Dando continuidade à sua pesquisa sobre a sexualidade humana o grupo aprofunda discussão sobre transexualidade masculina no novo trabalho.Foto: Sol Coelho.
O Outro Grupo de Teatro estreia ‘Histórias Compartilhadas’ neste sábado, 04, às 19h, no Teatro SESC Emiliano Queiroz, em sessão gratuita e aberta ao público dentro da Semana de Artes Integradas do equipamento. Trata-se de um documentário cênico sobre transexualidade masculina que traz Ari Areia no elenco sob direção de Eduardo Bruno. A partir da segunda semana de julho, a peça segue em cartaz no mesmo teatro aos sábados e domingos, sempre às 20h, com ingressos custando R$ 6 (inteira).
Histórias Compartilhadas fala de corpos que não se bastam e que se sentem um peso amarrado ao próprio tornozelo no meio de um oceano infinito e furioso, sempre se afogando em silêncio, todos os dias, cada dia mais um pouco. Em silêncio. Dando continuidade à pesquisa quem vem desenvolvendo em torno da sexualidade humana, neste trabalho o grupo aprofunda discussões sobre identidades de gênero discordantes e a lida de homens transexuais por adequação aos conceitos de masculinidade.
Para se estabelecer de forma mais objetiva nesse sentido, evitando cair numa apropriação indevida do discurso desses sujeitos, o caminho trilhado pelo trabalho foi o da performatividade. “A ideia não era mimetizar a ‘realidade’ deles em cena”, explica Ari, “esse foi o grande desafio da montagem”. Para o encenador Eduardo Bruno “o espetáculo quer provocar e até constranger a plateia através do deslocamento de papéis historicamente definidos no que diz respeito a sexo e gênero”.
O processo de pesquisa e montagem do espetáculo durou cerca de um ano, onde foi feito levantamento bibliográfico sobre o assunto e entrevistas. Alguns desses relatos estão na encenação, como é o caso de João W Nery (RJ), o primeiro homem transexual a fazer adequação corporal no Brasil, e Otávio Queiroz garoto residente em Caucaia (CE). Também são compartilhadas histórias de Tiago Uchoa (BA) e dos americanos Riley Moscatel e Buck Angel.
Sendo assim, a peça constrói sua dramaturgia fragmentada a partir de fatos e documentos, a encanação utiliza signos inesperados para lidar com o material reportado, e o conjunto da obra não se propõe a representar um drama a partir disso. Histórias Compartilhadas é fruto da ação performativa apresentada por Ari Areia como Trabalho de Conclusão de Curso na graduação em Jornalismo pela Universidade Federal do Ceará no começo deste ano com orientação do Prof Dr. Daniel Dantas Lemos.
Histórias Compartilhadas é o terceiro espetáculo do Outro Grupo de Teatro, que em agosto completa quatro anos de atividade. O repertório do grupo é composto pela comédia “Comer Querer Ver” (2012) e o drama “Caio e Léo” (2014), ambos usam como pano de fundo a desconstrução da heteronormatividade. Neste novo momento a força motriz do processo criativo leva o grupo a discutir identidade de gênero e, como reflexo da pesquisa aprofundada, os artistas têm proposto contribuições dentro do legislativo municipal a partir do pensamento de políticas públicas de cidadania para pessoas trans.
Serviço
Espetáculo Histórias Compartilhadas
Sessão de estreia: 04/07 – 19h
Grátis
Local: Teatro Sesc Emiliano Queiroz
Av. Duque de Caxias, 1701 – Centro

