Após os já lançados singles “Fica Fácil Assim” e “Bem-vindo”, Bel apresenta seu trabalho de estreia, “Quando Brinca”. Minimalista, o álbum testa os limites da canção popular, unindo tons eletrônicos, da MPB e de jazz para refletir o feminino e o mundo que cerca a mulher contemporânea. O disco foi produzido por Bel e Gui Marques e conta com participações especiais de Laura Lavieri, Larissa Conforto, Mari Romano, Rafaela Prestes (do supergrupo Xanaxou) e Qinho. (Foto: Francisco Costa)
Cantora, compositora, escritora, produtora cultural e artista visual, Bel Baroni sempre teve um trabalho artístico rico em gêneros, estilos e categorias. No lançamento de seu projeto autoral, ela se mostra em sua faceta mais aberta e madura. O registro veio da vontade de se expressar individualmente ao mesmo tempo que dava vida a composições que não entravam no repertório da banda Mohandas, que a cantora e compositora integrava anteriormente. Foi uma mudança de foco.
“Fui gravando umas guias despretensiosamente e aí, quando as levei pro Gui Marques, começou a pira”, explica a artista. “Esse disco nasceu também pelas mãos dele, juntos fizemos os arranjos, fomos acrescentando elementos, vendo a coisa tomar forma e desenvolvendo o universo desse álbum no processo, no fazer. Esse caminho foi longo, mas também muito prazeroso e estimulante. O processo das coisas me encanta muito”, reflete.
Para o rico instrumental, travestido de simples, Bel contou com beats, bass-synth e synths de Gui Marques, guitarras de Diogo Sili, o sax alto de Scott Hill e o baixo acústico de Pablo Arruda. Tudo isso partiu de uma criação orgânica, da simples vontade de colocar no mundo uma inspiração, uma ideia – o mesmo ponto de partida que Bel usa para todas as suas investidas criativas.
Estudante de música desde a infância, logo passou a integrar grupos percussivos, como o Rio Maracatu, e aprimorou sua pesquisa musical na Escola Portátil de Choro e com a ajuda de professores como Oscar Bolão e Suely Mesquita. Uma mudança para Madrid, para estudar cinema, culminou na publicação independente “Quando Brinca”, uma coleção de poemas manuscritos divulgados digitalmente. 2011 viu nascer a Mohandas, onde atuou até 2015 como cantora, compositora, percussionista e produtora. Foram cerca de 200 apresentações em oito estados do Brasil e até em Buenos Aires. No currículo da banda constam dois EPs, um compacto (“Toda parte”, de 2015) e os álbuns “Etnopop” (2012) e “Um segundo” (2015) – este último, com produção executiva de Bel Baroni e produção musical de Lucas Vasconcellos (Letuce, Legião Urbana). 2016 veio trazendo novos ares com a criação do Xanaxou, reunindo oito mulheres intérpretes, compositoras e instrumentistas. Outros trabalhos incluem a produção executiva do duo Haicu e um coletivo de produtores do Rio de Janeiro que propõe ações de articulação da cena independente.
Com tantos desdobramentos, a carreira em múltiplas frentes se reflete na criação deste trabalho solo e autoral. O livro de poemas, por exemplo, compartilha seu título com o álbum que chega agora aos serviços de streaming. Foi de lá que veio boa parte das letras e ideias para o disco, o que faz da publicação o brainstorm que deu o pontapé inicial a esse novo momento criativo, abordando de sexualidade até questões sociais e políticas.
“Vejo uma coisa se desdobrando da outra. E em ambos, me senti saltando, me jogando, me atirando numa aventura. Eu tendo a levar tudo muito a sério, e essa sensação de brincar é o que me salva, me renova”, finaliza a cantora.
Soundcloud: https://soundcloud.com/belbaroni/sets/quandobrinca
