O Teatro Máquina inicia nesta quarta-feira, 17, a viagem que faz parte de sua nova incursão artística. “Sete Estrelas do Grande Carro” é o nome do projeto que vai levar o grupo a uma deriva poética pelo semiárido nordestino, atravessando três estados durante o período de um mês. O projeto foi contemplado pelo edital Rumos Itaú Cultural 2013-2014, e sua proposta está centrada nas provocações que cada região visitada pode trazer aos artistas envolvidos proporcionando uma forma específica de experimento poético.
No mapa dessa busca por encontros, histórias, imagens paisagens e descobertas, o Teatro Máquina tem já marcados três pontos: Sertão dos Inhamuns (Ceará), Parque Nacional Serra da Capivara (Piauí) e Raso da Catarina (Bahia), regiões que abrigam os municípios historicamente mais assolados pela seca. Na sua justificativa pela escolha do recorte geográfico, o grupo argumenta que essa imersão ali dá vazão ao desejo de busca por compreender, mais profundamente, uma paisagem e um fenômeno social-geográfico que os funda como nordestinos, acreditando que esse contato tem potencial para reinventá-los como artistas.
UM CARRO À DERIVA
Fran Teixeira, diretora do grupo, explica que este projeto tem suas raízes ainda no processo do espetáculo ‘Diga que você está de acordo!’, que o Máquina estreou em 2014. A peça mostra desertores de uma guerra em situações que os levam a extremos. “A gente tinha pensando em fazer algo sobre o sertão, para mergulhar mais profundamente na questão da seca”, explica, “viajar pelo sertão para nos perdermos de nós mesmos em nós mesmos”. Fazendo um paralelo entre as duas situações, Fran destaca que “guerra não é uma experiência que podemos compreender tão bem, mas a fome está aqui do nosso lado na complexa condição árida (pela geografia e pelo descaso político) da nossa região, o que promove as migrações, o abandono das casas, das famílias, a ida pro sul, a separação, a urgência, a miséria, o desumano.”
As fontes de inspiração do grupo para este novo projeto estão tanto nos registros literários do viajante inglês Henry Koster, que se embrenhou no nordeste do Brasil entre 1810 e 1813 sem destino certo e descreveu os lugares e as pessoas a partir de sua relação com eles. Outra referência é o trabalho do dramaturgo alemão Heiner Müller, por apresentar uma dramaturgia com características de ordem intertextual, fragmentária, heterogênea e desconstruída, que radicaliza as formas estruturais do texto dramatúrgico em fragmentos sintéticos, no qual o sentido está mais ligado ao tratamento da imagem do que ao texto enquanto diálogo, como vemos claramente no texto Descrição de imagem (1984).
Serviço
Projeto Sete Eestrelas do Grande Carro – Teatro Máquina
De 17 de junho a 15 de junho 2015
Sertão dos Inhamuns (CE), Serra da Capivara (PI) e Raso da Catarina (BA)
www.teatromaquina.com
www.facebook.com/teatromaquina
www.seteestreladograndecarro.wordpress.com
