A cena de música eletrônica produzida no Ceará pode ganhar reconhecimento institucional e mais apoio do poder público. A deputada estadual Larissa Gaspar (PT) apresentou, na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), dois projetos voltados ao fortalecimento do setor cultural: o Projeto de Lei nº 144/2026, que estabelece medidas de incentivo à cena da música eletrônica no estado, e o Projeto de Lei nº 143/2026, que institui o Dia Estadual da Música Eletrônica, a ser celebrado anualmente no último domingo de setembro. (Foto: Divulgação).
A iniciativa atende a uma demanda de artistas, produtores e coletivos que movimentam a economia criativa e o turismo cultural no Ceará por meio de festas, festivais e eventos. Apesar da relevância cultural e econômica, a cena ainda enfrenta entraves legais, preconceitos e dificuldades para obtenção de licenças e autorizações para a realização de eventos.
Com a aprovação das propostas, a expectativa é ampliar o reconhecimento da música eletrônica como expressão cultural legítima, além de estimular políticas públicas de incentivo, formação e valorização dos profissionais que atuam nesse segmento.
Fortaleza no mapa da música eletrônica
Ao longo das últimas décadas, diversos artistas e produtores contribuíram para consolidar Fortaleza como um polo relevante da música eletrônica no Brasil. Entre eles está o DJ e produtor Rodrigo Lobbão, fundador do coletivo Undergroove, que ajudou a projetar a cidade no cenário nacional e internacional.
Em entrevista ao portal Colors DJ, Lobbão relembra momentos marcantes dessa trajetória: “Tivemos vários momentos. Nos anos 2000, eventos como o Ceará Music e o FW Electronics colocaram a cidade no radar dos grandes festivais. Houve edições com nomes como Marco Carola, Adam Beyer e Valentino Kanzyani. Hoje vemos novamente grandes produtoras investindo em megaeventos e empresários apostando em clubs voltados ao underground. A cena segue em movimento.”
Pioneiros da cena
A história da música eletrônica em Fortaleza reúne diferentes gerações de artistas e produtores. Entre os pioneiros, nos anos 1980, destacam-se DJs como Fran Viana, Zozó Amaral e Silvio de Paula.
Em 1995, aconteceu a primeira House Party Fortaleza, no Pirata Bar. O evento contou com o apoio do então presidente da Fundação Cultural de Fortaleza, Claudio Pereira, reuniu nomes como DJ Loic (França), Rene van Kuijk (Holanda), o solo de dança “We are Ugly But We Have the Music” de Linhares Junior e a companhia de dança Pano de Boca.
Um dos pioneiros da música eletrônica no Nordeste, o Disco
Voador foi fundado em Fortaleza em 1997 pelo cearense Linhares Junior e o holandês DJ Pullsanti (foto). Com uma trajetória que se estendeu por 15 anos, sendo produzido integralmente em Amsterdam e celebrado em solo
fortalezense, o Disco Voador é um emblema inigualável nos eventos de
música eletrônica no Ceará. Após um hiato, o projeto fez um aguardado
retorno em 2022 com a festa Burning Cumbuco e segue promovendo festas.
Nos anos seguintes, nomes como Guga de Castro, Fil e o próprio Rodrigo Lobbão deram continuidade ao movimento.
Espaços e festas também tiveram papel fundamental na consolidação da cena, como as casas noturnas Disco Voador e Cidadão do Mundo, além da festa Farra na Casa Alheia.
Atualmente, uma nova geração mantém a cena viva e em constante renovação, com coletivos e festas como Tubulosa, Voyage, EDEN e Bateu Pode Comemorar, Burning, Festa do Fim do Mundo, que seguem movimentando a cena underground cearense.
