Música popular experimental, entre melodias simples e letras diretas, repletas de densidade, entre desespero, melancolia e existencialismo, que se misturam a arranjos psicodélicos e texturas cruas. É a partir dessa proposta que Vitoriano e Seu Conjunto trilha o álbum duplo “Para Manter a Loucura Estável”, cuja segunda parte, “Mansão dos Inocentes”, será lançado nesta sexta-feira, 14 de junho, às 21h, no Sesc Belenzinho, em São Paulo. Foto: Patrícia Araújo
“Para Manter a Loucura Estável” (Selo Índigo Azul) é uma ópera popular brasileira ou, como a banda vem chamando, de “HQ Rock”. Assim como a primeira parte desse trabalho, intitulado “Nau dos Insensatos”, lançado em 2017, “Mansão dos Inocentes” segue uma narrativa musical e visual, em que cada faixa foi ilustrada por um artista diferente, abordando temas como a luta antimanicomial, ilusão, sanidade, loucura e a vida em sociedade nas grandes cidades.
Artistas visuais como Manu Romeiro, Rafael Limaverde, Mag Magrela, Diego Maia, Sandro Saraiva, Davi Serrano, Pedro Orlando, Diogo Braga, Jonas Gomes, Patricia Passos, dentre outros, colaboraram nessa narrativa presente na segunda parte da história, que se transforma em quadrinhos, mesmo com linguagens artísticas diferentes. As imagens criadas contam a saga de Miguel, em que as músicas dialogam com as ilustrações, criando climas e seguindo a lógica do roteiro muito mais como uma trilha sonora do que com uma narração propriamente dita. A HQ estará disponível no site www.vitorianoeseuconjunto.com
Com 18 faixas, algo cada vez mais raro nos dias de hoje, “Mansão dos Inocentes” também reúne músicos, que foram convidados para colaborar com Vitoriano e Seu Conjunto em “Mansão dos Inocentes”. Curumin, Tatá Aeroplano, Edgard Scandurra, Rodger Rogério, Di Melo, Marcelle Equivocada, Soledad, Julia Valiengo, Tika, Kika, Heloiza Ribeiro, Andréia Dias, Nayra Costa, Juliano Gauche, Danislau e Moita Matos (Porcas Borboletas), Daniel Groove, Saulo Duarte, Zé Cafofinho, Vitraux e Clayton Martin interpretam personagens presentes neste trabalho e na HQ, que conduzem os ouvintes em uma trama tragicômica.
Na música de abertura de “Mansão dos Inocentes”, intitulada “Quantas Vezes Mais”, Miguel está preso dentro de um quarto escuro. Seu contato com o mundo exterior se dá apenas pelas grades de uma janela. “Essa é uma canção do desespero e da desolação, de desesperança e dor. Até cessar a vida, no entanto, ele vai lutar. Pela janela desse quarto, dessa prisão, somente fugir passa por sua mente insana”, explica Vitoriano. Já em “Comunidade da Galera” retrata Miguel rodando pela cidade, reencontrando malucos históricos e amigos antigos. Essa é uma verdadeira festa urbana, da boemia, o amor está no ar e nos sorrisos em sua volta.
A faixa que encerra o álbum, “Onde Mais a Loucura se Esconde”, é um retroceder de imagens de toda a história, a partir de uma reflexão final sobre a loucura e sua motivação de existência. “O que é real ou o que é ilusão? Onde está a verdade de cada um? O que é o certo ou errado? Como agir? Como ser e existir? Tudo isso passa pela cabeça de Miguel”, completa Vitoriano.
Para além do álbum e da HQ, o show no Sesc Belenzinho também não deixa de ser, segundo Natalia Coehl, cantora e performer do Vitoriano e Seu Conjunto, um hino à loucura. “É uma ode a individualidade de cada um, a não padronização de corpos , de ideias e pensamentos”, frisa.
Vitoriano e Seu Conjunto é formado por Vitoriano (Voz, guitarra e teclados), MAU (baixo), Monstro (teclados), Carlos Gadelha (guitarra), Xavier (baterias eletrônicas e percussão),Natalia Coehl (voz e performance), Felipe Maia (bateria), Victor Bluhm (bateria), Klaus Sena (som e efeitos) e Camille Lourent (luz).
Serviço
Vitoriano e Seu Conjunto – lançamento de “Mansão dos Inocentes”, segunda parte do álbum “Para manter a Loucura Estável”
Local: Teatro do SESC Belenzinho (http://goo.gl/81VPV6)
Rua Padre Adelino, 1000
Belenzinho (próximo ao metrô Belém), São Paulo – SP
Data/Horário: 14/06 às 21h
Ingressos: R$ 20,00 / R$ 10,00 (meia-entrada) / R$ 6,00 (comerciário) – à venda no site
