Iniciado nesta sexta-feira na Caixa Cultural em Fortaleza, o concerto Elomar: Cancioneiro acontece também neste sábado, 06, e domingo, 07. Concebido a partir do trabalho de transcrição e publicação de partituras do compositor baiano Elomar Figueira Mello, o concerto conta com a participação do próprio Elomar, além dos músicos que atuaram na tarefa de transcrever suas obras.
O projeto de circulação patrocinado pela Caixa Cultural, o Concerto Elomar Cancioneiro conta com a participação do próprio Elomar, além dos músicos que atuaram na tarefa da escrita musical de suas obras, os violonistas Maurício Ribeiro, Hudson Lacerda, Avelar Júnior, Kristoff Silva e a cantora Letícia Bertelli que também assina pelo trabalho do Cancioneiro. Além destes, o grupo é composto pelo maestro João Omar, violonista e violoncelista que, além de outros trabalhos, vem atuando na produção operística, revisão, edição e regência de óperas de seu pai, Elomar Figueira Mello.
Elomar: cancioneiro foi concebido a partir do trabalho de transcrição e publicação de partituras do compositor baiano Elomar Figueira Mello. Este trabalho reúne a 49 obras do compositor, um caderno de letras e notas de edição, além de livro sobre o artista e seu universo sonoro, de autoria do jornalista João Paulo Cunha. Já tendo diversas gravações em discos, Elomar Figueira Mello tem se apresentado desde 1975 por todo o território nacional, ao menestrel, acompanhado por orquestras, quintetos, quartetos e outras formações sinfônicas e de câmera em várias cidades brasileiras.
Segundo o jornalista mineiro João Paulo Cunha, responsável pela compilação da obra do artista baiano, na obra de Elomar não se percebe um artista erudito que trabalha temas populares, muito menos um compositor popular que recheia suas inspirações com artifícios composicionais e poéticos da tradição culta. Seu trabalho tem uma natureza híbrida quanto aos qualitativos erudito e popular, conservando sempre um grau de elaboração, porém, sem perder a simplicidade que possibilita um diálogo direto com o público.
O artista: Nascido do casal Ernesto Santos Mello, e Eurides Gusmão Figueira Mello, na velha casa da Fazenda Boa Vista, em 1937,em Vitória da Conquista, hoje, na altura de seus 70 Janeiros, Elomar já tem concluído um caderno com mais de 60 canções, recentemente publicado em partitura, sendo que toda parte de sua produção orquestrada, tem seu modo próprio, sem a influência da tradição acadêmica. Graduado em Arquitetura pela Universidade Federal da Bahia, 1964. Atualmente, Elomar tem se dedicado ainda mais à conclusão de seu trabalho operístico-sinfônico. Também empunhado a bandeira da valorização da Ópera do Brasil, como projeto da Fundação Casa dos Carneiros, através de um trabalho de pesquisa de autores brasileiros e suas óperas, que se encontram no anonimato. A sua primeira ópera “Auto da catingueira” foi estreada em abril de 2011, no Palácio das Artes, em duas récitas, reunindo um público de quase 3 mil pessoas, com apoio do MINC e Eletrobrás. Vitória da Conquista, na Bahia cidade natal de Elomar, será a primeira cidade a receber a ópera após a estréia mundial em Minas Gerais, na Bahia. O Auto da catingueira será montada no teatro DOMUS OPERAE, dia 27 de julho na fazenda Casa dos Carneiros, sede da fundação.
Desde julho de 2007, a sua obra vem sendo administrada pela Fundação Casa dos Carneiros que nasceu com a finalidade de promover ação cultural e artística em favor da preservação da memória e das obras de Elomar, além da detecção, resgate, preservação, execução e divulgação da música culta produzida no Brasil. Agregam-se a esses objetivos o sentido educativo e da difusão cultural sertaneza, a partir da obra de Elomar, tendo esta como fio condutor de uma gama de manifestações, saberes e fazeres próprios da cultura do sertão brasileiro.
A Fundação está localizada na Fazenda Casa dos Carneiros, lugar de referência do cancioneiro elomariano, não só pelo fato de ter sido através de décadas o abrigo criativo deste compositor, mas também o cenário de uma de suas canções de maior beleza, tida por grandes críticos como obra prima, “Cantiga de Amigo”.
A Publicação Elomar: Cancioneiro: Composta de 49 partituras da obra do compositor Elomar Figueira Mello é um caderno de letras e notas de edição, além de um livro sobre o artista e sua obra, de autoria do jornalista João Paulo Cunha. O material é resultado do projeto Elomar em Partituras – cancioneiro, patrocinado pela Petrobras e empreendido pela DUO Editorial, de Belo Horizonte.
Compõem o repertório de partituras as peças consideradas de caráter cancioneiro. A particularidade de uma obra e a história de vida de um homem que dá origem a um trabalho considerado importante patrimônio imaterial do país, desperta teses de mestrado e doutorado nas mais importantes universidades brasileiras e de outros países. “Para um artista consciente de seu trabalho e sempre preocupado com o registro de suas obras, se tornava no mínimo preocupante que o destino de sua criação ficasse assim a dever à boa vontade dos pesquisadores e músicos que viessem a ouvir seus discos. Era urgente colocar no papel, dar essa imponderável eternidade à obra.”, esclarece João Paulo Cunha.
Foram cerca de dois anos de intenso trabalho e dedicação da equipe de músicos que atuou na transcrição das 49 canções, cuja dimensão da tarefa, seja pela amplitude ou pela complexidade, exigiu engenho de especialistas dedicados, dotados de grande conhecimento técnico, sensibilidade e até mesmo capacidade de invenção para traduzir em linguagem culta uma música que muitas vezes vai além das convenções conhecidas, sem perder o horizonte do respeito à obra.
As canções foram transcritas pelos músicos Maurício Ribeiro, Hudson Lacerda, Avelar Júnior e Kristoff Silva, sob a direção artística e coordenação musical de Letícia Bertelli e supervisão geral a cargo do próprio Elomar.
A equipe responsável pelo registro em partituras teve como ponto de partida os discos gravados pelo compositor. A forma escolhida – voz e violão – serviu de parâmetro tanto para as canções como para as árias de outras composições maiores, da qual fazem parte alguns dos temas transcritos. As partituras estão em formato que se quer definitivo (apesar de muitas delas terem sido idealizadas para outra formação instrumental ou vocal), ou seja, da maneira como foram dadas a conhecer à cultura brasileira, preservando seu caráter cancionista. O projeto gráfico de “Elomar: cancioneiro” é do artista plástico Máximo Soalheiro.
Elomar: cancioneiro
Concertos dias 5, 6 e 7 de abril
05/06 e 06/06, às 20hs.
07/06 às 19hs
CAIXA Cultural Fortaleza
Informações: (85) 3453-2770
