Nesta sexta-feira, 27, morreu Walter Silva, o Picapau a poucos dias de completar 76 anos de idade, cardiopata e portador de insuficiência cardíaca e renal, o jornalista, radialista, produtor musical e um dos grandes fomentadores da bossa nova não suportou um “choque séptico em função de abcesso pulmonar”, segundo publicou neste sábado o jornal Folha de S. Paulo.
Em 1970, quando dirigia a gravadora Continental, Walter Silva lançou o Pessoal do Ceará, Célia, Walter Franco e Secos & Molhados.
Disco do Pessoal do Ceará lançado por Walter Silva.
Moldou o programa Mixturação (1973), com Walter Franco, Pessoal do Ceará, Simone e Haréton Salvanini; dirigiu o Fantástico (1975), da Rede Globo; foi narrador de futebol, passou pela TV Bandeirantes em 1980 e tocou o programa Mambembe, que revelou Thomas Roth. Também colaborou com jornais impressos e editou em 2002 o livro Vou te contar – Histórias de música popular brasileira. Nos últimos três anos, colocou sua voz e patrimônio no semanal Acervo Walter Silva, levado ao ar pela Rádio Cultura AM.
Aliás, seu precioso acervo de gravações de shows, entrevistas e canções em 162 rolos de fitas e fotos foi adquirido pelo Instituto Moreira Salles em 2003. Segundo o site da entidade, o material ainda não está disponível para pesquisa.
Uma das jóias que guardou por muitos anos – e que tentou lançar em disco – foi o histórico show de dois de agosto de 1962 na boate carioca Au Bon Gourmet, que reuniu no mesmo palco Tom Jobim, Vinicius de Moraes, João Gilberto e o grupo Os Cariocas, além do baixista Otávio Bailey Jr. e do baterista Milton Banana. Foi nesta noite que as músicas “Garota de Ipanema”, “Samba do avião”, “Samba da benção”, “O astronauta” e “Só danço samba” foram apresentadas pela primeira vez.

