O espetáculo E.L.A com a atriz Jéssica Teixeira retorna aos palcos de Fortaleza em temporada no Teatro Dragão do Mar, nas sextas-feiras e sábados de março, sempre às 20h. Foto: Divulgação
A montagem surgiu a partir da investigação cênica do corpo inquieto, estranho e disforme da atriz Jéssica Teixeira, e de que maneira o mesmo se desdobra e faz desestabilizar e potencializar outros corpos e olhares. Ao longo da pesquisa, debruçou-se, igualmente, sobre o livro O Corpo Impossível, da pesquisadora Eliane Robert Moraes, a fim de disparar dispositivos dramatúrgicos que expandissem a cena. O que seria um corpo? O que seria o impossível? O que acontece no hiato entre os dois? Descobrimos, afinal, que todo corpo é estranho para si. Nesse sentido, E.L.A tem como objetivo instigar em cada espectador a autopercepção, a autoconsciência, a autocrítica, a autoestima, a autoanálise e a autoimagem, a partir da relação de cada um com o próprio corpo, para uma melhor autonomia e emancipação do sujeito e, consequentemente, uma relação mais lúcida com o outro e com o mundo.
Há um ponto muito pertinente dentro desse projeto, que eu não poderia deixar de falar, que é a inclusão social. O teatro de inclusão. Atualmente, em Fortaleza, são raras as pessoas que possuem algum tipo de deficiência física e trabalham com artes da cena. Na verdade, pessoas que possuem algum tipo de deficiência tem parcela diferenciada de interação na sociedade em geral pelas dificuldades de locomoção, aceitação, empatia pela causa e até dificuldades para ingressar no mercado de trabalho. Sendo assim, sinto falta de que esse tema acenda e ganhe visibilidade, pois numa sociedade de corpos/belezas fabricadas e institucionalizadas, ser um produtor de diferenças e assumir essas diferenças é, ao meu ver, um dos grandes pilares que proporcionam uma ressignificação de valores para um empoderamento pessoal e uma maior aceitação das diferenças de si e do outro.
Com isso, o espetáculo assume uma estética clean, branca, padrão, e, aos poucos, vai se desconstruindo para que a sofisticação de um caos interior da personagem E.L.A (que transita entre as questões sobre “Corpo Impossível” do livro de Eliane Robert Moraes e entre autobiografia de Jéssica Teixeira) salte aos olhos dos espectadores. Esse caos é proporcionado pelas escolhas dramatúrgicas de como o corpo da personagem se transformará ao logo do espetáculo, onde a transição irá iniciar a partir da diva pop, passar pelo ciborgue, e chegar até a selvageria – inerente a todos os seres. A iluminação, em sua grande parte, é realizada a partir de videomapping, que também cumpre uma função dramatúrgica em cena, assim como o corpo da atriz, o texto e a encenação.
“Como resultado, pretendemos conseguir ressaltar ao olhos de mulheres, nordestinos, pretos, indígenas, quilombolas, indivíduos com algum tipo de deficiência, periféricos, LGBTs toda a potência e existência de cada um, bem como, aos olhos de todos os outros que não se encaixam nesses perfis, a potência de se viver no mundo com pessoas cheias de singularidades e diferenças. Provocar no público um desejo de emancipação individual e coletiva a partir da aceitação de nossas diferenças, driblando o clichê e os padrões de beleza impostos pela mídia. Destacar que o corpo, em sua singularidade e multiplicidade, é o principal lugar e o ponto de partida para nossa relação com o outro e com o mundo e, com isso, instigar no público a imaginação a partir da estética trazida à tona nas obras, com o intuito de fortalecer o ser político que há em cada um e dando visibilidade a força de cada espectador para agir dentro do mundo e inscrever nele sua marca”, declara a atriz.
Serviço
E.L.A
Dias 9, 10, 16, 17, 23, 24, 30 e 31 de março de 2019, às 20h,
Teatro Dragão do Mar. Ingressos: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia)
Classificação etária: 14 anos
+Com intérprete de Libras dias 9, 16 e 23 de março.
