Uma idéia recorrente, a memória, uma música na vitrola, a imaginação. A impossibilidade de sair de um apartamento, o confinamento de uma existência sem perspectivas, o riso provocado pelo absurdo de uma situação inesperada. Duas mulheres, dois caminhos paralelos, uma solidão semelhante. A rivalidade entre irmãs, o duelo na disputa pelo mesmo homem. Inveja, insensatez, sonhos não realizados, amores indefinidos, sonhos frustrados, laços desfeitos, desilusões. Surgem Maria do Desterro e Maria Lúcia, religiosidade latente, esperança de dias melhores, confronto de sentimentos, embates corriqueiros, implicâncias típicas da convivência de mundos opostos, e a fé revelada em atos cotidianamente banais.
Pelos tons do imagético piano de Antônio José Forte, a inspiração soprou feito vento nas noites de maresia sutil e envolvente como a garimpar esteio para o material da dramaturgia cênica de Caio Quinderé. Nasce a tragicomédia E Eu Joguei Flores nas Minhas Memórias.
Do papel-abrigo de muitas filigranas sensoriais, redimensiona-se a emoção e as flores da memória ganham seu merecido lugar no cenário dos grandes espetáculos.
O espetáculo estreou no último dia 21 de agosto, no Teatro Sesc Emiliano Queiroz. A montagem sobe ao palco com direção dividida entre o próprio Caio e o também ator e diretor Ilclemar Nunes. Interpretando Desterro e Lúcia, Mazé Figueiredo e Aurora Miranda Leão. A bela trilha sonora leva a assinatura do próprio Caio, a partir da composição homônima de Antônio José Forte que dá título à peça, enquanto Luciano Morais responde pela produção, Lima Filho pelo cenário despojado e funcional, Marcelo Batista pela operação de luz, Alex na operação de som, e a jovem estilista Neiara Leão revela-se boa aposta do espetáculo. A peça tem patrocínio do Banco do Nordeste do Brasil através do programa Cultura da Gente.
A Dramaturgia
Em E Eu Joguei Flores nas Minhas Memórias, Caio Quinderé compõe com acuidade, riqueza no desenho da dualidade intrínseca à condição humana, e o vigor de quem conhece o ofício da redação dramatúrgica, um mosaico de emoções contraditórias e complementares, facilmente identificáveis por quem quer esteja na platéia. Com nuances interpretativas forjadas em sentimentos e imagens que perpassam o voraz cotidiano atual, onde a solidão das grandes cidades se agiganta à medida em que parecem cada vez mais escassos os encontros verdadeiros, a troca de afetos sincera, a generosidade e o interesse pelo outro, ganha destaque a criação de situações de impasse, condão para o ofício de grandes atrizes.
E Eu Joguei Flores Nas Minhas Memórias ganhou o Edital do programa Cultura da Gente do Banco do Nordeste do Brasil e o Prêmio de Teatro Mirian Muniz, conferido pelo Ministério do Cultura – MINC através da FUNARTE
Serviço
E Eu Joguei Flores nas Minhas Memórias
Texto: Caio Quinderé
Direção: Caio Quinderé e Ilclemar Nunes
Onde: Teatro Emiliano Queiroz
Temporada: 22,28 e 29 de agosto
Horário: 19h
Entrada franca
