Em um mundo cada vez mais encolhido pela tecnologia é difícil um grande artista demorar a ser descoberto por todos. Isabela Moraes, porém, é exceção a várias regras e lança seu novo disco “Estamos Vivos”. Já disponível em todos os aplicativos de música, o álbum chegará em breve também em CD e trata-se do primeiro lançamento em escala nacional da cantora e compositora. Foto: Divulgação
“Estamos Vivos” é único e traz de tudo um pouco: timbres brasileiros, guitarras com distorção, virtuosos violões, um pouco de folk, violoncelo e sintetizadores. O material foi inteiramente escrito por Isabela Moraes, que contou com um time à sua altura para que o instrumental fizesse jus aos vocais. Para isso, Rafael Ramos coassina a produção do trabalho ao lado de Juliano Holanda. Antonio Adolfo, responsável por clássicos como “Sá Marina” e “BR-3” ao lado de Tibério Gaspar, toca piano com a mesma criatividade que construiu-lhe reputação e Marcelo Jeneci assume uma bem executada função de tocar sintetizadores, acordeon e piano elétrico, contribuindo também com vocais que domina tão bem. Rapha B (bateria), Rogê Victor (baixo), Gilú Amaral (percussão), Lui Coimbra (violoncelo) e Holanda (guitarra e violão) completam a lista de instrumentistas.
As 11 músicas do repertório têm força do começo ao fim. Para tanto, Isabela e seu time valeram-se de uma sinestesia que conecta versos, imagens, timbres e acordes. Isso pode ser notado, por exemplo, em “Quem Disse”, cujo “arranjo surge forte da guitarra, do piano, do baixo e da bateria como que repetindo, batendo numa tecla, o grito de protesto que descreve a letra da canção”. Já “Pra Nos Perdoar”, que fecha o disco, traz um “baixo inicial, preludiando todo esse apelo ao amor que vem a seguir e é a personalidade que rege essa canção. O violoncelo entra com uma elegância dando um tom de beleza a toda dor cantada pela letra, pela guitarra e pela bateria”, explica a artista.
Prestes a completar seus 40 anos, Isabela acumula mais de três décadas dedicadas à música, tendo a oportunidade de desenvolver, nesse tempo, sua técnica e sensibilidade autoral e chegar com tudo. A pernambucana de Caruaru já lançou dois álbuns regionalmente mas sua crescente notoriedade levou-a à Deck para um debut de longo alcance. Antes disso, a cantora e compositora já havia sido elogiada publicamente por Alceu Valença e teve canções gravadas por nomes como Almério — pernambucano que interpretou músicas de Isabela em diferentes álbuns e já se apresentou no Rock In Rio ao lado de Johnny Hooker e Liniker — e Mariana Aydar. “Nesses anos ficava agoniada dela não ter um disco pra todo mundo sentir o que eu sentia vendo e ouvindo ela cantar. Esse tempo de espera acabou! Belinha é vida, Belinha canta as dores do sertão mais profundo — dores de todo mundo — e alegra com seus ‘rasta’ pés e nos faz pensar. É uma compositora-camaleoa, mas sempre com sua própria pele — pele fina que deixa a gente entrar e desfrutar”, comentou a parceria artística e amiga Mariana.
Sem medo de arriscar e seguir sua intuição, Isabela Moraes optou por não alterar seu cronograma por conta da pandemia de Covid-19. Desse modo, ela já lançou os singles “Ao Redor do Sol” e “Tempo de Esperas” — o último com direito a um criativo clipe gravado em quarentena. Num momento delicado onde a arte vem sendo importante ferramenta de elevação da moral e ânimo,
