Formado por integrantes das bandas Ventre, Lupe de Lupe, SLVDR e Baleia, os músicos lançam o clipe para a canção “Cansado”, presente no disco de estreia, lançado em 2016. O trabalho é uma realização de André Magalhães, Eduardo Kozlowski, César Augusto Moura, Pedro Waddington e Pedro Bomfim Fontoura (Academia Internacional de Cinema). A performance solo de Pedro Gabriel Bomfim (Pegê) acompanha o crescendo da faixa, que vai de guitarras arrastadas ao completo caos musical em questão de segundos.
A dança de Pegê foi um improviso. Como um grito, ela cresceu com a música. Não foi pensada, apenas sentida. A ideia do vídeo partiu de Pedro Fontoura, que após ouvir bandas da cena independente, sentiu vontade de colaborar de alguma maneira com o cenário nacional. Nesse caminho, ele convidou Pegê para participar e, assim, ter um registro de sua performance.
“O desenvolvimento do clipe foi muito intuitivo, eu apresentei esses músicos pro Pegê e deixei a seleção a critério dele. Depois de escutarmos o álbum Xóõ, conversamos um pouco sobre ritmos e foi uma surpresa muito agradável, porque ele interpreta a música inteiramente pelos movimentos, e isso me ajudou muito na hora de pensar visualmente. Ele ia me dando toques dos momentos da música onde haviam quebras de tempo, viradas e ia sugerindo. Com isso em mente, preparamos tudo e deixamos ele livre pra dançar a música”, conta um dos realizadores, Pedro Bomfim Fontoura.
A recepção do Xóõ para o vídeo não poderia ser melhor. Hugo Noguchi, baixista do grupo, elogia a conexão entre música e movimentos corporais realizada por Pegê:
“Pra gente, é interessantíssima essa conexão que reforça e ressignifica a canção. Tem uma sugestão de ‘início’ e ‘fim’ que acho bem interessante: após o começo de um dia (ou um nascimento), existimos, nos movemos, sentimos, pensamos de forma muito intensa (muito mais do que nosso cotidiano nos permite notar) até o fim do dia (ou a morte). Isso tudo com nosso corpo absorvendo e reagindo a toda essa inquietação e confusão, incorporando a tensão que é viver em uma sociedade em que a falta de sentido é um imperativo. Enquanto a gente implora na superfície por qualquer motivo, prazer ou recompensa que torne nossas vidas menos fúteis e mais significativas”, explica.
Na medida que Pegê dança como se nascesse e morresse durante a canção, a fragilidade da atual geração também é exposta na letra: “Todos andam tão animados/ Que você não vai perceber/O quanto eles perdem”. O cansaço abordado na letra da música é o resultado de uma reflexão sobre a indisposição atual, como explica o Noguchi: “‘Cansado’ é o momento do disco que trata especificamente desse mal-estar, dessa falta de sentido atuais traduzidos nesses signos: amigos da internet, nova MPB. Tanto que o tempo verbal que ele fala é no presente, em toda a música.”
Para o futuro, o grupo planeja o lançamento de um novo disco, que está em fase de pós-produção. “Deve sair esse ano junto com muita polêmica, graças à deusa. A gente adorou montar o show desse primeiro disco, tá bem divertido tocar com com a galera (eu pessoalmente amo tocar com dois baixos), então se tiverem convites a gente quer tocar por esse Brasilzão afora também!”, insinua o baixista.
O Xóõ é formado por sete integrantes conhecidos da cena independente: Bruno Schulz (produtor e músico, conhecido pelos trabalhos com Cícero), Cairê Rego e Felipe Pacheco (Baleia) e o mineiro Vitor Brauer (Lupe de Lupe). Completam o time Gabriel Ventura (Posada, Cícero, Duda Brack), Hugo Noguchi (SLVDR, Posada) e Larissa Conforto (Cheddars), os três também integrantes da Ventre.
O encontro entre os músicos foi registrado no estúdio compartilhado Swing Cobra, localizado em Vila Isabel, Zona Norte do Rio. A ficha técnica do disco mostra o quanto os oito integrantes da Xóõ se dedicaram para produzir um trabalho de que orgulhassem. Todos da banda participaram na composição das músicas e na produção, já a pós-produção ficou com Bruno Schulz e Felipe Pacheco; enquanto Hugo Noguchi foi responsável pela edição e a masterização foi realizada por Matheus Gomes, no estúdio Magic Master.
O resultado foi o disco de estreia do Xóõ, autointitulado. Gravado em 168 horas, ou seja, em uma semana, o trabalho lançado em 2016 figurou em diversas listas de melhores do ano em sites especializados, como Tenho Mais Discos Que Amigos, Alt Newspaper, RockInPress, entre outros.
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