Com a ideia de se criar em Fortaleza mais uma opção para os artísticos corpos cênicos contemporâneos da cidade, a partir desta terça-feira, 14, até sábado, 18, no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, o Festival Corpo Arte – Body Art Festival 2015. Ocupando ainda outras locais da cidade, serão mais de dez atrações gratuitas com grupos de todo o Brasil.
“Elegemos este espaço como o lugar da crítica e da reflexão das práticas das manifestações artísticas do corpo, colocando o Corpo Arte como Resistência frente ao corpo social da cidade, funcionando como protesto da vida”, afirma o diretor e idealizador do festival, Paulo Lima.
Entre os destaques da programação, está o espetáculo de abertura Instabilidade, do Grupo de Dança Primeiro Ato, de Belo Horizonte (MG). Depois de 15 anos sem se apresentar em solo cearense, o grupo ganha o palco do Teatro Dragão do Mar, no dia 14 de abril, às 21h. E faz uma segunda apresentação, “Pequenos Atos de Rua”, no dia 15, às 16h, na Praça do Ferreira.
Além das atrações, o Festival tem o objetivo de fomentar a formação e a investigação artística através das oficinas destinadas à partilha dos procedimentos e das questões que orientam as práticas dos artistas convidados. Confira na programação abaixo.
“Nos apresentamos como um evento democrático de ampla participação popular dos nossos artistas que desenvolvem a prática do “Corpo”, como expressão artística, seja no teatro, dança seja na performance, e que contribuem assim para a difusão cultural e construção da memória da arte contemporânea do Ceará”, conclui Paulo Lima.
PROGRAMAÇÃO
Dia 14 – Terça-feira
15h | Teatro São José (Centro) | Livre
Espetáculo “Carona”
Em Dois Companhia de Dança (CE) – Performers: Felipe Araújo e Emanuel Santos
Uma história sobre pistas, aviões e navios. Um duo de dança que acontece no espaço da rua, entre os carros e pedestres.
21h | Teatro Dragão do Mar | Livre
Espetáculo “InstHabilidade”
Grupo de Dança Primeiro Ato (MG) – Concepção e Direção coreográfica: Alex Dias e Suely Machado
O espetáculo é inspirado na condição de estar vivo, de “cair e levantar”, movimentos naturais da vida. A habilidade de lidar com a instabilidade e a instabilidade presente em nossas habilidades, que gera desequilíbrio, ação e vida.
O movimento serve de metáfora para a instabilidade enquanto terreno constante de experimentações e pesquisa. A partir desse pensamento, a montagem propõe habitar o lugar de busca no processo homem-mundo, através da jornada entre a inspiração, a fantasia e as quedas na realidade.
Dia 15 – Quarta-feira
16h | Praça do Ferreira | Livre
Pequenos Atos de Rua
Grupo de Dança Primeiro Ato (MG) – Concepção, encenação e direção coreográfica: Suely Machado
Em espaços públicos da cidade, inspirados em contos e no realismo fantástico, a cena cotidiana é matéria prima para quadros que se movem e transformam o cenário urbano em ambientes de sonho e possibilidades.
O trabalho dos oito bailarinos envolvidos na criação e no desenvolvimento do trabalho busca aproximar o público na identificação e na transcendência dos movimentos.
18h | Teatro Dragão do Mar | Livre
Espetáculo “Galinhas-Mulheres-Galinhas”
Companhia Ponto (CE)
Performers: Tatiana Valente, Maurileni Moreira, Tayana Tavares
Em quê circunstâncias o corpo do Outro pode ser erguido e isto simbolizar uma violência das partes? Em quê caminhos nos deixamos influenciar pelos gritos dos opressores e nos silenciarmos aceitando-nos como vítimas? O que fazer para que tomemos as rédeas do corpo e faça dele o que bem quiser, sem medo, sem culpa, sem regras, respeitando a mim e minhas vontades?
Deixar visível as feridas de todas as agressões físicas, verbais, morais que as mulheres sofrem no dia-a-dia, seja na rua com cantadas sexistas, seja em casa com olhares reprovativos, seja num relacionamento com as privações do quê pode e do quê não pode fazer em busca de ser uma ‘mulher direita’. GALINHAS é um soco no estômago.
21h | Teatro Dragão do Mar | Livre
Espetáculo “Dança Burra II”
Marcelo Gabriel (MG)
O primeiro espetáculo de Marcelo Gabriel, o solo Dança Burra (1987), que deu nome à Companhia de Dança Burra, iniciou sua pesquisa em quedas. Estabelecendo um diálogo entre artes plásticas, dança e teatro, criava uma instalação cênica que foi apresentada em coletivas e salões de arte, tendo recebido uma referência especial no XX Salão Nacional do Museu de Arte de Belo Horizonte em 1988.
Dança Burra II aprofunda a análise, tendo como fundamento a construção de signos de poder e dominação, tendo sua estrutura no discurso e influência no corpo da linguagem. Sintoma cronificado pelo adestramento do gesto, seu reflexo no comportamento, normatizando o desejo em um corpo social amputado.
Dia 16 – Quinta-feira
15h | Percurso do Passeio Público à Praça do Ferreira | Livre
Espetáculo “Ele”
Rodrigo Caffer (SP)
Concepção e arte geral: Rodrigo Caffer
Conta-se que havia, em Shangrilá, um elefante que passeava nas costas de um homem… ou seria um homem que passeava à sombra de um elefante? O prêmio para esse esforço era o acesso a um jardim suspenso. Criação em dança que considera os vãos da arquitetura, o que se infla, o que está pleno de possibilidades, o que se expõe e as reformas, perspectivas e relações que esse espaço contempla.
Espetáculo “PontoAR”
Companhia Ponto (CE)
Performers: Tatiana Valente, Maurileni Moreira, Tayana Tavares
PontoAr remete à ideia da repugnância. Não para aqueles atos que reportam a instintos, mas de tudo aquilo que lhe monta a capa da “boa sociedade”, das ações, pequenas corrupções e abusos que se constroem no escuro. A mulher que bebeu demais e está rodeada de amigos que desejam outro fim para sua trajetória.
A menina que sorri para o transeunte, que lhe rouba o pirulito de suas mãos. A bailarina que se vê obrigada a sentar no sofá e deixar sua sapatilha estendida no cabide da porta, que se tranca para seus ideais. Ar nem sempre é sopro de vida.
Surpresa? De onde vem? O que vem? Respirares de epifanias femininas. Coletivo desconjuntado que carrega em suas memórias narrações de invasões ao seu corpo.
De tudo isto, PontoAr é um salto para o escuro.
20h | Teatro Dragão do Mar | Livre
Espetáculo “Palafitas”
Grupo Fuzuê (CE)
Performers: Edmar Cândido, Eric Vinícius
É uma proposição de equilíbrio entre dois corpos, ora sobre mãos e pés, ora reconstruindo formas de estar no outro. A sustentação do corpo sobreposto se da pela busca de eixos estáveis, remetendo a imagem dos casebres lacustres que conhecemos por palafitas que se erguem em lagos e regiões pantanosas como estratégia de se habitar um espaço. O conceito de morada aqui cria a subjetividade da proteção, uma maneira de habitar os terrenos não estáveis da condição humana.
21h | Teatro Dragão do Mar | Livre
Espetáculo “A Cor Cinza das Coizas”
Experimentus Cia. de Dança (CE)
Coreografia e Direção: Paulo Lima
Bailarinos intérpretes: Aline Rodrigues, Edson Odorico e Lucas Linon
Inspirado na filosofia de Schopenhauer, que postula que o mundo não é mais que a representação, o prazer é apenas a supressão momentânea da dor, esta por sua vez, é a única realidade verdadeira.
Dia 17 – Sexta-feira
10h | Percurso a partir da Praça da Estação | Livre
Espetáculo “Avestruz Ciborgue”
Paola Rettore (MG)
Performer: Paola Rettore
A obra realiza interferências urbanas, porém em campo aberto de significações a partir da construção de sete roupas-esculturas pré-performance, pré-personagem e pós-persona, trabalhadas como objetos, como construção de adereços superpostos ao corpo ou mesmo como uma extensão do corpo, dando à escultura um lugar, uma posição, uma referência.
14h | Fachada do Prédio Cine São Luiz / Pça. Do Ferreira
Espetáculo “Arranha Céu”
Teatro Base (SP)
Performer: Paola Rettore
O enredo é ambientado no século XXII, numa cidade grandiosa, mecânica e lotada com imensas estruturas arquitetônicas rodeadas por um fluxo constante de pessoas, automóveis, aviões, motos, helicópteros e outros veículos voadores que compõem uma sinfonia incomum, uma cacofonia de sensações, medos, fobias e individualidades.
Os habitantes dos Arranha Céus se adaptaram as transformações ocorridas nas novas cidades-sistemas criados e gerenciados pelo governo central e conseguem viver em um mundo vertical. Explorando o isolamento, a efemeridade e a conexão das relações, a peça conta histórias de pessoas sem nome que vivem num mundo estranho, mecânico e vertical.
16h | Auditório do Dragão do Mar | Livre
Diálogos com PAOLA RETTORE e LEONEL BRUM
Tema: Impressões de um CORPO pela CIDADE
Dia 18 – Sábado
17h30 | Museu de Arte Contemporânea do Ceará (MAC-CE) | Livre
Espetáculo “Estudo para Lugar Nenhum”
Vera Sala (SP)
Concepção/Execução: Vera Sala – Arquiteturas/Luz: Hideki Matsuka
(?)……..
errâncias derivas
corpo esvaziado descontinuado sem fim sem onde(?)
vertigem
onde(?)sem tempo sem começos sem ir impossível tempo impossível corpo
onde(?) apenas corpo
(vera sala)
corpofendaabismofissura……….. ausência
