Muito antes da popularização da telefonia móvel, os orelhões reinavam absolutos para resolver o problema de quem estava fora de casa ou não possuíam o telefone fixo, caos precisasse fazer alguma chamada. Hoje, encontrar os orelhões nas ruas são verdadeiras raridades.
Criado em 1971 pela arquiteta e design sino-brasileira Chu Ming Silveira (Xangai, 1941 – São Paulo, 1997), o orelhão, símbolo das ruas brasileiras, está completando 50 anos. Como homenagem a estes objetos de design e vendo seu desaparecimento das ruas, o artista austríaco radicado no Brasil, Martin Ogolter realizou uma intervenção artística nos orelhões de Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro. O resultado está no livro “12 conversas e uma festa”, que será lançado no dia 14 de outubro, às 19h, no Alalaô Kiosk, no Arpoador. Com 44 páginas, capa dura, a bem-cuidada edição terá tiragem limitada de apenas 100 exemplares. Foto: Divulgação
“Estes objetos são um perfeito exemplo de design moderno e foram extremamente úteis, mas hoje são quase somente esculturas na paisagem da cidade. Restam poucos pelas ruas”, conta o artista.
Para realizar a intervenção, Martin Ogolter usou lycra colorida, material que é usado na fabricação de biquínis, outro símbolo brasileiro, cobrindo a parte da frente, onde está o telefone, com o tecido em diversas cores, criando verdadeiras obras de arte nas ruas da cidade. Os trabalhos lembram o movimento artístico abstrato chamado “colorfield painting” (campos de cor). Surgido na década de 1950, em Nova York, é caracterizado por grandes áreas coloridas com uma única cor sólida, espalhada pela tela, originando pinturas planas, sem qualquer tipo de profundidade. A intervenção nos orelhões se assemelha a essas pinturas, de forma tridimensional.
No livro, a ideia do artista é que o leitor sinta como se estivesse fazendo um passeio pelas ruas do Rio de Janeiro. Desta forma, há muitas páginas em branco e doze registros das intervenções realizadas nos orelhões com lycra e uma com uma cortina de fita metalizada. “É quase como uma caminhada, de vez em quando aparece um destes orelhões, mas já não mais como objeto útil, mas como algo efêmero, assim como as fotografias”, afirma Martin Ogolter.
O trabalho é uma continuação da pesquisa de Martin Ogolter sobre o Rio de Janeiro. Nesta série, ele pôde incluir vários aspectos de sua pesquisa como artista visual, incluindo a fotografia e a mudança de tecnologia. Ele destaca também o lado afetivo do objeto, por parte das pessoas que o utilizaram no passado. Ao cobri-los com lycra, além de transforma-los em um objeto de arte, o artista chama a atenção para outro aspecto: a construção do nosso País através do desejo. O trabalho também discute questões como o espaço privado no meio de um espaço público, a onipresença do telefone celular, além da criação de um espaço de cor em meio à sujeira e ao tumulto urbano.
Serviço
Livro 12 conversas e uma festa, de Martin Ogolter
Lançamento: 14 de outubro, às 19h
Alalaô Kiosk
Av. Francisco Bhering, 2 – Ipanema, Rio de Janeiro – RJ
44 páginas, capa dura
Preço: R$90
