De origem iorubá, Abayomi significa “presente ou encontro precioso” e dá nome às bonecas, que surgiram na época da escravidão e são feitas de retalhos e nós. (Foto: Pâmela Soares)
O projeto tem início neste dia 12, no Cuca Jangurussu. Serão 6 oficinas formativas, exposição de imagens, bonecas e histórias e a culminância da ação. As oficinas acontecerão ainda no CRAS Conjunto Palmeiras e no Ilê Axé Omo Tif’é. A iniciativa foi contemplada no edital de Protagonismo Juvenil nº 03/2016 “Cultura” da Coordenadoria de Juventude de Fortaleza e é idealizado por Wendel Veneroso e Vitória Mota, estudantes da licenciatura em Teatro do IFCE.
A iniciativa proporciona uma imersão no universo de cada um. A partir de suas referências e história de vida, o participante cria a sua boneca tecendo uma rede de oralidades, histórias e afetos. “Abayomi de Todos Nós” se pauta no resgate da memória coletiva e promove os saberes acerca das histórias da comunidade negra das localidades por onde passa. É uma produção do Comboio Griô, grupo que atua na pesquisa das relações contemporâneas a partir dos ritos e mitos ancestrais.
A primeira oficina terá início no dia 12, e acontecerá no Cuca Jungurussu também no dia 19. As inscrições serão realizadas no local e poderão participar interessados a partir dos 10 anos. Nos dias 27/01 e 03/02 acontecerão as oficinas no CRAS Conjunto Palmeiras e nos dias 04/01 e 05/01 no Ilê Axé Omo Tif’é, voltadas à comunidade local. A iniciativa conta com realização do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e Prefeitura Municipal de Fortaleza.
Sobre o projeto: As bonecas Abayomi foram criadas para as crianças, jovens, adultos na época da escravidão, durante as viagens a bordo dos tumbeiros – navios de pequeno porte que realizavam o transporte de escravos entre África e Brasil. As mulheres negras as confeccionavam a partir dos tecidos da barra de suas saias, único pano encontrado nos navios negreiros, trazendo alegria para todos e tornando um símbolo de resistência. Até hoje carrega, dentre seus significados, a mística de ser um amuleto poderoso de proteção.
A construção da Abayomi com seus retalhos, tranças e nós, se dá em oficinas, redes de experimentação construída entre as mais diferentes gerações, desde a disposição dos materiais no espaço, da escolha das tiras de pano, da atenção na criação de cada peça. É um processo artesanal-pessoal, onde busca-se tecer uma rede de afetos, através das histórias africanas e seu imediato poder simbólico. Um mecanismo que instiga a criação através da materialização de cada Abayomi, seu relicário de memórias.
Serviço
Projeto Abayomi de Todos Nós
Oficinas
Cuca Jangurussu: 12 e 19 de janeiro– horário 13h às 17h
CRAS Conjunto Palmeiras: 27 de janeiro e 03 de fevereiro– horário 13h às 17h
Ilê Axé Omo Tif’é: 04 e 05 de fevereiro– horário 13h às 17h
