Das fragilidades que nos edificam, na contra-mão da necessidade de ‘normatização’ e do seu encontro com a música de Sylvain Druot, a bailarina e professora Rosa Ana, encena ‘Hospital de Bonecas’ através de circulação proposta ao Edital do Instituto Bela Vista e Secultfor pela Rede Cuca e Centro Cultural Bom Jardim. O espetáculo que estreou em novembro de 2014, resultado da montagem viabilizada pelo Edital de Incentivo as Artes 2014 – SecultCE, passou pelas programações do Teatro Universitário, Teatro Carlos Câmara e do Festival Nacional de Dança do Cariri. (Foto: Alex Hermes)
Egressa da última turma do Colégio de Dança do Ceará (Instituto Dragão do Mar), Rosa Ana teve formação em dança clássica nas academias de dança de Fortaleza e foi buscar sua graduação em dança fora do País, passando pelas Universidades de Nice Sophia Antipolis e Paris VIII, onde também cursou seu Mestrado em Artes. Além da dança, Rosa encontrou o músico Sylvain Druot com quem casou e vive no Ceará desde 2013. Atualmente é professora de dança da Universidade Federal do Ceará ICA-UFC e da Escola de Formação Básica em Dança – Vila das Artes.
Com o projeto “Hospital de Bonecas”, a imagem oriunda da memória infantil da bailarina, viu-se reconstruída em discurso e movimento, na busca de uma dramaturgia corporal que repense as necessidades de consertos do ser humano, muitas vezes impostas pelos sistemas normalizadores que regem as sociedades, imposições que estão quase sempre disfarçadas em discursos midiáticos, exaltando o bem estar e a singularidade. Nas fronteiras dos modos classificatórios operados por esses sistemas: Qual lugar ocupamos? Somos normais? Somos marginais? E se nossos pequenos desequilíbrios fossem grandes abismos necessários à descoberta de si e do outro?
Durante o processo, havia também um desejo de que a música de Sylvain não fosse uma mera composição de cena ou de instantes cênicos, desta busca, o músico rompe a barreira de ser somente compositor da trilha, para ter sua participação como performer da obra, dividindo a cena com Rosa. O trabalho cênico teve a orientação coreográfica de Fauller, coreógrafo da Cia Dita, e ainda uma ficha técnica composta de Marina Carleial no figurino, Wallace Rios na luz, Alexe Hermes nos vídeos e fotos e a produção executiva de Jota Junior Santos.
O espetáculo
Hospital de Bonecas surge como um lugar de questionamento sobre nossas necessidades de conserto muitas vezes impostas pelos sistemas normalizadores que regem as sociedades contemporâneas, imposições disfarçadas em discursos midiáticos que exaltam o bem estar e a singularidade. Nas fronteiras dos modos classificatórios operados por esses sistemas: Qual lugar ocupamos? Somos normais? Somos marginais? E se nossos pequenos desequilíbrios fossem grandes abismos necessários à descoberta de si e do outro? Deste lugar surgiu as pesquisas para o projeto Hospital de Bonecas, buscando estratégias para assumir as fragilidades que nos edificam, que nos tornam, de fato, singulares e, até mesmo, fortes, num eterno processo de reconstrução de si e do mundo que nos cerca.
Serviço
26/01/2017 (quinta) duas sessões
15h e 19h – Teatro do Cuca Mondubim
Rua Santa Marlúcia, s/n – Mondubim
07/02/2017 (terça)
19h – Centro Cultural Bom Jardim
Rua Três Corações, 400 – Bom Jardim
debate com mediação após as sessões
