Meados da década de 90 sinalizou uma nova era para o rock brasileiro, então sem a mesma vitalidade da década de 80, diga-se de passagem no tocante a mercado e mídia massiva, embora as bandas surgidas naquela década continuassem produzindo. Outro fator que contribuiu para “invisibilidade” do rock na mídia, foram os modismos surgidos – a força do Axé Music, o pagode, e o sertanejo (Chitãozinho e Xororó, Zezé de Camargo e Luciano, Leandro e Leonardo e outros mais).
Na seara do rock nacional, o surgimento de novas bandas, selos e gravadoras impulsionaram novos rumos. Surgiram os Raimundos, Pato Fu, J. Quest, Virna Lisi, Little Quaid, O Rappa, o polêmico Planet Hemp, Kleiderman, Skank. Do Recife, o movimento Mague Beat capitaneado por Chico Science e sua Nação Zumbi. Aliado a isto, a MTV brasileira era a vitrine para esta onda sonora. Em Fortaleza, durante um certo tempo a MTV era transmitida em canal aberto. O paraíso para quem gostava de música, de rock e não tinha TV por assinatura. E foi via MTV que uma banda com levada meio punk, meio hardcore e umas doses de rap se mostrou para o Brasil. Uns caras vindo de Santos logo de início diziam ao vieram: “Os caras do Charlie Brown invadiram a cidade!”.
O som do Charlie Brown, puxado pelo vocalista Chorão invadiram cidades com guitarras, skates e letras que fez muita gente se identificar. Algo meio Legião, não é? O Charlie era o retrato da juventude de então.
A invasão foi contínua e prolongada. Durou, até a madrugada desta segunda-feira, 06 de março, quando Chorão foi encontrado morto em seu apartamento na cidade de São Paulo.
Há notícias de que ele andava depressivo pelo fim do casamento. O fato, é que muitos choram por Chorão e o rock brasileiro também.