Nesta quinta-feira (30), continua para um público em número limitado, a apresentação da obra “Ning”, uma prévia do projeto “Resumo da Ópera: da arquitetura de uma nação à invenção de um outro Guarani”, criado pelos grupos No Barraco da Constância tem! e Teatro Máquina. Foto: Divulgação
O Theatro José de Alencar, que foi cenário e ao mesmo tempo “personagem” desse trabalho, abre o foyer e a sala Nadir Papi Saboya para uma plateia de até 15 pessoas em cada uma das oito sessões que serão realizadas (4 por dia), nos horários de 14h30, 16h30, 18h30 e 20h30.
Os ingressos gratuitos que estavam disponíveis na plataforma Sympla já esgotaram. Quem conseguiu garantir, deve apresentar o comprovante pelo celular ou de preferência já impresso na entrada. O local seguirá todos os protocolos de segurança recomendados em decorrência da pandemia da Covid-19, como, distanciamento social, disponibilidade de álcool gel e está expressamente proibida a entrada de pessoas sem máscara.
O projeto, com direção de Honório Félix (No barraco da Constância tem!), conta com uma equipe de 32 profissionais envolvendo linguagens artísticas como literatura, teatro, música, audiovisual, artes visuais, além de pesquisadores das áreas de história, arquitetura e antropologia. O “Resumo da Ópera” é apoiado pela Secretaria Estadual da Cultura, através do Fundo Estadual de Cultura, com recursos da Lei Federal nº 14.017, de 29 de junho de 2020 – Lei Aldir Blanc
Na contramão de uma provável homenagem, o trabalho livremente inspirado no “O Guarani” – romance de José de Alencar – e “II Guarany” – ópera de Carlos Gomes, instiga a crítica e busca desmontar a ideia de simbolismo nacional propagada, a exemplo dessa criação operística, que completou 150 anos em 2020. Marcando a fase indianista no romantismo brasileiro e projetando os primeiros passos rumo à invenção do que seria a identidade nacional do povo brasileiro, obras como essa são, ainda hoje, símbolos que se perpetuam no nosso imaginário, com forte apelo e identificação popular.
Para essa releitura, os grupos traçam uma linha paralela com o gênero de ficção científica de produções cinematográficas, explorando principalmente as estratégias simbólicas das potências mundiais para a romantização de suas colônias e explorações espaciais. Outras fontes de investigação foram obras do gênero space-opera, clássicos filmes de guerra e a construção dos seus heróis, a conquista-invasão de territórios, o apagamento da diversidade de povos em nome de um projeto único de nação e, principalmente, as ferramentas sócioculturais (Artes e Comunicação, dentre outras) utilizadas e financiadas para a difusão em massa de todas essas práticas.
Como se cria uma identidade? Quem financia? A quem serve? São algumas perguntas que orientam o projeto e que buscam despertar no público uma atualização do pensamento sobre a arquitetura da identidade nacional a partir da chegada dos europeus em terras indígenas, hoje Brasil.
Serviço
Resumo da Ópera: da arquitetura de uma nação à invenção de um outro Guarani
Realização: No Barraco da Constância tem! e Teatro Máquina
Direção: Honório Félix
Dias: 29 e 30 de Setembro
Local: Foyer – Theatro José de Alencar
Rua Liberato Barroso, 525 – Centro
Horários: 14h30, 16h30, 18h30 e 20h30
