Francis Vale e Pablo Ferreira, cineasta de seis anos de idade que recebeu troféu pelo seu primeiro filme. Foto: Divulgação/V Festival de Jericoacoara Cinema Digital.
Encerrado neste domingo, 21, na paradisíaca praia do oeste cearense, o V Festival de Jericoacoara Cinema Digital premiou curtas-metragens de cineastas de sete estados. Os realizadores cearenses estiveram entre os premiados, com Josafá Ferreira Duarte recebendo o prêmio de melhor filme pelo júri popular, Pedro Rocha conquistando o troféu de melhor filme do Ceará, Piauí e Maranhão e George Alex Barbosa conquistando menção honrosa. Os grandes vencedores do festival foram os filmes “O Pau da Bandeira”, de Felipe Wenceslau (BA) e “Preto no branco”, de Alison Zago Silva (SP), com quatro troféus “Pedra Furada” para cada um. Diretor do festival, o cineasta Francis Vale agradeceu a todos que contribuíram para que o evento pudesse alcançar com sucesso a importante marca da quinta edição
Ao longo de uma semana, moradores e visitantes de Jericoacoara conferiram um amplo painel da história do cinema nacional e da produção audiovisual brasileira contemporânea, com o V Festival de Jericoacoara – Cinema Digital. Tudo com entrada franca, em exibições que uniram nativos, cearenses de outros municípios e visitantes de diversos estados brasileiros e diferentes países, na Sala Multimídia do Polo de Atendimento à Infância e Adolescência de Jericoacoara. Mesmo local em que, na noite deste domingo, 21/6, foram divulgados os filmes vencedores, selecionados pelo júri do festival. Os realizadores, atores e técnicos premiados receberam o Troféu Pedra Furada, concebido pelo renomado artista plástico cearense Zé Tarcísio, em referência ao grande ícone de Jeri, sempre apontada como uma das mais belas praias de todo o mundo.
Além da mostra competitiva de curtas-metragens, que incluiu 30 filmes de até 20 minutos, de realizadores de 11 estados, o festival, iniciado na última segunda-feira, 15/6, contou com uma mostra informativa, com exibições à tarde contemplando filmes como “O Desafio”, de Paulo César Saraceni, e “Os Subterrâneos do Futebol”, de Maurice Capovilla, que contou com debate, após a exibição, com a presença do ex-jogador de futebol Afonsinho, colunista da revista Carta Capital. Também foram realizadas sessões de cinema com filmes para o público infantil e ainda uma oficina de cinema digital, para os moradores de Jericoacoara. Tudo com entrada franca e participação aberta a todos os interessados.
Neste domingo, na grande noite de encerramento do festival, realizado pela Anhamum Produções Audiovisuais e pelo Cineclube Avenida, com co-produção da Jerimoon Tour, patrocínio da Coelce, por meio do Mecenato, com apoio da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará e do Governo Federal/Ministério da Cultura, foi prestada homenagem ao cineasta baiano Tuna Espinheira, falecido em janeiro deste ano e que participou do festival por três vezes, como convidado. Do diretor, foi exibido o filme “O Imaginário de Juraci Dórea no Sertão Veredas”. A exibição contou com a presença de Yara Espinheira, viúva do cineasta, que, muito emocionada, subiu ao palco junto da filha, Rosa, para agradecer pela homenagem. “Tuna tinha uma obsessão em fazer cinema. Espero que a seriedade de fazer cinema prevaleça também para os jovens diretores que estão aqui. Viva o cinema”, destacou Yara.
Jovens realizadores e cineasta-mirim
Logo após a homenagem, aconteceram a exibição de filmes produzidos pelos participantes da oficina de cinema digital e a entrega de certificados aos jovens realizadores audiovisuais de Jericoacoara. Em seguida, o pequeno Pablo Ferreira, de apenas seis anos, recebeu um troféu especial, por ter feito seu primeiro filme – um vídeo de um minuto, sobre futebol, feito com bonecos e exibido no festival sob fortes aplausos. Pablo é filho de Arnaldo Formiga, coordenador técnico do festival, e participa do evento desde a primeira edição.
Foi a vez então da solenidade de premiação aos realizadores dos curtas-metragens participantes da mostra competitiva que, para o júri do festival, mais se destacaram ao longo de todo o evento, em que o diretor de cada um dos 30 curtas selecionados permanece durante toda a semana em Jericoacoara, participando de debates, trocando ideias sobre cinema e gerando possibilidades de novos projetos
Filmes premiados
Passada a curiosidade de realizadores e espectadores, foram premiadas produções provenientes de sete estados, em decisão do júri presidido pelo cineasta e cineclubista paraibano Hermano Figueiredo.
O prêmio de melhor ficção ficou com “Preto no branco”, de Alison Zago Silva, de São Paulo, que também foi premiado como filme de melhor montagem e de melhor direção de arte, além de render o prêmio de melhor ator, para Sérgio Mastropasqua. “O Pau da Bandeira”, de Felipe Wenceslau, da Bahia, foi premiado como o melhor documentário e também deu a seu realizador o troféu de melhor diretor, além de levar o prêmio de melhor fotografia e de melhor desenho de som. “Guida”, de Rosana Urbes, de São Paulo, foi considerado o melhor filme de animação e também o de melhor trilha sonora. “Cântico dos Ventos”, de Laurita Caldas, da Paraíba, levou o troféu de melhor filme experimental.
O prêmio de melhor roteiro foi para “O Passageiro”, ficção, de Eduardo Cantarino, do Rio de Janeiro. O prêmio de melhor atriz ficou com Zezita Matos, do filme “Olhos de Botão”, ficção, de Marlom Meirelles, de Pernambuco.
Prêmios para os cearenses
“Cadê meu zóculos”, filme de ficção, do realizador cearense Josafá Ferreira Duarte, levou o prêmio de melhor filme na escolha do júri popular. Já o troféu de melhor filme dos estados do Ceará, Piauí e Maranhão (Prêmio Cepima) ficou com “Curitiba, mon amour”, documentário, de Pedro Rocha (CE). “As Aventuras de Chaga das Onças”, animação, do realizador cearense George Alex Barbosa, e “Gutierres”, documentário, de Fernando Bassani, do Rio Grande do Sul, foram destacados pelo júri com menções honrosas.
Curtas e debates
Além da Mostra Competitiva de Curtas-metragens, o festival exibiu em Jericoacoara longas importantes para a história do cinema brasileiro, como “São Paulo Sociedade Anônima”, de Luiz Sérgio Person, filmes homenageados por completarem 50 anos em 2015.
“O festival também promoveu uma exibição especial do filme ‘Aos ventos que virão’, do cineasta cearense Hermano Penna, radicado em São Paulo, contando com a presença dele. Foi uma oportunidade excelente para que um grande nome do nosso cinema brasileiro pudesse trocar ideias e experiências com jovens realizadores e com o público do festival”, destacou o diretor do evento, o cineasta, escritor e produtor cultural cearense Francis Vale, apontando que o evento chegou com muito sucesso à marca da quinta edição.
“É uma vitória, para um festival voltado exclusivamente para o cinema brasileiro e para a democratização do acesso ao cinema, através do digital, do espaço aberto para que o público possa conhecer a cada ano o trabalho de novos e talentosos diretores que estão fazendo o novo cinema acontecer, em todas as regiões do País”, acrescenta Francis Vale.
“O ambiente de convivência proporcionado pelo Festival de Jericoacoara Cinema Digital é outro grande diferencial do evento, que une jovens realizadores a cineastas experientes, revisitando e refletindo sobre o passado, conhecendo o presente e debatendo o futuro do cinema brasileiro, que é o grande foco do evento. Somos um dos poucos festivais em todo o Brasil voltados exclusivamente ao cinema nacional”, enfatiza Francis Vale, agradecendo pela participação de todos os cineastas, espectadores, patrocinadores, apoiadores e entusiastas do festival, nesta marcante quinta edição.
V FESTIVAL DE JERICOACOARA – CINEMA DIGITAL – RESULTADO FINAL – FILMES PREMIADOS
Melhor ficção: “Preto no branco”, de Alison Zago Silva (SP)
Melhor documentário: “O Pau da Bandeira”, de Felipe Wenceslau (BA)
Melhor filme de animação: “Guida”, de Rosana Urbes (SP)
Melhor filme experimental: “Cântico dos Ventos”, de Laurita Caldas (PB)
Melhor direção de arte: “Preto no branco”, de Alison Zago Silva (SP)
Melhor montagem: “Preto no branco”, de Alison Zago Silva (SP)
Melhor ator: Sérgio Mastropasqua, do filme “Preto no branco”, de Alison Zago Silva (SP)
Melhor diretor: “O Pau da Bandeira”, de Felipe Wenceslau (BA)
Melhor fotografia: “O Pau da Bandeira”, de Felipe Wenceslau (BA)
Melhor desenho de som: “O Pau da Bandeira”, de Felipe Wenceslau (BA)
Melhor roteiro: “O Passageiro”, ficção, de Eduardo Cantarino (RJ)
Melhor atriz: Zezita Matos, do filme “Olhos de Botão”, ficção, de Marlom Meirelles (PE)
Melhor filme, pelo júri popular: “Cadê meu zóculos”, ficção, de Josafá Ferreira Duarte (CE)
Melhor filme dos estados do Ceará, Piauí e Maranhão (Prêmio Cepima): “Curitiba, mon amour”, documentário, de Pedro Rocha (CE)
Menções honrosas: “As Aventuras de Chaga das Onças”, animação, de George Alex Barbosa (CE), e “Gutierres”, documentário, de Fernando Bassani (RS)
