O grupo de teatro cearense Grupo de Imagens se prepara para aprofundar sua pesquisa etnográfica e realizar intercâmbio com os coletivos de outros estados. O grupo realizará no mês de abril uma turnê na cidade de São Paulo e nas cidades, Dois Irmãos e Triunfo no estado do Rio Grande do Sul.
Além das apresentações, o coletivo aprofundando sua pesquisa etnográfica sobre a prostituição, fará um ensaio fotográfico na região central de São Paulo, região essa também conhecida como “boca do lixo”. (Foto: Marcello Holanda)
Programação:
Navalha na Carne – Dias 10 e 11 de abril na Cia do Pessoal do Faroeste – Luz – SP
Navalha na Carne – Dia 13 na cidade Dois irmãos e dia 15 na cidade de Triunfo – RS
Dr .Qorpo – Dia 16 na cidade de Triunfo – RS
Navalha na Carne, peça mais encenada de Plínio Marcos, relata a história de três personagens em um quarto de bordel: a prostituta Neusa Suely, o Cafetão Vado e o empregado homossexual Veludo. Eles evidenciam aspectos da condição humana e sentimentos que emergem da realidade de seres tão à margem, que não os vemos diante das nossas limitações. É o retrato duro do submundo brasileiro, com suas gírias, violência, opressão e luta de cada personagem pela sobrevivência, utilizando-se de chantagem, sedução, humilhação e aliança provisória entre dois, na tentativa de derrubada do terceiro, nunca sendo cogitada a possibilidade de unir suas forças contra a situação que os oprime. “(…) Uma peça a qual se assiste com a respiração presa e a cujo fascínio não escapa nem o público mais conservador, a priori menos disposto a enfrentar cara a cara a crueldade e a violência (…)” Yan MIchalski.
Projeto Dr. Qorpo tem como finalidade resgatar a memória e a obra, tão pouco conhecida do público, de um grande dramaturgo brasileiro, o gaúcho José Joaquim de Campos Leão (1829-1883). Já em sua época causava polêmica ao propor uma reforma ortográfica na língua portuguesa e escreveu dezessete comédias para teatro. Inteligente, controverso, o autor se auto apelidou de Qorpo-Santo, quando se achava imbuído de uma missão divina, em obras repletas de erotismo e sensualidade, com histórias às vezes escatológicas, que mexiam com os tabus da época. Considerado por alguns especialistas como sendo o pai do Surrealismo Absurdo. Tido como louco e internado pela família, escreveu toda a sua obra teatral nas dependências do sanatório (onde o diagnóstico era “exaltação cerebral” marcado pela mania de escrever muito e rápido), no qual foi esquecida e descoberta por intelectuais gaúchos na década de 20 do século passado.
