Johnny Hooker é atração deste sábado, 29, às 19h, no Anfiteatro do Dragão do Mar apresentando o show Eu vou fazer uma macumba pra te amarrar, maldito!, que dá nome ao seu guardado álbum de estreia.
É da fossa à superação, do ódio ao amor (e vice-versa), do samba, carimbó e rock ao frevo, que revela um misto de referências brasileiras, que faz com que Johnny Hooker seja mencionado pelos críticos de arte como um dos artistas mais inovadores da atual geração brasileira. Ele é Bowie, mas também é Caetano Veloso. É Madonna, mas também é Gal Costa, e talvez até um pouco de Alcione.
“Macumba”, em sua primeira canção que dá o nome ao disco, já anuncia nas primeiras frases a relação de dualidade das paixões arrebatadoras inerentes a todo ser humano. O samba, com distorções, que rege a modernidade com fúria ao clamar pelos orixás para a amarração do maldito amor.
“Volta e Alma Sebosa”, segunda e terceira canções do disco, respectivamente, seguem pelo caminho do brega noir. Aquele que fala das esquinas e reflete as ruas do bairro do Recife. Fala dos lamentos nos bares da rua da Aurora e sobre o amor (não correspondido) e, por fim, se consagra como bom pernambucano ao chamá-lo de Alma Sebosa! As duas músicas ganharam destaque nacional ao despontarem na trilha sonora das telas do cinema e da televisão. “Volta” fez parte do premiado longa “Tatuagem”, do diretor Hilton Lacerda, e contou com a participação no videoclipe do ator Irandhir Santos. Já “Alma Sebosa”, ganhou um clipe dirigido por Giovanna Machline e participação especial de Zélia Duncan, Chandelly Braz, Jesuíta Barbosa,Luis Miranda e Julia Konrad, além de um dos maiores nomes do cinema nacional, Luiz Carlos Vasconcelos.
“Chega de Lágrimas” – O SKA toma uma nova forma na versão da Johnny Hooker. Se, em alguns momentos, o estilo lembra cenas de surf e reggae, na performática voz do cantor ele ganha um contexto intenso e se funde com referências espanholas. Solos de guitarra com fuzz e gritos de “Eu vou meter”, transformam a música num final apoteótico, triunfante e de forte conotação sexual, não muito habitual nas música do estilo.
Conhecida dos fãs, “Amor Marginal” ganha uma roupagem diferente do blues de quando foi gravado a sua primeira versão com a participação de Rafael Mascarenhas, filho da atriz Cissa Guimarães, após o grupo vencer o reality show “Geleia do Rock”, produzido e exibido pela Multishow. Versão essa que faz parte da trilha sonora da novela “Babilônia”, da Rede Globo, e é tema da personagem da atriz Camila Pitanga.
“Segunda Chance” – Dos amores que voltam a clamar pelos deuses e imploram pra que levem sua dor para bem longe. “Segunda chance” possui o ritmo do samba e uma atmosfera portishead. É a cadência levada a cada nota num ritmo que carrega o peso de alguém que implora por uma oportunidade de mudar o passado e que cresce a cada minuto orquestrada e explorada pelos instrumentos até o final.
O interlúdio é aquele momento de divisão. Aquele que separa o boyzinho entre as pontes que cortam o acidente geográfico chamado Recife. É do Paço Alfândega até as ruas engarrafadas da Conde da Boa Vista que ele caminha diariamente com a esperança que cresceu em sua cabeça de um dia ser feliz com todas suas escolhas. É o momento que divide Macumba. Que caminha para sua reta final com a esperança quase divina de ter um bom fim.
“Boato” é o que dizem por ai, e em alguns casos difama. Boato é o axé em sua melhor forma e o carimbo unidos pelo suingue. O desejo de dançar se transforma na música mais “pra frente” do álbum, onde Hooker afronta e assume a personalidade do sofrimento de uma jovem lésbica condenada pela sociedade carregados sobre ritmadas garrafas de cerveja e cigarros. Boato é o suor do carnaval e todo profanidade de ser chamada de Satanás!
“Você ainda pensa?” é uma das últimas músicas compostas para o álbum e o início para a finalização da saga do amor de carnaval de Johnny Hooker, que começa no sábado e termina na quarta-feira de cinzas, mas não sem antes entrar num frevo rasgado pernambucano e cheio de referências das ladeiras de Olinda até desandar e entregar seu corpo num “Desbunde Geral”.
Dia 29, às 19h, no Anfiteatro.
Ingressos: R$ 60 e R$ 30 (meia).
