A atriz Clara Santhana, depois de viver Clara Nunes nos palcos, joga luz sobre Marias revolucionárias. Após apresentações no Sesc Tijuca e no Petragold, musical, sucesso de público e crítica, poderá ser assistido até 28 de agosto no Teatro Glaucio Gill.
Maria é, segundo a mitologia semita, a mulher escolhida por Deus para gerar e criar seu filho, Jesus. Maria é, certamente por isso, um nome popular no mundo e, em especial, no Brasil. Muitas são as Marias que lutaram (e lutam) por fazer valer seus direitos neste país tão desigual. A atriz e cantora Clara Santhana olha para essas mulheres em seu novo espetáculo. Conhecida por personificar Clara Nunes no musical “Deixa Clarear”, que, ao longo de 9 anos, foi visto por mais de 500 mil espectadores, ela evoca agora sete mulheres. São elas figuras históricas como Maria Bonita e Maria Felipa de Oliveira (que lutou na Conjuração Baiana, em 1798) e Marias que tornaram-se divindades em cultos de origem brasileira e matriz africana, como as Marias Molambo, Navalha, Quitéria e a mais conhecida delas, Maria Padilha – amante de um monarca no antigo reino de Castela. No musical, elas têm suas vidas e lutas contadas e cantadas. Patrícia Selonk, uma das mais respeitadas atrizes da sua geração, faz com a montagem sua estreia como diretora. A dramaturgia é assinada por Marcia Zanelatto, com quem Clara volta a trabalhar, e a direção musical é de Claudia Elizeu. O Teatro Glaucio Gill é um espaço da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa\FUNARJ.
As histórias de vidas dessas Marias sustentam a narrativa que, por sua vez, resulta da costura entre textos falados e cantados. Alguns deles são célebres como “Olha, Maria”, música de Tom Jobim letrada por Vinicius de Moraes e Chico Buarque, e “Saias e cor”, parceria de Ana Costa e Zélia Duncan. Essas canções misturam-se a ladainhas e a pontos e louvores às entidades religiosas, como “Arreda homem” e “Pra ser rainha”, ambos de domínio público. Um dos temas é a inédita “Brinca, Maria”, composta pelo professor Luiz Antônio Simas, um dos mais respeitados estudiosos do samba e da africanidade no país.
Não é somente em cena que as mulheres se fazem presentes. Para este projeto, Clara Santhana fez questão de que a equipe técnica fosse não unicamente, mas majoritariamente feminina. Daí a retomada da parceria com Marcia Zanelatto, autora de “Deixa Clarear”, a aproximação com a diretora musical Claudia Elizeu, o convite à atriz Patrícia Selonk, que estreia como diretora e com quem Clara trabalha pela primeira vez, e a presença da diretora de movimento Cátia Costa, nome de suma importância na gênese do espetáculo. “Como as mulheres retratadas no espetáculo lutaram por seus direitos e, algumas, foram vítimas de feminicídio, quis ter cabeças femininas auxiliando na concepção e no resultado deste trabalho”, justifica Clara.
A parceria com Selonk coroa uma admiração que remonta ao ano de 2005, quando Clara mudou-se para o Rio de Janeiro para, aos 17 anos, ingressar na Uni-Rio, onde cursou teatro. Desde então, não perdeu uma montagem da Armazém Companhia de Teatro, grupo do qual Selonk é integrante. Uma imagem que ficou na memória da jovem Clara é a da Geni, vivida pela atriz em “Toda nudez será castigada”. “A Patricia é uma referência como atriz. Ela se transmuta a cada montagem e isso é algo que acho incrível no trabalho de um ator. Ela, por ser uma atriz de companhia, acaba por fazer um pouco de tudo e isso faz dela múltipla”, explica Clara, que chama atenção para outra característica, a da cumplicidade: “Justo por ela ser atriz, ela tem um olhar interno de ver por onde vai passar o caminho do ator. Ainda mais no caso desse espetáculo, que é um solo”.
Serviço
Temporada: 05 a 28 de agosto, de sexta a domingo
Horário: 20h
No dia 28, último dia da temporada, a sessão será às 11h com audiodescrição
Local: Teatro Glaucio Gill (Praça Cardeal Arcoverde, s\nº, Copacabana, próximo ao metrô. Tel: 2332-7904)
Ingressos: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia)
Vendas antecipadas: http://funarj.eleventickets.com/
Classificação indicativa: 12 anos
Duração: 60m
Lotação: 150 lugares
