O espetáculo “Drácula ou o Desmortal” é o novo espetáculo do Coletivo SouL, que encerra temporada neste sábado, 24, e domingo, 25, sempre às 20h, no Teatro Dragão do Mar. (Foto: Cláudia Morais)
A montagem estrutura-se a partir de manuscritos apócrifos deixados por Bram Stoker, que transpõe para o texto dramático seu famoso romance “Drácula”. Este material, que resistiu inédito por cem anos, até ser publicado em 1997, é aqui vertido pela primeira vez para língua portuguesa, sendo, também de maneira inédita, encenado em palcos brasileiros. Conta com a dramaturgia da premiada escritora-encenadora portuguesa Patrícia Portela e do também laureado dramaturgo brasileiro Alexandre Dal Farra, num projeto de escritura a quatro mãos e de caráter transatlântico. A direção geral é de Thiago Arrais.
Fruto de viagens exploratórias (iniciáticas) do Coletivo SouL pela Amazônia Sul-Americana e pela Europa de Leste (Romênia), “Drácula ou o Desmortal” investe na obra de Stoker pela ótica do desconhecido, do saber da margem, das fronteiras culturais que tensionam as certezas do projeto moderno-ocidental de conhecimento. Numa assumida elegia a ignorância, o espetáculo propõe uma revisão deste nosso tempo presente, em favor do encontro com diferentes temporalidades e geografias, que Drácula encarna como aquilo que permanece ou convive com a sua própria morte (Un-Dead), sobrevivente, ameaçador.
Contemplado pelo Itaú Rumos Cultural 2015-2016, o projeto ao longo de um ano (novembro de 2016 a novembro de 2017) por cinco países, no cumprimento de sua pesquisa e atividades, a saber: Colômbia (integrando a travessia de quarenta dias do Soul no Noroeste brasileiro, no Alto Rio Negro Amazônico, em convivência com 23 distintas etnias e línguas indígenas e em contato com diversas cosmogonias produzidas naquela região, também designada como Cabeça de Cachorro); Romênia (percorrendo diversas regiões do país, sobretudo a Transilvânia, em que se situa a obra de Stoker, mas não só: e tendo o Coletivo SouL apresentado-se no ‘Festival Noapte Sanziene’, na região de Maramures, limite com a Ucrânia); Alemanha (região de Baldueinstein e encontro com a célebre guru Mãe Meera); França (participação no Festival MigrActions, em Paris, com leitura da obra “Drácula ou o Desmortal”, então em processo) e Portugal, onde o Coletivo Soul promoveu uma ocupação de dois meses de atividades e residências em diálogo com a comunidade artística do país e estreou o espetáculo no Teatro Acadêmico de Gil Vicente, em Coimbra, com coprodução do mesmo.
A realização deste projeto contou ainda com a produção de importante material audiovisual, a registrar, por meio de mais de 60 horas de filmagem, com direção de André Moura Lopes, todo seu processo de incursão e travessia, e que, atualmente em fase de pós-produção, resultará numa fic.doc, espécie de obra paralela e congeminada a todo o processo, em que ficção e realidade se relacionam.
Ingressos: R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia). Classificação etária: 18 anos.
