Do baião ao rock, passando pelo maracatu e o afrobeat, a Forria viaja da metrópole ao sertão para cantar sua poesia. O álbum está disponível nas principais plataformas digitais. Neste sábado, 28, eles fazem show na festa Toró, na Casa Ruína, com ingressos a R$ 10. Foto: Reno Beserra
A mistura de referências é fruto de constante busca pela sonoridade desejada, em um processo de investigação “para dentro e para fora”, como diz Paula Braz (viola de arco). E o resultado é pura brasilidade. Para ela, apelo regional surge do encontro de referências dos sete músicos com vivências distintas. Além dela, Leonardo Rio (voz), Samuel Torquato (guitarra), Eros Augustus (teclas), Mateus Torquato (baixo), Lucas Rangel (bateria), Seu Divino e Tiago Campos (percussão) formam o grupo.
“Descobrimos aquilo que nos atravessa: um Belchior, um Pessoal do Ceará, um Manguebeat, um forró mais arrochado, um gosto por ritmos afro-brasileiros e suas manifestações, que não se encaixam na dicotomia entre o tradicional e o moderno”, afirma Paula Braz. “Essas referências passeiam pelo disco de forma bastante evidente, mas nunca engessada ou parada no tempo: queremos que nossa música seja atual, ainda que permeada de nostalgias”.
Para celebrar o disco, a banda lançou também o clipe de “Desenredo”, um passeio pelas ruas dos bairros Parquelândia, Centro e Praia de Iracema.
“O que nos guiou foi a própria música que tem momentos muito fortes de tensão, angústia e alívio”, diz o guitarrista Samuel Torquato. No vídeo, a personagem parte para o trajeto nas ruas ao sol do meio dia, engarrafadas e totalmente caóticas, enquanto percebe as belezas escondidas da cidade. No fim, o descanso no Passeio Público seguido do mar de Iracema.
Outra faixa que evidencia a especial relação com a cidade é “Canto da Jandaia (elegia ao parque do Cocó)”, que narra a ocupação do Parque Ecológico do Cocó, episódio que durou 80 dias e ainda pauta discussões ecológicas e de mobilidade urbana e na Capital.
A inspiração para a letra veio do confronto entre policiais e manifestantes que ocorreu justo em dia em que os músicos visitaram a ocupação. “Além de narrar um episódio específico, tenta fazer referência à luta ecológica do Ceará, por isso o título O Canto da Jandaia, que seria de onde viria, em tupi, o nome do nosso Estado”, explica Torquato.
“É interessante observar que destes conflitos surgem discussões políticas do álbum”, continua o guitarrista. “No fim das contas, o álbum acaba por ser, na minha interpretação, uma viagem pela metrópole, litoral e interior, e ao longo dessa viagem são narradas histórias que o constroem”.
Saiba mais
Em 2017, Forria foi eleita Melhor Banda pelo júri oficial no 17º Festival do Audiovisual Universitário – Noia. A banda também tem passagem em festivais importantes como Maloca Dragão, Festival Popular de Teatro de Fortaleza, Fórum Nordestino de Bicicleta e até na Bienal Internacional de Dança do Ceará.
Serviço –
Toró – com a banda Forria, Daniel Groove e Os Imperdoáveis
Sábado, 28, a partir das 19h
Casa Ruína
Rua dos Tabajaras, 502 – Praia de Iracema
Ingressos: R$ 10
Spotify: https://spoti.fi/2mcvmVy
