“Eu sou o início do mal, pedaço do Pai, o vazo ruim” esse é o trecho da primeira música, que também dá título ao novo disco do cantor e compositor Zéis, Caim. O artista cearense mergulha no fim para falar de um novo começo em seu terceiro álbum solo, que apresentará nesta quinta-feira, 04, a partir das 21h, em live no seu canal do YouTube. Neste trabalho, que teve lançamento em abril, Zéis explora sua versatilidade enquanto instrumentista, em momentos intimistas e apostando no rock e na música folk como gêneros musicais. Foto: Freddy Costa
Como o título sugere, o disco tem inspiração na parábola bíblica, a partir da qual Zéis buscou refletir sobre o conceito da morte como fim e possível recomeço em outro plano. Além disso, “soube que o Saramago também tinha um livro com o mesmo título e decidi ler. Daí, trouxe algumas referências para o meu trabalho”, revela o artista. “No livro, Caim viaja por diferentes lugares e temporalidades, então se depara com vários eventos da história da humanidade e vai questionando o papel que Deus exerce nesses eventos. Dessa ideia de viagem no tempo pensei que eu poderia fazer uma viagem por ritmos, musicalidades que queria reconstruir, trazer de novo. Trouxe então o rock que eu tinha ouvido muito na adolescência e que já não produzia mais nessa estética. Fiz, então, a minha viagem no tempo, nas minhas referências”.
As 11 faixas do álbum trazem questões sobre ruptura e enfrentamento, principalmente em “Caim”, “Verborreia Genial” e “Na Contramão”. Há também um forte teor espiritual nas canções “Mederi”, “A Balsa” e “O que nos mata”. A nostalgia se apresenta como tema de “Tudo que não presta mais” e na melancólica faixa instrumental “Na sua ausência”. Mas, certamente, o fim é a temática mais presente no disco, sendo explorada em “Pra curar”, “Aquela que te fez mudar”, que tratam sobre término de relacionamento, e “Em vão”.
“As músicas do disco, de modo geral, tratam do fim, mas trago três dimensões dessa questão: uma dimensão pessoal, que envolve as relações amorosas ou não, as relações interpessoais. Trago uma dimensão do mundo, por uma perspectiva social. E trago a dimensão de um outro plano, um plano espiritual, a partir da qual falo da morte, da figura de Deus. Enfim, todas essas dimensões discutidas a partir dessa ideia do fim, que na parábola de Caim é representada pela morte”, explica Zéis.
O disco foi gravado entre novembro de 2018 e julho de 2019, em home studio usando equipamentos do próprio artista, com exceção das baterias, que foram gravadas no Comu Studio. Além da produção musical, Zéis assina também todas as composições do disco. Artur Guidugli é co-produtor e também responsável pela captação e edição de áudio. “Foi um trabalho que trouxe muito aprendizado, porque foi o primeiro projeto em que eu e o Artur gravamos todo o processo, desde a captação dos instrumentos, edição, posicionamento dos microfones, enfim, fizemos tudo”, detalha. “Foi o primeiro disco que eu realmente tive liberdade para decidir como seria, que fiz a produção musical, que fiz as escolhas tanto nas criações dos arranjos, como no processo de gravação e no diálogo com a mixagem”.
Além de Zéis tocando guitarra, gaita, banjo, piano, baixo e violão, e de Artur Guidugli tocando bateria, percussão, sintetizadores e piano, o álbum conta com a presença de Tiego Martin, tocando guitarra. Titi, do Comu Studio, é responsável pela mixagem e masterização. O trabalho conta ainda com o projeto gráfico da artista visual Renata Froan.
