Maria Bethânia acaba de bater mais um recorde em seus 57 anos de carreira: o filme “Maria — Ninguém sabe quem sou eu”, lançado em 1º de setembro em homenagem à artista, chegou a 20 mil espectadores. Número surpreendente num momento em que o cinema – especialmente os filmes nacionais – tem tanta dificuldade para reagir aos efeitos da pandemia e ao fortalecimento do streaming. O cinema também foi um dos setores mais afetados pela antipolítica cultural do governo Bolsonaro. Por isso, chama a atenção a carreira de “Ninguém sabe quem sou”: de 2019 pra cá foram lançados 150 documentários nacionais e o filme sobre Bethânia é o mais assistido entre todos eles.
Com direção e roteiro do jornalista Carlos Jardim, o filme reúne imagens raras de ensaios e shows de Bethânia costurando um depoimento inédito da cantora, gravado no palco do Teatro Copacabana Palace, no Rio de Janeiro. A atriz Fernanda Montenegro faz uma participação especial, narrando textos de Caio Fernando Abreu, Ferreira Gullar, Nelson Motta, Fauzi Arap e Reynaldo Jardim.
Depois de 13 semanas em cartaz nos cinemas — esse também um número marcante e raro entre documentários nacionais –, o filme vai ser exibido neste sábado, dia 3 de dezembro na praça da Purificação, em Santo Amaro da Purificação (BA), cidade natal de Bethânia, com apoio da agência de turismo local Sou de Santinho. A exibição gratuita vai contar com a presença do diretor Carlos Jardim, de amigos e parentes da artista, e é uma homenagem à nova imortal da Bahia: Bethânia foi eleita para a Academia de Letras da Bahia, onde vai ocupar a cadeira 18, que foi do historiador e ensaísta Waldir Oliveira, que morreu em junho do ano passado, aos 92 anos. A posse da nova acadêmica seria no começo de dezembro, mas foi adiada por conta da nova alta de casos da Covid no país. A exibição do filme na cidade de Bethânia é uma homenagem a uma artista que sempre valorizou a literatura. O documentário “Maria — Ninguém sabe quem sou eu” dedica grande espaço à ligação de Bethânia com a literatura. Ela é uma cantora que sempre deu muito valor às palavras e aos escritores — diz o diretor Carlos Jardim. “É muito importante a contribuição de Bethânia para a formação de novos leitores no país. Por exemplo: muitos brasileiros, como eu, conheceram e passaram a amar o poeta Fernando Pessoa por causa da presença dos textos do poeta português em seus shows e discos desde o começo dos anos 1970”, completa.
