O documentário Palmas, de Edlisa Barbosa Peixoto, será exibido durante o II Fórum de Finanças Éticas e Solidárias, em Faro (Portugal), neste sábado, 20. A diretora fará ainda uma apresentação sobre o projeto, enfatizando sua vivência no Instituto Palmas durante os nove anos em que trabalhou do roteiro à finalização do documentário. Palmas será apresentado em mais seis cidades portuguesas – Lisboa, Porto, Castelo Branco, Covilhã, Coimbra e Abrantes – com o objetivo de disseminar as informações sobre economia criativa e solidária em organizações e cooperativas que atuam nesse segmento, além da universidade, através do Instituto de Ciências Sociais.
O documentário que conta a saga de 1.500 famílias que, na década de 70, tiveram suas casas na zona costeira da capital cearense desapropriadas pela Prefeitura Municipal de Fortaleza, movida por interesses de especulação imobiliária. Essas famílias, que foram transferidas para um local 20km distante do seu bairro de origem, sem a mínima infraestrutura urbana, iniciaram um intenso movimento de reivindicações e lutas.
“Essa seria mais uma história entre tantas que acontecem pelo Brasil e pelo mundo, não fosse o fato de que essa comunidade conseguiu não só, transformar-se de favela a bairro estruturado, mas criou seu próprio dinheiro: o Palmas! E foi assim que surgiu também o primeiro banco popular do Brasil: o Banco Palmas. Além da Palma tecnologia, que está agora sendo multiplicada pelo Governo Federal em mais de 100 municípios brasileiros e exportada para o mundo”, revela a diretora o que despertou seu interesse para realizar o filme.
O longa metragem de 56 minutos gravado em HDV é fruto de um projeto de pesquisa, elaboração de roteiro e busca incessante, durante nove anos, de um formato que fugisse de um enfoque jornalístico, complacente ou exótico. Edlisa ganhou alguns prêmios pelo roteiro, chegando a receber bolsa espanhola para trabalhar em Madrid por três meses com tutoria de vários realizadores ibero-americanos. Durante esse processo, ela se especializou em audiovisual e meios eletrônicos pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e realizou alguns curtas, que foram selecionados para festivais.
Palmas foi realizado em 2013 e finalizado em 2015, sendo prontamente exibido ao ar livre para a comunidade do Conjunto Palmeiras, em Fortaleza (CE), onde se situa o Instituto Palmas. Já foi apresentado pela diretora em organizações sociais no Rio de Janeiro (RJ) e em Porto Alegre (RS), além de estar disponível na internet, no You Tube, no Canal Instituto Palmas.
De acordo com a diretora, esse “é um filme onde a historia é contada por seus protagonistas, pela comunidade que todavia segue afinando seus instrumentos de desenvolvimento, resistindo e inovando”. Daí a importância de compartilhar essas informações com a sociedade. Após Portugal, Edlisa pretende levar o documentário para escolas da rede de ensino pública, além de salas de cinema e organizações sociais do Ceará e do Brasil.
Foto: Divulgação.
