Não é apenas o futebol brasileiro que anda em alta no mercado internacional. O conteúdo audiovisual brasileiro tem sido cada vez mais procurado por canais estrangeiros. Esse sucesso se justifica pelos eventos que acontecem nos próximos anos (Copa e Olimpíadas), destaque no cenário político e econômico e aumento da qualidade dos filmes brasileiros (especialmente em função dos novos mecanismos de fomento). Já do lado internacional, com a crise financeira, a produção diminui e faz aumentar os licenciamentos de títulos importados.
Um dos atuais grandes compradores de filmes e séries brasileiros são os nossos vizinhos sul-americanos. Em julho, aconteceu a estreia do longa-metragem “Desenrola” (de Rosane Svartman) nos cinemas no Chile. Nos canais de televisão, as séries infantis Cocoricó (da TV Cultura) e Mansão Maluca (Tortuga) estão previstas em canais no Equador, Venezuela e Argentina, enquanto os longasmetragens Embargo (Persona Non Grata Filmes), A Hora da Estrela (Raiz Produções) e Natimorto (RT Features) já fecharam contrato com uma televisão colombiana.
Um pouco mais distante, países como Irã, Rússia, China, Japão, Escandinávia, Coréia do Sul e Singapura também têm se interessado por longas e curtas-metragens brasileiros.
A distribuidora brasileira Elo Company, associada da ABPITV, investe nas vendas internacionais do seu catálogo desde a sua criação em 2006 e é responsável pelas negociações citadas acima. Para a realização de tantas vendas, a diretora Sabrina Nudeliman explica que “é necessário um investimento em viagens a mercados internacionais, que é onde se conhece e formaliza a relação comercial entre a distribuidora e os canais”. Somente em 2013, a distribuidora participou de mercados de Clermont Ferrand, MipTV, Rio Content Market, Banff, e já confirmou a participação no MipJr, MipCom, AFM, Ventana Sur e Johanesburgo.
Para o Brazilian TV Producers, projeto internacional da ABPITV, o momento é favorável em todos os aspectos, tanto para a licenciamento de conteúdos prontos quanto para efetivação de coproduções internacionais. “Os mecanismos de financiamento brasileiro estão muito favoráveis para quem quer produzir conteúdos audiovisuais competitivos e de caráter internacional. Isso facilita todo o processo de negociações com coprodutores e com canais internacionais pois gera confiança no produto e na relação entre as partes”, ressalta Rachel do Vale, gerente do projeto.
A expectativa é que a demanda por conteúdo brasileiro continue em alta. Com produções de qualidade internacional – como o Brasil tem toda a capacidade e recursos para produzir – a tendência é que isto seja apenas o início de uma longa e lucrativa história.
