Ler para ampliar o olhar, ler para dormir e relaxar, ler para apreender o mundo, ler para se balançar numa rede, deitar no colo da família ou sentar no colo da mãe, abrir um livro e sentir o mundo todo ali em cada página. No mês das Mães, celebramos a leitura como afeto, como fortalecimento de vínculos familiar, que cada menino e menina tenha com sua mãe espaço para a fruição, para aumentar os seus repertórios, e saberes. Que cada universo cresça com a garantia de acesso ao livro, leitura e bibliotecas. O Projeto Entrelinhas, coordenado pela escritora e também psicóloga Dauana Vale, chega em Fortaleza com proposta criativa de incentivo à leitura compartilhada em família, de apresentar o livro como instrumento de fortalecimento dos vínculos afetivos. O projeto conta com a realização de diversas atividades, de acompanhamento individual e em grupo, com palestras e oficinas. De perceber como a literatura pode ser um instrumento aliado ao exercício da maternidade. A maternidade sendo uma caixa de surpresas. Foto: Laura Ramirez
“A literatura, na sua imensidão, é um convite à fantasia, onde ser humano, ser mãe, se potencializa. Para as mães, a leitura pode ser uma atividade que a auxilie no processo de maternidade, porque inclusive ela pode desestruturar uma mulher. Mexe com o corpo, com o tempo livre, com a liberdade. Daí a maternidade ser também um aprendizado. No cotidiano é que a mulher se torna mãe. E, em meio aos obstáculos dessa jornada de ser mãe, fortalecer os vínculos afetivos com a filha, com o filho, é um exercício diário contínuo. Um instrumento importante para isso é o livro. Por meio da leitura compartilhada, muitos sentimentos são trabalhados entre mãe e filha, filho. Inclusive, por meio de uma história narrada, coisas não ditas (por algum motivo específico) podem vir à tona. O que seria uma excelente oportunidade para se dizer o que não consegue ser verbalizado”
O projeto “Entrelinhas” tem como objetivo ouvir as famílias, dividir experiências com a leitura compartilhada e criarmos alternativas possíveis para a priorização do ato de ler junto, acreditando que a leitura em voz alta de um livro pode aproximar as pessoas e potencializar as relações afetivas. Um ensaio sobre cumplicidade e respeito.
“Gosto de contar histórias para Malu. Isso vem da minha mãe, vem dos meus avós maternos, vem de muito longe. Ler para mim é necessário porque a vida, por si só, não é suficiente. A fantasia é parte constitutiva de um sujeito. Ceder arte ao imaginário é fortalecer a maneira como lido com a realidade. Por que, no real é tudo muito cru, compactado, mensurado, boleto, gasolina, produção. E como escapamos a tanta pressão? Quem não gosta de ouvir histórias? As crianças adoram. Para elas, ler é uma brincadeira. Para nós, pode ser também”, completa Dauana Vale.
A leitura compartilhada em família não tem idade. Livro ilustrado não tem idade. O desejo de estar em família, celebrando o “Dia das mães”, por exemplo, pode se tornar inesquecível se banhado pela ludicidade que a literatura propõe.
