profissão, sem nenhuma ajuda oficial. Eram os filhos que liam os livros para o pai, fazendo de Aderaldo um cantador ilustrado.
Suas andanças o transformaram em um herói para os nordestinos, abrindo portas para outros cantadores sertanejos, influenciando diretamente o baião e a música de Luiz Gonzaga, tendo forte participação na literatura popular e nos movimentos de renovação da cultura brasileira nas décadas de 50 e 60, sendo reverenciado pela mídia e pelo público. Foi o Cego Aderaldo que levou o cinema para os mais longínquos lugares do sertão e explicava ao público, cantando ao som da viola, as histórias que eram mostradas nas fitas.
Rosemberg Cariry está finalizando a reedição, revista e ampliada, do livro “Eu sou o Cego Aderaldo”, autobiografia do famoso cantador, e o livro “Cego Aderaldo – O homem, o cantador e o mito”, com a pesquisa realizada, ensaios e reflexões, além de um grande acervo de fotografias e documentos. “O Cego Aderaldo foi um homem extraordinário, mas a sua história feita de tantos sofrimentos, de tantas lutas e de tantas vitórias, terminou por se confundir com o seu mito. Cego Aderaldo virou arquétipo de “poeta cego” e de “profeta”; de Homero reinventando a alma humana, com suas narrativas míticas, e de Tirésias decifrando destinos. Homero e Tirésias reinventados nos grandes sertões”, revela Cariry.
Para ajudar a traçar o perfil desse mito, o cineasta contou com depoimentos de Ariano Suassuna, Orlando Senna, Sylvie Pierre, Juraci Cavalcanti, Oswald Barroso, João Eudes, Luiz Carlos Barreto, Mário Pontes, Blanchard Girão, Liara Leite, Christiano Câmara, Nair Brito (viúva de Mario Aderaldo), Geraldo Rodrigues (filho adotivo do Cego Aderaldo) e cantadores como Geraldo Amâncio, Zé Viola, entre outros. “A pesquisa sobre o Cego Aderaldo me interessava não apenas como filme, mas principalmente como uma redescoberta de um personagem tão importante da cultura que anda esquecido na nossa história”, complementa o cineasta. No filme, os grandes cantadores nordestinos Louro Branco e Paulo Ferreira interpretam, respectivamente, o Cego Aderaldo e Zé Pretinho na célebre “Peleja de Cego Aderaldo contra Zé Pretinho de Tucum”.
O extenso estudo de Rosemberg Cariry em busca de documentos para compor o filme passou por muitos arquivos públicos e particulares, com destaque para os arquivos de Mário Aderaldo e Dona Nair, o Arquivo Nacional (Rio de Janeiro) e a Cinemateca Brasileira, entre outros. O longa ainda faz um apanhado da história do cinema por meio de trechos de filmes antigos e clássicos.
“Cego Aderaldo: O Cantador e o Mito” deve estrear na TV Brasil no segundo semestre deste ano e é o segundo filme da trilogia sobre a cultura popular realizada por Rosemberg Cariry. O primeiro foi “Patativa do Assaré – Ave Poesia” (2007) e o próximo projeto será sobre o “Pedro Oliveira – O Cego que viu o mar”, desenvolvido por Cariry há mais de 25 anos.
CEGO ADERALDO: O CANTADOR E O MITO
Sinopse: Cego Aderaldo (1878 – 1967) foi não apenas o maior nome da poesia cantada e improvisada no Brasil, foi também um mito nacional. Cego Aderaldo adotou e criou, como filhos, 26 crianças. A todos deu estudo e profissão. Inovador e criativo, foi exibidor de cinema na década de 30 e levou a cantoria para grandes capitais, onde era saudado como personagem da dimensão de Padre Cícero e Lampião. A sua obra influenciou a música popular e as artes brasileiras, nas décadas de 50 e 60. O filme conta a história deste artista extraordinário, revelando as suas lutas e as suas vitórias, mostrando as dimensões do homem que, superando todas as adversidades, voa até a glória e se encanta no mito.
Serviço
Exibição hors concours do documentário “Cego Aderaldo: O Cantador e o Mito”, de Rosemberg Cariry
Dia: 03 de junho
Local: Theatro José de Alencar
Horário: 20h30
Entrada gratuita.
Informações: 085 – 3244.6944
