Espetáculo discute as crises e questões
socioambientais no Teatro Dragão do Mar.
A partir deste sábado, 02, entra em cartaz a peça teatral “Orquídeas Vermelhas, Lobos-Guarás”, no Teatro Dragão do Mar, ficando disponível para o público durante todo o mês de julho, aos sábados e domingos, sempre às 17 horas. Inspirado no Clássico “Chapeuzinho Vermelho”, o espetáculo infanto-juvenil conta a história de três adolescentes – Caroline, Christiano e Charles – interpretados pelos atores Yasmin Élica, William Mendonça e Amenhotep Rodrigues, que ensaiam um texto para o tão aguardado festival escolar. A adaptação, que tem roteiro e direção de Júlio Maciel, incita reflexões, descobertas e relações com a realidade que cercam os personagens, como os conflitos, crises e questões socioambientais da atual realidade brasileira.
A história é ambientada na Floresta Amazônica e amparada nos arquétipos e mitos do conto infantil “Chapeuzinho Vermelho”, estabelecendo uma mera semelhança com os personagens contemporâneos. “O lobo não é o europeu, mas um solitário e frágil lobo brasileiro em extinção: o Guará. O Lenhador não salva a heroína, mas devasta a floresta e vende nossa fauna e flora para o estrangeiro. A Orquídea surge como símbolo de feminilidade e a luta por um mundo melhor”, explica o ator e produtor geral William Mendonça. Ele adianta que o encantamento, a magia e a esperança nunca foram tão necessários frente à escalada de violência que acua e transforma. “Precisamos resgatar o diálogo com a infância e contar-lhes mais uma vez um conto, porém em outro contexto, provocando os valores e despertando o questionamento”, diz Mendonça. Questões como as diferenças entre classes sociais, de cores, raça (brancos e índios), tradição e costumes também são discutidas no desenrolar da história.
Além da reflexão sobre as suas vidas e escolhas, os personagens passam a ter uma nova percepção do futuro, por meio da reflexão sobre a realidade que os cerca e a interação com o meio ambiente. “Orquídeas Vermelhas, Lobos-Guarás” mostra a realidade do Brasil por meio das discussões dos adolescentes representados na peça sobre as crises e questões políticas atuais, com um final surpreendente. “Queremos o diálogo com os adultos, além das crianças, e essa produção infanto-juvenil discute sobre a nossa atualidade política e social. Criamos para a trama uma lenda indígena fictícia para provocar reflexões e as mudanças nos destinos de cada personagem, que têm pontos de vista bem distintos” ressalta o diretor Júlio Maciel. Nesse sentido, ele cita um frase do escritor Hans Christian Andersen, autor da mais conhecida adaptação do conto “Chapeuzinho Vermelho”: “Agora procuro no meu íntimo uma idéia que sirva para os adultos e escrevo-a para que entendam as crianças, nunca esquecendo que o papai e a mamãe estão a ouvir”. O diálogo com o universo adolescente acontece por meio do uso de cenários virtuais, vídeos durante as apresentações, além da presença de ações entre os personagens que fazem parte do atual cotidiano.
Ligação com o meio ambiente
Em função de toda a biodiversidade apresentada na peça, ambientada na Floresta Amazônica, o chamado “pulmão do mundo” situado na Região Norte da América do Sul, que apresenta sérios problemas de biopirataria, queimadas, contaminação dos rios com mercúrio dos garimpos e desmatamento ilegal e predatório, há a utilização dos exemplos do lobo-guará, espécie de canídeo ameaçada de extinção, encontrada no Norte do país, e da orquídea, família de plantas predominantes nas áreas tropicais. Esses aspectos são levados ao público com o objetivo de impulsionar a consciência das pessoas com relação à sua interação com o meio ambiente. O lenhador representado pelo plano urbano, pelo empresário explorador, diferentemente ao conto infantil, surge na história de forma não tão heróica. É o personagem agressor da fauna e da flora, o conflito da trama. A peça faz várias críticas e referências a atitudes de desrespeito ao meio, como a utilização da energia de forma irresponsável, o contrabando de animais e a posse de terras ilegais. Como forma de tentar conscientizar o público e divulgar a peça e o debate inserido nela, serão distribuídos bottons com frases que incentivem a consciência ambiental e social. Além disso, todo o material informativo da peça, como folders e cartazes, contém informações de como reciclar papel e outros tipos de materiais que possam poluir o meio ambiente.
Serviço
Espetáculo “Orquídeas Vermelhas, Lobos-Guarás”
Local: Teatro Dragão do Mar (Rua Dragão do Mar, 81 – Praia de Iracema – Térreo).
Período: De 02 a 31 de julho de 2011 (aos sábados e domingos).
Horário: Às 17 horas.
Ingressos: R$ 14,00 (inteira) e R$ 7,00 (meia).
Mais informações: (85) 3488 8600 / 8608 (Dragão do Mar) e (85) 3252-3395 / 8854-3219 (ATO – Produção e Marketing Cultural).
