Ceará sedia pela primeira vez o Encontro da Rede Brasileira de Teatro de Rua (RBTR), evento semestral que reúne artistas de todo o Brasil para discutir os rumos da arte pública no País. O encontro acontece a partir deste sáado, 14, e segue até quarta-feira, 18, com ações em Fortaleza e Aquiraz. A programação conta com apresentações gratuitas, lançamento de livro, cortejo e plenárias onde são aguardadas as presenças de representantes da Fundação Nacional das Artes (Funarte) e da Secretaria de Cultura do Estado do Ceará (SecultCe).
Vanéssia Gomes, do grupo Teatro de Caretas (CE), é uma das articuladoras do encontro no estado, ela explica que “a RBTR é a rede de teatro mais organiza no País, atualmente, existindo com ações contínuas desde 2007”. Em ambiente virtual ou nos seus encontros presenciais, a Rede atua compartilhando experiências sobre gestão pública, articulando festivais realizados por grupos participantes e discutindo ações para fortalecimento de espaços de ‘formação e criação’, sejam eles formais ou não.
“A ideia central dos encontros é fortalecer a luta por políticas públicas para cultura”, conta Vanéssia, “buscando garantia de investimento nas instâncias municipais, estaduais e federal”. Dialogando com as necessidades dos artistas de teatro de rua no Ceará, vai ser redigido, em assembleia, um documento destacando as demandas da classe no estado. Essa carta vai ser entregue ao titular da SecultCe, Guilherme Sampaio, na segunda-feira (16), durante a realização de um cortejo artístico que vai sair do Theatro José de Alencar rumo à Praça dos Leões, com uma parada na Praça do Ferreira, em Fortaleza.
A teatróloga Mirtia Guimarães, do grupo Quem Tem Boca É Pra Gritar (PB), destaca que foi importante para a cidade de João Pessoa ter recebido uma edição do encontro em 2013. “A proposta é provocar o poder público, no estado que sedia o evento, sobre a necessidade de investir em teatro de rua”, explica. “Pouquíssimas cidades têm leis ou editais específicos para a linguagem, só São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre”, acrescenta lamentando não ter nada semelhante na região Nordeste.
Para Mirtia o modelo de fomento ao Teatro de Rua proposto pelo Ministério da Cultura (MinC) também é ineficiente e essa é uma das pautas do encontro. Para contribuir com o debate em torno de questões nacionais, é aguardada para a plenária final a presença de Leonardo Lessa, diretor do Centro de Artes Cênicas da Funarte. Licko Turle, que é doutor em Artes Cênicas e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UNIRIO), também vai participar da edição cearense do encontro lançando seu livro, Teatro do Oprimido e Negritude (E-Papers, 2014), após o cortejo do dia 16, na Praça dos Leões. A publicação custa R$ 30.
