Companhia apresenta criações para as obras
de Stravinsky estreiam no TJA. Foto: Isabela Figueiredo.
Um dos grupos brasileiros de maior circulação nacional e internacional, a companhia de dança contemporânea Ballet de Londrina, criada em 1993 pela Fundação Cultura Artística de Londrina (Funcart), apresenta dois espetáculos no Ceará. Aportando novamente no Theatro José de Alencar com “Petrouchka” e “A Sagração da Primavera”, obras de Igor Stravinsky, nesta quarta-feira, 03, e quinta-feira, 04, às 19h30. Ingresso: R$ 20,00 e 10,00.
Petrouchka
A Companhia Ballet de Londrina leva às últimas consequências em Petrouchka, concepção original do russo Igor Stravinsky (1882-1971) e coreografia de Michel Fokine (1880-1942), a enganosa teia da paixão não correspondida, alimentada pelo amor a si próprio.
No enredo, o amor pode parecer tão perfeito que é capaz de enganar aos que acreditam que, aonde existe amor existe vida. Ilusão. Desejos inconfessos, vaidade, ciúme e, por que não, a ruína habitam os corações. Desavisados são feridos mortalmente na busca insaciável amorosa.
O diretor da companhia londrinense, o coreógrafo Leonardo Ramos estendeu em sua interpretação da peça clássica para o contemporâneo, o trabalho que vem realizando desde Prazeres, consolidado na coreografia A Sagração da Primavera, obra também de Stravinsky.
Anualmente, em São Petersburgo, era organizada uma festa. Dançarinos, acrobatas e animais amestrados divertiam os moradores. No teatro improvisado, um mágico ou bruxo convida as pessoas para assistirem um espetáculo de fantoches.
Os bonecos eram tão perfeitos que se confundiam com pessoas de verdade. O público se encantava com os três principais: o Mouro, a Bailarina e Petrouchka, que em russo significa pierrô.
O balé de dois atos foi concentrado nos três principais personagens, o Mouro, a Bailarina e Petrouchka, que em russo significa pierrô. O trio percorre a trajetória humana vulnerável ao amor, a vaidade, o ciúme.
A Sagração da Primavera
A fragilidade se impõe sobre a vida, escrevendo histórias de grande delicadeza ou total crueldade. Em A Sagração da Primavera, espetáculo da Companhia Ballet de Londrina, direção do coreógrafo Leonardo Ramos, o imortal enredo arrebatado pela música do compositor Igor Stravinsky (1882-1971), apresenta esse e outros desígnios da condição humana. Uma releitura contemporânea de uma obra que inaugurou a vanguarda europeia.
Baseada em uma antiga lenda russa, a peça narra a imolação de uma virgem oferecida aos deuses da Primavera em troca da fertilidade da terra.
A Sagração da Primavera dá continuidade à pesquisa do coreógrafo Leonardo Ramos, que desde os espetáculos Decalque (2007), explora a horizontalidade e novos eixos de apoio e equilíbrio dos bailarinos. Característica que conquistou o status de linguagem própria da companhia londrinense.
O Ballet de Londrina apresenta uma versão não orquestral da música de Stravinsky, executada por quatro pianos, que assumem o papel de todos os instrumentos.
O que se vê no palco é um embate de forças em que a fragilidade da condição humana escreve a sua narrativa ora de grande delicadeza ou de total crueldade.
