O espetáculo que estreou no primeiro final de semana de julho, segue em cartaz até o último domingo deste mês.
Com influências detectáveis da obra rodrigueana, o texto transita pelo inconsciente do homem, que ainda está permanentemente ligado ao passado. Seus personagens vivem uma realidade claustrofóbica onde suas ações são polarizadas e se mostram irônicas, moralistas e detratoras de sentimentos indefinidos.
Aurélia é uma mulher que vive um embate entre a religião e o instinto, e tenta a todo custo sustentar um casamento falido pela impercepção da convivência. Em contrapartida, Olavo, seu esposo, movido a paixão, comete uma loucura que levará as personagens à reinvenção delas mesmas.
Uma Noite Quase Vazia é um texto poético no tocante da palavra e traz consigo uma sonoridade lapiante e cortante.
“Uma Noite tem mistérios, ela constrói e reconstrói seus personagens. Eles são de carne e osso, mas o enredo envolve seus elementos e signos numa teia umbilical onde o diálogo, apesar de compreensivo, não traz soluções”, descreve o autor e diretor da peça, Antônio Marcelo, numa alusão à sua obra.
Diferente de outros seus textos, Uma Noite Quase vazia não apela para emoção, apesar de ela está presente. Segundo o autor, esse texto esmiúça o bom senso, recria os laços que ela mesma desfez e desfaz. Tudo isso dentro de um questionamento racional.
Aurélia e Olavo estão diante de uma separação iminente. Daí adiante os acontecimentos se sucedem e nada pode ser evitado. Os personagens, cada um deles têm seus motivos. Mas cabe a pergunta: Seria Aurélia, a protagonista, uma vilã?
O espetáculo é o 21º montado pelo grupo, sendo o 16º de sua autoria que é encenado, uma vez que o autor já apresentou espetáculos de outros escritores. A peça teve sua estréia no ano de 2010, ficou em cartaz no mês de julho, no Teatro Morro do Ouro, em Fortaleza. A montagem teve onze indicações ao Prêmio Balaio de Teatro de 2010, tendo vencido na categoria de melhor espetáculo.
O grupo, que este ano, comemora 15 anos de atividades no cenário teatral cearense, já apresentou os espetáculos “Sem Licença para Amar” (1997), “Victoria Capuleto”, (1998), O Beco, (1998/1999), “Eu Sou Antes, Eu Sou Quase, Eu Sou Nunca” (2000), “Na Minha Piscina de Azulejos Azuis, Nem Morta “(2002), “No Escurinho do Cinema” (2003) Amores Marginais (2006), dentre outros.
Além disso, nesta nova temporada, o espetáculo marca o reencontro do autor e diretor, Antônio Marcelo com atriz Kátia Camila como a protagonista Aurélia, a quem o diretor não poupa elogios.
A atriz dá vida a mais uma personagem marcante em sua carreira. Ela que já interpretou personagens de Ibsen, Nelson Rodrigues, August Strindberg, Maria Clara Machado, Eduardo Campos, Plínio Marcos, Mauro Rasi, entre outros.
“Kátia Camila é uma digna representante do Teatro Cearense, é um nome que faz brilhar qualquer montagem. Ela entrou em cena nos anos oitenta para não mais sair. Nos palcos, ela tem despertado a admiração de todos que têm o privilegio de vê-la atuar”, declara o autor e diretor da montagem teatral.
O diretor não saberia dizer qual o papel mais marcante da atriz. Mas destaca a sua atuação em Senhorita Júlia, do dramaturgo e romancista sueco August Strindberg, montada em 2002, pelo grupo de teatro Balaio.
“Tratando-se de Kátia Camila tudo é improvável. Ela sempre que reaparece se transforma, e se entrega ao oficio que sabe exercer com maestria”, ressalta o autor de “Uma Noite Quase Vazia”.
Serviço
Espetáculo “Uma Noite Quase Vazia”
Local: Teatro SESC Emiliano Queiroz
Av. Duque de Caxias, 1701 – Centro (em frente ao DNOCS)
Aos sábado e domingos
20 h.
Ingresso: R$ 10 e R$ 5
16 anos
Elenco: Kátia Camila, Carlos Wagner, Patrícia Bastos, Rommel Costa, Levi Adonai, Bibi Mesquita, Samuel Moura e Gláucia Alencar.
