Entre sutilezas, canções e muitas histórias, em clima bem-humorado e informal, a cantora cearense Amelinha foi aplaudida por um grande público na noite deste domingo, 12, no Cineteatro São Luiz. O show, que contou com a presença de colegas de geração, como o compositor Ricardo Bezerra e a escritora Ana Miranda, foi uma homenagem ao Dia Internacional da Mulher e aos 40 anos do LP “Flor da Paisagem”, um dos discos clássicos da música brasileira, com a faixa-título de Fausto Nilo e Robertinho de Recife. (Foto:Divulgação/Secult/Felipe Abud)
O público riu das histórias e dos “casos” contados pela intérprete, pra lá de descontraída, e cantou junto sucessos como “Foi Deus quem fez você”, “Eternas ondas”, “Terral”, “Dia branco” e a própria “Flor da paisagem”, entre tantos outros êxitos, em um show no ambiente especial do Cineteatro, que vem consolidando o horário de começo de noite de domingo como opção para os amantes da música.
Dos compositores da nova geração, Amelinha escolheu Marcelo Jeneci, cantando o sucesso “Felicidade”, ao lado de sua banda, composta por Julio Brau (violão, guitarra e direção musical), Nelson Renovati (baixo), Tamir Sousa (bateria e percussão), Leandro Campanatti (teclado) e Eron Lima (sanfona) este um dos destaques do show. Do conterrâneo Belchior, Amelinha escolheu “Galos, noites e quintais” e “Mucuripe”, parceria com Fagner, ambas recebidas sob gritos de “Volta, Bel”, desferidos pelo público.
Outro destaque da noite foi “Sol de primavera”, de Beto Guedes, canção que exemplificou bem o clima de sutilezas, arranjos cadenciados e interpretações dolentes de Amelinha, características predominantes ao longo de todo o show, como em “Légua tirana”, do repertório de Luiz Gonzaga, que ainda teve “Baião”, parceria com o cearense Humberto Teixeira, em um momento de mais energia da intérprete e de sua banda.
O público, que quase lotou a plateia inferior do Cineteatro São Luiz, não poupou aplausos à intérprete cearense, que demonstrou felicidade em se apresentar no local onde, revelou no show, viveu momentos inesquecíveis de sua juventude. “Beijei muuuuito”, brincou, citando diversos filmes a que assistiu no São Luiz, com a presença dos “namoradinhos” escondidos.
“Flor da Paisagem”
A música que deu título ao disco lançado por Amelinha em 1977 é uma inspirada parceria entre Robertinho do Recife, com uma melodia tão melancólica quanto bela, e Fausto Nilo, com uma letra cheia de imagens poéticas, sentimentais e nordestinas: “Nós num lençol de cambraia…”.
O lirismo bem característico de muitos compositores do “Pessoal” é a tônica do disco, reforçado por canções como “Pobre bichinho”, de Fagner, também interpretada em shows pelo cantor e compositor mineiro Paulinho Pedra Azul.
O grande compositor e pianista Petrúcio Maia, cujo nascimento completa 70 anos em 2017, contribui com duas canções: “Senhora Dona”, parceria com o letrista cearense Brandão, e “Mal Doloroso”, com o também cearense Pepe . Ednardo empresta à voz de Amelinha duas canções (“Ponta de espinho” e “Acalmar-se”, esta em parceria com Brandão) e Fagner, nada menos do que quatro: “Santo e demônio” (parceria com o pianista cearense Ricardo Bezerra), “Depende” (com o letrista carioca Abel Silva), “Agonia” e a já citada “Pobre bichinho”.
Completam o disco “Aprender a voar”, de Beto Mello, e o clássico “Cintura fina”, da lavra de Luiz Gonzaga e Zé Dantas.
