Circo Motel é rock soul tropical, segundo a definição dos próprios membros da banda. Para entender que gênero é esse é preciso escutar “auê”, primeiro disco do quinteto paulistano depois do hiato de cinco anos. (Foto: Divulgação)
A personalidade única do álbum de estreia “Sobre Coiotes e Passáros” (2011) reaparece amadurecida neste novo registro. Ao talento de inclinações afrodançantes do conjunto se uniu Cris Scabello, do Bixiga 70, responsável pela gravação e produção de “auê” (a primeira assinada exclusivamente por ele). “O disco chegou super ‘amarrado’, com conceito e ideias claras. Fica fácil trabalhar assim, em conjunto”, comenta. Também participam do álbum Décio 7 e Maurício Fleury, ambos do Bixiga, além de um naipe de metais liderado por Lucas Joly (trompete).
A grand premier da obra já tem data marcada, nesta sexta-feira, 22,, no Sesc Pompeia. Convidados do Prata da Casa em 2013, os músicos voltam à concorrida casa paulistana em grande estilo no projeto Plataforma, pelo qual ainda passarão Black Alien, Juliano Gauche, Língua de Trapo e Céu. Abrilhantando ainda mais o espetáculo, Saulo Duarte se junta ao Circo cantando as faixas Coração Tropical e Terna Bahia. O espetáculo ainda oficializa Irina Bertolucci (Garotas Suecas) como integrante do auê, junto aos já camaradas Felipe Seabra (baixo), Rafael Charnet (guitarra), Rafael Gregorio (voz), Rodrigo Machado (guitarra) e Thiago Coiote (bateria) – e aos metais “pesados” que integram a apresentação.
Mais auê
A faixa “James Brown” abre os trabalhos do álbum com o soul. “Feijoada” – primeiro single do disco – mantém a toada caprichando na irreverência e tempero da cozinha de Felipe Seabra (baixo) e Thiago Coiote (bateria). “Coração Tropical” romanticaliza com versos reflexivos – “A revolução não se faz de fora pra dentro e sem paz…De mente aberta é que se vê as coisas como devem fazer”. “Vinhos e Cigarros” traz de volta o disco para as pistas, agora mais grave e groove.
As guitarras de Rafael Charnet e Rodrigo Machado criam um surf rock à brasileira em “Terna Bahia” e “Malícia” e encerram “Cara Normal” com maestria. “Lombeira” é uma delícia relaxante até Rafael Gregorio pedir em sua voz rasgada maracujá e deixar o som contraditoriamente intranquilo. “Bom Camarada” faz lembrar nas teclas de Maurício Fleury os momentos soul de Roberto Carlos – Rafael “Chicão” Montorfano, do Quarta B, produtor de “Sobre Coiotes e Pássaros”, também atua nas teclas, em duas músicas e É Irina quem assume a função ao vivo, com beleza e leveza. “Coisas Pequenas” é artesanal, pé no chão, encerrando “auê” com a ternura de um pôr do sol.
“O Rafa Charnet se manifestou em uma entrevista sobre o ‘rock soul tropical’ e eu acho que ele foi feliz demais nessa. É rock, mas é Brasil, é universal, porque é soul e orgânico. Tem um tanto de funk, mas não de uma forma escolada. A gente provavelmente nem sabe fazer funk, o que a gente chama de funk é certamente mais paulistano do que Wilson Pickett. Mas a ideia nunca foi ser a banda cover do James Brown”, diz Rafael Gregorio, retomando a síntese do som deles. Enquadrar música não é tarefa fácil e às vezes se torna inútil. Mais uma vez, para entender “auê” é preciso escutá-lo e escutá-lo é um prazer sem igual.
Serviço
Circo Motel – Projeto Plataforma
Dia 22 de abril. Sexta-feira, às 21h30
Comedoria
SESC Pompeia – Rua Clélia, 93
Ingressos: R$ 6,00 (credencial plena/trabalhador no comércio e serviços matriculado no Sesc e dependentes), R$ 10,00 (pessoas com +60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino) e R$20,00 (inteira).
Classificação indicativa: Não recomendado para menores de 18 anos.
*A capacidade do espaço é de 800 pessoas. Assentos limitados: 150. A compra do ingresso não
garante a reserva de assentos. Abertura da casa às 20h30.
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