O longa “Inferninho”, produção cearense, ganhará em breve as telas do cinema mundial. O filme será lançado no próximo dia 28, no 47º Festival Internacional de Roterdã, na Holanda, uma das mais importantes competições de cinema do mundo. (Foto: Divulgação)
A obra vai estrear na Bright Future, uma das principais mostras do festival e, além disso, terá três exibições em diferentes cinemas da cidade holandesa, que receberá cineastas, críticos, curadores e cinéfilos do mundo inteiro.
“Inferninho” deu seus primeiros passos em 2013, quando o grupo Bagaceira de Teatro fez um convite à produtora Alumbramento para a realização de um projeto em conjunto. À época, a proposta – que nasceu como peça teatral – se transformou em uma série de TV dividida em quatro episódios e, por fim, virou um longa-metragem. Parte do roteiro foi desenvolvido na primeira edição do Laboratório de Audiovisual do Porto Iracema das Artes, que abriu suas portas naquele ano.
“Eles apresentaram a ideia e nós topamos. Durante o processo do Porto, nos aproximamos bastante e criamos juntos os personagens e o universo do que seria o filme”, destaca Pedro Diógenes, um dos diretores do longa. “Trabalhar com o Grupo Bagaceira, um grupo de atores e criadores talentosíssimos, e com a equipe que a gente conseguiu formar pra esse filme, formada por profissionais brilhantes e apaixonados, foi mágico”, acrescenta Guto Parente, que divide a direção.
O filme, que une teatro e audiovisual, foi filmado em 2016 durante dez dias numa fazenda de Cascavel, cidade da região metropolitana de Fortaleza, a cerca de 54 km da Capital. Toda a história se passa dentro de um bar, o “Inferninho”, ambiente escuro e velho, localizado num lugar ermo, frequentado por clientes que querem fugir da realidade. A proprietária do bar, Deusimar (Yuri Yamamoto), se envolve com um cliente misterioso, Jarbas (Demick Lopes), um marinheiro que está de passagem. A relação de Deusimar e Jarbas transforma o cotidiano do bar e mexe intensamente com a vida dos funcionários do “Inferninho”. O elenco também é composto por Samya de Lavor, Rafael Martins, Tatiana Amorim, Paulo Ess, Galba Nogueira, Pedro Domingues e Gustavo Lopes.
Segundo os diretores Pedro Diógenes e Guto Parente, os atores participaram criativamente do processo, desde a elaboração do roteiro, e foram fundamentais na construção das personagens, que são o foco do filme. “Quando decidimos fazer esse filme, sabíamos q tínhamos pouco recurso e precisávamos ser precisos com as escolhas. Apesar do pouco tempo de filmagem, tivemos um tempo razoável de preparação e ensaios”, explica Samya de Lavor, atriz que deu vida a Luiziane, cantora do bar “Inferninho”. “Como o grupo de atores já se conhecia e conseguimos uma relação de escuta delicada com a equipe, foi uma experiência tranquila para as condições que tínhamos”, ela acrescenta.
O audiovisual cearense terá outros dois representes no festival. Além de “Inferninho”, o longa-metragem “Clube dos Canibais”, também de Guto Parente, e o recém-finalizado “Antônio, Um, Dois, Três”, de Leonardo Mouramateus, estreiam na sessão Brigth Future.
Guto Parente e Pedro Diógenes trabalham juntos desde o início de suas carreiras. “Inferninho” é o quarto longa-metragem que eles dirigem juntos, mas o primeiro como dupla, já que os outros três foram dirigidos também por Luiz e Ricardo Pretti, em uma formação de quarteto – Estrada para Ythaca (2010), Os Monstros (2011) e No Lugar Errado (2011). Guto dirigiu sozinho ou em outras parcerias de direção os filmes Doce Amianto (2013), A Misteriosa Morte de Pérola (2014) e O Estranho Caso de Ezequiel (2016); e Pedro, os filmes Com os Punhos Cerrados (2014) e O Último Trago (2016). Seus filmes foram exibidos em importantes festivais de cinema como Locarno, Roterdã, AFI, FidMarseille, Viennale, entre outros.
