No dicionário formal, “Nó” significa: “entrelaçamento de um ou dois fios, linhas, cordões etc., cujas extremidades passam uma pela outra, apertando-se”. Essa palavra tão curta e tônica, que denota amarração e união entre partes que em dado momento tornam-se uma coisa só, dá sentido e nome ao recente espetáculo conduzido por Edivaldo Batista, Flávia Cavalcante e Marina Brizeno. “Nó” entra em cartaz no Teatro do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura durante o mês de julho, trazendo o resultado da pesquisa que investigou as referências corporais, ritualísticas e mitológicas encontradas nas manifestações de culto das Umbandas e de um certo sincretismo (santo, orixá, caboclos). Foto: Tim Oliveira
Na obra, a plateia encontrará um roteiro cênico que parte dos elementos ritualísticos presentes nessas religiões, como o altar, a comida, a bebida, a vela, a relação física, e os pontos entoados. “Esses elementos que o público verá, estão ali ligados ao ritual, mas é importante esclarecer que é teatro, fruto de um processo de pesquisa. Não há transe ou incorporação, trata-se de uma encenação. A gente não entra no rito religioso, a gente entra no rito cênico”, ressalta Edivaldo Batista. O interesse inicial nos mitos dos Orixás – na perspectiva da literatura, a princípio, despertou a ideia de um lugar proporciona um processo criativo, a criação de uma dramaturgia, o treinamento de um ator, devido a sua complexidade.
Além da riqueza artística no tema, a produção independente também assume a importância da discussão sobre intolerância religiosa, ao cenicamente desconstruir o arquétipo desses lugares como “demonizados”. Com isso, o trio de atores acredita fortalecer uma prática de permanência religiosa que guarda saberes ancestrais e que preservam elementos fundantes da cultura brasileira.
Sinopse
”Nó” é um mergulho poético, cênico e experiencial nas manifestações ritualísticas de matrizes afro-brasileiras, tendo como enfoque elementos de rito ligados a Umbanda e a Macumba, matrizes religiosas que constituem uma parte da memória cultural do país.
Flávia Cavalcante, Marina Brizeno e Edivaldo Batista constroem um enredo cênico que tem como pontos de partidas: A festa, O rito e o Mito, como bases para a construção de um terreiro-Cênico. O trabalho estabelece uma conversa com uma corporeidade oriunda de corpos em estado de festa/transe que se observa nos lugares de ritos: Pretos Velhos, Exus, Cabocla.
Serviço
Nó
Quartas de julho – Dias 10, 17, 24 e 31 de julho
Teatro Dragão do Mar
Às 19h
Ingressos: R$20 (inteira) | R$10 (meia)
Capacidade: 80 lugares (plateia em cima do palco)
Classificação: 16 anos
