“Chega desse negócio das pessoas assistirem a uma peça e simplesmente ir comer pizza depois”, disse certa vez Antunes Filho. Autor de um teatro que versa sobre o ser humano e as angústias vividas pela humanidade, feito para refletir e transformar, o diretor teatral faleceu em 2 de maio de 2019, aos 89 anos, dos quais mais de 60 foram integralmente dedicados à artes cênicas. Agora, parte do seu legado à frente do CPT – Centro de Pesquisa Teatral do Sesc, grupo fundado em 1982 e voltado à criação e ao desenvolvimento de um método próprio de interpretação para o ator, é reverberada em uma mostra que o Sesc São Paulo disponibiliza por streaming, em sua recém-lançada plataforma de acervos Sesc Digital (sescsp.org.br/sescdigital). Foto: Renan Abreu
“Ao homenagear Antunes Filho, convidamos o público a entrar em seu universo de criações, experimentações e parcerias, onde a verve do fazer teatral anuncia a potência da arte como força transformadora, capaz de inspirar a formação de artistas, de públicos e de cidadãos. Que seu legado se mantenha instigante e inquietante, como Antunes Filho sempre foi”, conta Danilo Santos de Miranda, diretor do Sesc em São Paulo.
Na programação da mostra estão espetáculos na íntegra, dentre os quais Foi Carmen, Lamartine Babo e Policarpo Quaresma, além de trechos de outras peças e uma série de depoimentos inéditos de atores, atrizes e personalidades que acompanharam a trajetória do encenador. Os conteúdos podem ser acessados livremente, de forma gratuita e sem a necessidade de cadastro. Seguirão disponíveis para consulta após a homenagem, com a constante incorporação de novos itens do acervo do Sesc.
Um dos mais prestigiados encenadores no panorama internacional, Antunes Filho (1929-2019) criou espetáculos que veiculam todo um pensamento sobre o teatro contemporâneo e refletem uma metodologia que envolve os intérpretes no estudo da estética, da filosofia, das fontes teóricas e dos documentos históricos associados ao tema encenado. Uma das primeiras experiências profissionais de Antunes ocorreu nos anos 1950, como assistente de direção no TBC (Teatro Brasileiro de Comédia), onde conviveu com encenadores estrangeiros e de onde divergiu para integrar a primeira geração de encenadores brasileiros. Nas décadas seguintes, participou de movimentos de renovação teatral até estabelecer um grande marco das artes cênicas nacionais com a montagem de Macunaíma, nos anos 1980. Sua intensa contribuição para o desenvolvimento do teatro brasileiro se fortaleceu com a instituição do CPT – Centro de Pesquisa Teatral do Sesc, em 1982, que dirigiu e coordenou até seu falecimento, em 2019.
