Maior comunicador do rádio e da TV brasileira, Abelardo Barbosa, o Chacrinha, costumava dizer que “Na televisão nada se cria, tudo se copia”. Paradoxalmente, não teve ninguém até hoje que conseguiu copiar a espontaneidade do Velho Guerreiro. Comandante de extravagantes concursos de calouros, responsável por revelar grandes nomes da música nacional e inventor de bordões infames, o apresentador agora é homenageado em “Chacrinha, o musical”, que chega em agosto ao Ceará para apresentações dias 20 e 21 de agosto, no Teatro RioMar Fortaleza. (Foto: Robert Schwenck)
A montagem é assinada pela Aventura Entretenimento e já passou por sete cidades. As apresentações contaram com a participação especial de artistas que batiam ponto nos programas do Chacrinha, como Xuxa, Fábio Jr, Paulo Ricardo, Biafra e Wanderléa. Com texto de Pedro Bial e Rodrigo Nogueira, o espetáculo marca a primeira direção teatral de Andrucha Waddington e o fim da trilogia Uma Aventura Brasileira, iniciada por “Elis, A Musical” e “Se eu Fosse Você, o Musical”. Com apresentação da Bradesco Seguros, “Chacrinha, o musical” tem apoio da Alelo, da Localiza e da Riachuelo, apoio cultural da Odontoprev e da Autotrac e a Avianca como transportadora oficial.
O espetáculo acompanha a trajetória do apresentador desde sua infância em Surubim, Pernambuco, até o auge da carreira na TV Globo, comandando o programa de auditório “Cassino do Chacrinha”, com espaço para as rebolativas chacretes, os trocadilhos infames, buzinadas e troféu abacaxi. Dois atores dão vida ao protagonista: Stepan Nercessian (foto) interpreta o Chacrinha consagrado no rádio e na TV, enquanto Pedro Henrique Lopes incorpora o jovem Abelardo Barbosa. Aos 61 anos, Nercessian retornou aos palcos depois de mais de 10 anos sem trabalhar no teatro. “Eu sempre disse que só voltaria se fosse para participar de um projeto muito especial. É uma atividade que requer muita dedicação, esforço e disciplina. Falei desde o início que não sou um imitador. O Chacrinha aconteceu naturalmente”, explica Stepan. Pedro Henrique Lopes está no teatro há mais de 10 anos e ficou quatro anos e meio em cartaz com a comédia musical “O meu sangue ferve por você”, onde também fez o roteiro original. Nas duas temporadas do espetáculo, Pedro integrava o elenco como os personagens Jece Valadão e Benito di Paula. “É muito louco trabalhar com uma figura que existiu e que impactou tanto na vida de muita gente. Tento sempre entrar na cabeça dele. O Chacrinha era muito divertido, muito intenso, muito criativo. Ele acreditou que poderia ser o que queria e se tornou um dos maiores comunicadores do Brasil”, comenta Pedro. Completam o elenco 16 atores-cantores-bailarinos, que vão dar vida a familiares do Velho Guerreiro e personalidades que fizeram parte da vida do apresentador como Boni (Saulo Rodrigues) e Elke Maravilha (Laura Carolinah).
O diretor Andrucha Waddington faz sua estreia na atividade teatral depois de quase três décadas de carreira dedicada à produção cinematográfica. “O importante para mim neste trabalho é fazer um musical fora da caixa, algo novo. Só assim para honrarmos o espírito do Chacrinha. Dirijo como se fosse um filme, que é a atividade com a qual estou acostumado. Mas ambos os trabalhos partem do mesmo ponto fundamental, que é a dramaturgia”, explica o diretor.
‘Chacrinha, o musical’ é a terceira produção da trilogia Uma Aventura Brasileira, comandada pelos sócios da Aventura Entretenimento Aniela Jordan, Fernando Campos e Luiz Calainho, que reúne espetáculos 100% nacionais. Depois de ‘Elis, A Musical’ (com direção de Dennis Carvalho) e ‘Se eu Fosse Você, o musical’ (com supervisão artística de Daniel Filho), o jornalista Pedro Bial e o cineasta Andrucha Waddington foram convidados para levarem novas ideias ao gênero musical. “A Aventura Entretenimento quer diversificar suas produções, e um caminho para isso é convidar para os projetos profissionais bem-sucedidos em outras áreas, que possam pôr em prática propostas inovadoras e fazer com que a gente não siga uma fórmula. Outras trilogias virão”, conta Aniela Jordan.
A trilogia Uma Aventura Brasileira contribuiu para o crescimento dos musicais nacionais genuínos, depois do sucesso alcançado por adaptações de clássicos da Broadway no país. “Estamos fazendo história no teatro musical. No Brasil, há uma capacidade criativa gigante. O que falta no país é uma boa gestão. E a Aventura, assim como outras grandes empresas, tem procurado implementar a gestão de alto nível. Se Chacrinha fosse vivo, ele continuaria a estar à frente do tempo dele. Então, temos o privilégio, o prazer e a honra de colocar esse espetáculo de pé em um momento em que os musicais brasileiros estão tão fortalecidos”, celebra Luiz Calainho, empresário, sócio da Aventura Entretenimento.
A TRAMA
O jornalista Pedro Bial foi responsável pelo primeiro tratamento do texto, a partir de extensa pesquisa de Carla Siqueira. A trama é dividida em dois atos, com espaço para episódios biográficos e momentos líricos e fantasiosos. A infância difícil com a falência do pai, o ingresso no rádio e revolução que ele promoveu na televisão brasileira são temas presentes, assim como momentos em que são revelados sua bipolaridade, autoritarismo e obsessão pelos números de audiência. “Responder à pergunta: ‘por que Chacrinha?’ é difícil. Temos que perguntar: ‘Como Chacrinha?’ . ‘Como o Abelardo inventou o Chacrinha?’ ,’Como esse sujeito inaugurou no Brasil e no mundo a comunicação de massas?’, ‘Como esse cara inventou o primeiro palhaço da televisão?’, ‘De onde ele tirou isso?’. A gente se pergunta e vai atrás das respostas durante o espetáculo”, descreve Bial. O dramaturgo Rodrigo Nogueira frisa o lado teatral que sempre marcou a carreira do apresentador. “Acho que o Chacrinha é uma das pessoas mais teatrais que eu já conheci. Ele conseguiu levar a profanação para a televisão, um ambiente que até então era careta e regido por fórmulas. O que a gente quer fazer é pegar toda essa liberdade e excentricidade e jogá-las de volta ao teatro. O público vai ter a oportunidade de viver a experiência que tinha quando assistia aos seus programas”, detalha Rodrigo.
A trilha sonora é composta por mais de 60 canções (com medleys) consagradas na história da música nacional. Muitos desses sucessos fizeram parte do repertório do Cassino do Chacrinha e dos artistas que o comunicador ajudou a consagrar, como ‘O meu sangue ferve por você’ (Sidnei Magal), ‘O amor e o poder’ (eternizada por Rosana), ‘Tente outra vez’ (Raul Seixas), ‘Televisão’ (Titãs) e ‘Fogo e Paixão’ (Wando). “Vamos reunir músicas desde o fim dos anos 30 até meados dos 80, apresentadas nos últimos programas. Entre os musicais em que trabalhei, este é o que reúne canções com comunicação mais imediata da plateia. São obras bem populares, mas que os espectadores terão oportunidade de escutar de uma outra forma. Muitas são consideradas bregas, mas são belíssimas”, conta a diretora musical Delia Fischer. Os atores serão acompanhados por uma banda de cinco músicos.
Também fazem parte da equipe criativa o diretor de movimento Alonso Barros (diretor e coreógrafo de ‘Se eu fosse você, o musical’), Gringo Cardia (Direção de arte e cenografia), Carlos Esteves (desenho de som), Claudia Kopke (figurinista – venceu o Prêmio Shell de Teatro do Rio de Janeiro na categoria figurino com o espetáculo), Paulo César Medeiros (desenho de luz) e Marcela Altberg (produção de elenco).
Serviço
Chacrinha, o Musical
Dias 20 e 21 de agosto
Sábado, às 21h
Domingo, às 15h e 20h
Teatro RioMar Fortaleza
Rua Des. Lauro Nogueira, 1500 Piso L3 – Shopping RioMar Fortaleza – Papicu / Fortaleza – CE
www.teatroriomarfortaleza.com.br
| Setor | Inteira | Meia-Entrada |
| Plateia Alta | R$ 50,00 | R$ 25,00 |
| Plateia Baixa B | R$ 100,00 | R$ 50,00 |
| Plateia Baixa A | R$ 100,00 | R$ 50,00 |
