A nova temporada de As Cores do Som, do Itaú Cultural Play, plataforma de streaming gratuita do cinema brasileiro, traz como foco a música brasileira, seus intérpretes e momentos históricos. Passando pela bossa-nova, tropicália, forró, arrocha, funk, samba e batuque, os nove documentários leva o espectador a perpassar as expressões culturais genuínas do Brasil e suas diferentes regiões, por meio de instrumentos, letras e ritmos. As produções serão exibidas a partir desta sexta-feira, 27 de fevereiro. Uma playlist inspirada na mostra, com 27 músicas, está disponível no perfil do Spotify do Itaú Cultural.
O acesso à Itaú Cultural Play é gratuito, disponível em itauculturalplay.com.br, nas smart TVs da Samsung, LG, Android TV e Apple TV, nos aplicativos para dispositivos móveis (Android e iOS) e Chromecast. Você também pode encontrar conteúdo da IC Play nas plataformas Claro TV+, SKY+ e Watch Brasil.
Os filmes
A batalha do passinho (Rio de Janeiro, 2013), de Emílio Domingos, registra o momento em que os passinhos de funk se fortalecem como força cultural das periferias cariocas. Ao acompanhar jovens dançarinos em suas disputas, o filme investiga como a dança se torna linguagem de afirmação, pertencimento e enfrentamento ao preconceito. Em outra ponta, Concerto de quintal (Rondônia, 2025) revisita a memória musical de Porto Velho (RO) e costura a trajetória de artistas locais. Dirigido por Juraci Júnior, o filme reflete sobre herança, identidade e transmissão cultural.
O caráter real do documentário é atravessado pela ficção na comédia musical Corações a mil (Rio de Janeiro, 1983), de Jom Tob Azulay. O filme acompanha uma turnê de Gilberto Gil na qual um pesquisador acadêmico atrapalhado e interessado pela comunicação de massa na música brasileira se apaixona por uma fã do cantor. O elenco é composto por Regina Casé, Joel Barcellos, Caetano Veloso, Paulo César Pereio, além do próprio Gil. A história do forró entra em destaque em Dominguinhos (São Paulo, 2014), dirigido por Joaquim Castro, Eduardo Nazarian e Mariana Aydar. Construído a partir da palavra do próprio artista, o filme recompõe a trajetória do sanfoneiro por meio de imagens de arquivo e encontros musicais, abordando suas parcerias, influências e o papel central do músico na consolidação do forró no cenário nacional.
Em Dorival Caymmi – Um homem de afetos (São Paulo, 2020), Daniela Broitman organiza um retrato íntimo do compositor baiano, articulando a relação dele com a religiosidade, o amor e o mar que influenciaram e marcaram diretamente a sua obra. Eleito Melhor filme pelo Júri Popular no In-Edit Brasil, o documentário reúne farto material de arquivo, depoimentos do próprio Caymmi, e contribuições de Caetano Veloso, Gilberto Gil e a filha Nana Caymmi.
Paulinho da Viola dá voz ao curta-metragem Partido alto (Rio de Janeiro, 1982), de Leon Hirszman. O filme lança um olhar sensível sobre a história e tradição do samba de improviso, originário da batucada baiana, e conta com a presença de Wilson Moreira, Argemiro da Portela e outras figuras da música brasileira. Em Poesia azeviche (Bahia, 2018), Ailton Pinheiro recupera a história dos blocos afro de Salvador e sua contribuição para a afirmação da identidade negra. O curta-metragem combina relatos e imagens de arquivo para destacar a potência estética e política dessas agremiações na música popular brasileira.
Com foco no interior sergipano, Mexeu comigo (Sergipe, 2024), investiga o universo do arrocha a partir de seus intérpretes e compositores. O curta-metragem dirigido por Danilo Rodrigues, J. Hiago Oliveira e Sara Maylyne analisa a sofrência inerente às composições ao conversar com os artistas, além de observar seus modos de produção e a circulação das músicas fora dos grandes centros da indústria. O som da pele (Pernambuco, 2024), dirigido por Marcos Santos, acompanha a atuação de um educador que conduz um grupo musical formado por pessoas surdas. Ao explorar metodologias táteis e a centralidade do corpo na criação, o filme questiona noções convencionais de escuta e reforça a arte como ferramenta de inclusão.
