Halder Gomes na abertura do V Festival de Jericoacoara Cinema Digital. Evento continua nesta terça, 16, com início da Mostra Competitiva de Curtas.
Com o tema “Cinema Popular e Cinema Político”, a quinta edição do festival reconhecido no calendário nacional do cinema independente foi aberta nesta segunda-feira, 15, reunindo grandes nomes e novos realizadores do audiovisual brasileiro e contando com a presença do premiado cineasta cearense Halder Gomes, diretor de “Cine Holliúdy”, que foi exibido na noite de abertura do evento. Nesta terça-feira tem início a Mostra Competitiva de Curtas-metragens. Festival segue até domingo, 21/6, com entrada franca em todas as atividades
O bom humor marcou a abertura do V Festival de Jericoacoara Cinema Digital, nesta segunda-feira, 15/6, na paradisíaca praia cearense. Na primeira noite do festival, o público lotou a sala de exibição para conferir o premiado filme do diretor cearense Halder Gomes “Cine Holliúdy”. Antes da sessão, o cerimonial de abertura reservou grandes momentos com a presença da cantora Téti, do diretor do festival Francis Vale e do diretor do longa-metragem exibido.
O clima do festival foi introduzido por uma canção interpretada por Téti. “Clara Jericoacoara”, de Calé Alencar, reverberou pela sala de exibição do Polo de Atendimento à Infância e à Juventude de Jericoacoara, onde estiveram presentes realizadores audiovisuais de 11 estados brasileiros, que viajaram a convite do festival e participam da mostra competitiva. Além deles, a comunidade local também esteve presente em grande número.
O cineasta Halder Gomes destacou a excelência do festival. “Jeri com cinema é um cruzamento que trará grandes frutos para o futuro, sem dúvida”, afirmou. Em sua fala, antes da exibição de “Cine Holliúdy”, ele mencionou a importância da cultura cearense no cinema. “Fico feliz por trazer o filme aqui porque a ‘fuleragem’ é uma riqueza nossa. Temos um senso de humor diferenciado, que é um patrimônio nosso”, enfatizou.
Halder Gomes também lembrou que seu filme retrata o próprio cinema. “O Francisgleidysson (personagem principal do filme) traz a nós um tempo em que o cinema era na comunidade. Hoje é preciso ter um shopping para se ter um cinema. Os festivais são bons porque trazem o cinema para onde não tem. É importante que as pessoas possam ver”, ressaltou.
“‘Cine Holliúdy’ é o filme mais visto do Ceará. É o filme que bateu ‘Homem de Ferro’ e esses super heróis todos. É um filme que espero que inspire muitos outros realizadores”, complementou, agradecendo por estar presente em Jericoacoara e convidando todos a aproveitar o festival, que segue até domingo, 21/6.
Futebol na tela e em debate
A quinta edição do festival, que começou segunda-feira, 15/6, também tem entre suas atrações um debate sobre a atual crise do futebol mundial, com a exibição do filme “Os Subterrâneos do Futebol”, de 1965, dirigido por Maurice Capovilla, e a presença dos ex-jogadores Afonsinho, colunista da revista Carta Capital e personagem da história do esporte brasileiro ao se tornar o primeiro jogador a conquistar o passe livre, e Sérgio Redes, ídolo do futebol no Rio de Janeiro e no Ceará, aplaudido comentarista esportivo, autor de crônicas elencadas no livro “Nem tudo é futebol” e poemas como os reunidos no livro “O Raio do Futebol”, lançado em parceria com o artista visual Sérgio Pinheiro e com apoio da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará.
A exibição do filme acontece no sábado, 20/6, às 14h30, seguida do debate. “Neste momento em que o tema está quente, teremos certamente uma grande discussão sobre essa questão e as perspectivas de mudanças administrativas pra valer, no futebol no Brasil e no mundo, o que é esperado há muito tempo”, aponta Afonsinho, celebrando a oportunidade de retornar ao Festival de Jericoacoara Cinema Digital, do qual se tornou participante cativo.
O festival e o novo cinema brasileiro
“Chegando ao marco importante da quinta edição, o Festival de Jericoacoara Cinema Digital prossegue consolidando cada vez mais sua dimensão nacional, reunindo os novos realizadores do cinema brasileiro, que estão em todas as regiões, fazendo seus trabalhos, mesmo enfrentando, muitas vezes, dificuldades para divulgação, repercussão, visibilidade”, afirma Francis Vale.
“Na contramão dessa realidade, o festival existe justamente para contribuir para dar mais destaque a novos nomes do cinema brasileiro, provando que passamos de um eixo geográfico de produção para novos e múltiplos polos, espalhados pelo País”, acrescenta o diretor do festival.
“O festival contribui para mostrar o pluralismo, essa riqueza de origens, temas e formas dos filmes, os realizadores de várias gerações que fazem o novo cinema brasileiro acontecer de um modo muito forte, pulsante”, complementa Francis, que também enfatiza a relação do festival com a comunidade como um diferencial.
Já o período da tarde contará, sempre a partir de 14h, com a Oficina de Cinema Digital (ministrada pela professora Rosa Berardo e pelo doutorando Guilherme Souza, da Universidade Federal de Goiás) e, a partir das 14h30, com a Mostra Informativa e a programação de debates. Na terça-feira, acontece também homenagem ao ator cearense Sidney Souto, falecido em janeiro de 2015, deixando um vasto legado de contribuições ao cinema e ao teatro. Serão exibidos, a partir das 14h30, filmes dos quais ele participou.
Outras produções histórias do cinema brasileiro que serão exibidas no festival, sempre às 14h30, são “O Desafio” (1965), de Paulo César Saraceni (quarta-feira, 17/6) e “São Paulo Sociedade Anônima” (1965), de Luiz Sérgio Person (quinta, 18/6). Na sexta, 19/6, tem exibição de “Aos Ventos que Virão”, de Hermano Penna, e no sábado, 20/6, de “Os Subterrâneos do Futebol”, de Maurice Capovilla, seguida do debate com os ex-jogadores Afonsinho e Sérgio Redes.
No domingo, 21/6, as atividades acontecem a partir das 19h, com homenagem ao cineasta Tuna Espinheira, com exibição de seu filme “O Imaginário de Juraci Dórea no Sertão Veredas”. Às 20h acontece a solenidade de encerramento do festival e de premiação aos vencedores nas diversas categorias, com entrega dos troféus.
Convivência e debate
Para assegurar, na prática, a democratização da participação no evento, a produção do festival garante transporte entre Fortaleza e Jericoacoara, alimentação e hospedagem, ao longo de todo o período, para um representante de cada um dos filmes selecionados.
“Mais do que apenas exibir os filmes, o festival se diferencia por proporcionar que os realizadores e o público possam conviver em Jericoacoara, ao longo de uma semana, debatendo cinema e permanecendo em contato direito com o público e a comunidade de Jeri”, reforça Francis Vale. “Muitas vezes novas produções nascem desse encontro”.
Ao longo do festival, os filmes serão apreciados por um júri composto por nomes de destaque no audiovisual. Receberão o Troféu Pedra Furada as obras escolhidas pelo júri como as melhores em cada categoria: ficção, documentário, animação e experimental. Também receberá o troféu a melhor produção dos estados Ceará, Piauí e Maranhão, em homenagem à chamada “Rota das Emoções”, que se inicia em Jericoacoara-CE, passa pelo Delta do Parnaíba-PI e se estende até os Lençóis Maranhenses.
O festival também destinará troféus aos vencedores dos quesitos melhor filme, direção, roteiro, fotografia, trilha original e direção de arte. Além dos troféus para melhor ator e melhor atriz.
Filmes selecionados – Festival de Jericoacoara Cinema Digital 2015
Joaquim Bralhador – Ficção – Márcio Câmara – CE
A Caminho de Casa – Ficção – Paula Szutan – SP
Olhos de Botão – Ficção – Marlom Meirelles – PE
Paixão Nacional – Ficção – Caio Baú – PR
Nua Por Dentro do Couro – Ficção – Lucas Sá – MA
O Passageiro – Ficção – Eduardo Cantarino – RJ
Preto ou Branco! – Ficção – Alison Zago Brito – SP
Tereza – Ficção – Mauricio Baggio – PR
Cadê Meu Zóculos – Ficção – Josafá Ferreira Duarte – CE
Amigo Anônimo – Ficção – Fábio Batista – SE
Tubarão – Documentário – Leo Tabosa – PE
Araca – O Samba em Pessoa – Documentário – Fausto Junior – RJ
Às Margens do Itapecuru – Documentário – José Gomes Pereira – MA
Curitiba Mon Amour – Documentário – Pedro Rocha de Oliveira – CE
O Pau da Bandeira – Documentário – Felipe Wenceslau – BA
Gutierres – Documentário – Fernando Bassani – RS
SerTão Resistente – Documentário – Roger Pires – CE
Beatitude – Documentário – Délio Freire – ES
Envolvidos –Documentário – Roger Pires – CE
O Muro é o Meio – Documentário – Eudaldo Monção Jr – BA
Agradecimento – Animação – Diego Akel – CE
Guida – Animação – Rosana Urbes – SP
As Aventuras de Chaga das Onças – Animação – George Alex Barbosa – CE
Bem me Quer – Animação – Brenno Levi de Sousa Magalhães – CE
Até a China – Animação – Marcelo Marão – RJ
Hotel Farrapos – Animação – Lisandro Santos – RS
A Arte Tem que ter Ambição – Experimental – Alex Nunes Barroso – CE
Cântico dos Ventos – Experimental – Laurita Caldas – PB
Miragem – Experimental – Virgínia Pinho – CE
Lampejos da Resistência – Experimental – Roger Pires – CE
Serviço
V Festival de Jericoacoara – Cinema Digital. De 15 a 21 de junho, em Jericoacoara. Toda a programação tem entrada franca. Mais informações:www.jeridigital.com.br.
