Depois de estreia e apresentações da peça em Fortaleza, no Theatro José de Alencar, em agosto de 2013, o espetáculo agora percorre os municípios do sertão cearense Iracema nos dias 24 a 27 de novembro, Arneiroz de 1º a 04 de dezembro e Lavras da Mangabeira, de 08 a 11 de dezembro, onde encerra o ciclo iniciado em 2013 com pesquisa, oficinas e ensaios abertos ao público. As apresentações serão gratuitas! (Foto: Divulgação)
A mundana companhia (com iniciais minúsculas mesmo) sediada na cidade de São Paulo, realizou uma grande imersão artístico-cultural por três municípios do sertão cearense no ano de 2013. A pesquisa resultou na estreia, em Fortaleza, da peça ‘O Duelo’, baseada em novela homônima do escritor russo Anton Tchekhov.
Depois de estrear em Fortaleza, seguir para Parque Nacional da Serra da Capivara/PI, João Pessoa/PB, Brasília, Belo Horizonte/MG, São Paulo/SP, Campinas/SP, Santo André/SP, São Carlos/SP, Bauru/SP, Rio de Janeiro/RJ, São João de Meriti/RJ, Curitiba/PR, Porto Alegre/RS, Festival Off de Avignon na França e Fringe Festival de Edimburgo na Escócia, a mundana companhia volta para onde todo o desafio começou: ‘o Cáucaso cearense’.
“Quando estávamos fazendo residência artística no sertão do Ceará, fomos incorporando à linguagem do espetáculo elementos plásticos e estéticos que tornam esta região brasileira semelhante ao Cáucaso, lugar onde se passa a trama. O calor, as conversas nos balneários, as noites claras, as cadeiras nas calçadas, a bebida alcoólica no dia a dia das pessoas, o provincianismo, o machismo… são alguns desses elementos. Como sou de origem sertaneja, de Lavras da Mangabeira, quis levar a companhia da qual faço parte para aquele trabalho de pesquisa e ensaios nas cidades do interior do Ceará. Agora, três anos depois, vamos fechar o ciclo deste trabalho com quatro apresentações em cada uma dessas cidades”, explica o ator, produtor, co-fundador e diretor da mundana companhia, Aury Porto.
A nova turnê tem o patrocínio do Edital de Circulação de Teatro da Petrobras Distribuidora.
Fazer político
Se em 2013 a escolha do Ceará teve motivos afetivos e de intercâmbio cultural, com o objetivo de investigar e extrair semelhanças entre o enredo da peça e entre duas regiões tão distantes do planeta (Cáucaso e sertão cearense), agora o momento é de celebrar a troca de experiências que ocorreram entre os artistas da mundana companhia e os moradores das três cidades. O convite para este retorno foi feito pelo ator e produtor Aury Porto, e foi prontamente aceito por toda a equipe ao final da última apresentação do espetáculo na cidade de São Paulo, em outubro de 2014.
Desde 2013, os artistas e técnicos da mundana companhia mantêm contato com moradores das cidades, que agora serão presenteados com quatro apresentações em cada uma. A ideia é aproximar ainda mais o público do fazer teatral nestas localidades que têm poucas oportunidades de conhecer e fruir as artes cênicas.
“A história dos personagens em Tchekhov é feita de rupturas, do estrangeiro que se sente deslocado, do preconceito, do confronto ideológico dentro da pequena burguesia, do desencontro amoroso e do ódio pelas diferenças. Curiosamente, no início da atual divisão ideológica da sociedade brasileira, durante as manifestações de junho de 2013, estávamos fazendo a nossa pesquisa naquelas cidades. Agora, temos o dever de trazer essa componente política com mais clareza e força para o nosso espetáculo.”, explica Aury Porto, enfatizando que será realizado um debate em cada cidade sobre educação, teatro e política.
Elenco e Cidades
No elenco apenas duas mudanças, o ator Fredy Allan será substituído pela diretora e atriz Georgette Fadel e o ator Sérgio Siviero pelo ator Mariano Mattos Martins. Os outros integrantes do elenco são os mesmos da estreia: Aury Porto, Camila Pitanga, Carol Badra, Guilherme Calzavara, Otávio Ortega, Pascoal da Conceição e Vanderlei Bernardino.
As cidades, explica Aury, não foram escolhidas ao acaso. Estão localizadas em regiões diferentes do Estado, têm poucos habitantes como a cidade do enredo, e carregam em suas histórias o drama do duelo através da prática da pistolagem. “Isso, sem dúvida, precisava estar incorporado ao nosso duelo ficcional”, finaliza Aury.
Sinopse – O Duelo
O magistral escritor russo Antón Tchékhov (1860-1904) consagrou-se como contista e dramaturgo, mas foi também notável novelista. Pérola dessa vertente é O Duelo (1891), narrativa que tematiza a desavença entre duas hombridades e duas ideologias em meio a supostas civilização e barbárie, ou seja, o conflito entre duplos díspares, mas complementares. Rússia versus Cáucaso, humanismo versus determinismo.
Ivan Laiévski é um funcionário público médio da Rússia ksarista de meados do século XIX – transição cruenta entre os reinados de Nicolai I e Alexandre II –, que fugiu para o Cáucaso em concubinato com Nadiejda (nome que em russo significa “esperança”), sua amante. Nadiejda traiu e largou o marido em São Petersburgo para amancebar-se com Ivan Laiévski.
Passados dois anos de idílio caucasiano, Laiévski enfastia-se de Nadiejda, passa a beber, a jogar e a negligenciar o seu trabalho provinciano, desejando desesperadamente voltar ao norte, ao mundo petersburguense, ao frio anuviado da alta cultura russa, longe de turcos e armênios. Devoram-no, porém, a dor de consciência por abandonar ao deus-dará a amante e as dívidas que contraiu ao longo da sua estada no Cáucaso. Nadiejda, por sua vez, foi incorporando aos poucos esse lado mais asiático da Rússia, feliz como um sol: entre crises esporádicas de malária, ela cultiva secretamente o prazer de ser cortejada por todo o povoado, ao mesmo tempo em que sente ser o grande escândalo e a fofoca do momento por ter traído o marido a céu aberto.
Mária Konstantínovna, madame de araque, casada oficialmente, é representante desse moralismo enviesado. Tudo se agrava quando Laiévski recebe a notícia de que esse marido fantasmagórico morreu. O funcionário entediado, que despacha documentos às cegas, então se vê na condição de amásio de viúva, premido a se casar, apreensivo com o destino de Nadiejda, quando na verdade a sua alma clama pela Avenida Niévski e pela vida mundana da metrópole.
Tudo isso sob o calor quase alucinógeno do litoral do lendário mar Negro.
Serviço
O Duelo, da mundana companhia (São Paulo)
Datas: De 24 a 27 de novembro (Iracema), 1º a 04 de dezembro (Arneiroz) e 08 a 11 de dezembro (Lavras da Mangabeira)
Horário: 19h com 3h20 de duração e 20 min de intervalo
Locais de cada cidade: Serão divulgados no dia 21 de novembro
A cada dia de apresentação serão distribuídos 100 ingressos gratuitos, sempre às 14h. Local a ser divulgado.
Mais informações:
www.facebook.com/mundanacia
www.mundanacompanhia.com
