De volta ao Teatro Dragão do Mar depois de primeira temporada em 2017, “Asja Lacis Já Não me Escreve” entra em cartaz pelo projeto Temporada de Arte Cearense – Terça com Teatro, todas terças-feiras de setembro (03, 10, 17 e 24), às 20h, trazendo uma das personagens da luta pelo protagonismo feminino na primeira metade do século XX, a atriz, diretora, e militante de esquerda Asja Lacis. A encenação é do Grupo Terceiro Corpo. Foto: Divulgação
O Grupo Terceiro Corpo retoma seu segundo espetáculo no Teatro Dragao do Mar, inspirado na atriz, diretora e militante de esquerda Asla Lacis, que trabalhou a favor do proletariado e das crianças orfãs de guerra, na Rússia do início do século XX.
A encenação do Terceiro Corpo traça não apenas o perfil da artista e militante Asja Lacis, que trabalhou a favor do proletariado e das crianças orfãs de guerra, na Rússia do início do século XX mas, também, a tessitura dramática liderada por Asja para apresentar uma nova forma de fazer e ensinar teatro, numa cena incomum para a participação e empoderamento feminino.
O escritor argentino Ricardo Piglia fala de Asja Lacis: “Em 1923, em Berlim, Brecht conhece a diretora teatral soviética Asja Lacis, e é ela que o põe em contato com as teorias e experiências da vanguarda soviética”. Com essas informações, diz a diretora Maria Vitória (Terceiro Corpo), veio o desejo de conhecer mais a biografia e a força dessa mulher.
Ricardo Piglia afirma ainda que: “por intermédio de Asja Lacis, Brecht conhece a teoria da ostranenie elaborada pelos formalistas russos e por ele traduzida como efeito de estranhamento. É notável o deslocamento operado por Brecht para mostrar a origem russa de sua teoria do distanciamento.”, afirma.
A peça teve o apoio do Programa de produção e publicação em artes 2016 de Fortaleza – Instituto Bela Vista/ SECULTFOR, e participou do Laboratório de Pesquisa Teatral do Porto Iracema da Artes em 2015.
Montar o espetáculo “Asja Lacis já não me escreve” representa a consolidação e o compartilhamento de uma pesquisa que se desenvolve há mais de dois anos, movida pela realização de um sonho que a cada encontro se concretiza, onde a montagem é o resultado de um processo natural, decorrente de laboratórios de criação.
O espetáculo joga com o teatro dança e com o compartilhamento de personagens entre as atrizes e o ator, trazendo coreografias, ações e imagens corporais que compõem a dramaturgia da cena, num misto de realidade e ficção. A transcrição dramatúrgica e a direção ficam a cargo de Maria Vitória e no elenco Juliana Carvalho, Marcos Paulo e Nádia Fabrici.
Sinopse – Asja Lacis já não me escreve
Asja Lacis, mola propulsora da peça “Asja Lacis já não me escreve”, era uma revolucionária, atriz e diretora de teatro russa. Mulher apaixonada que acreditava no poder revolucionário do teatro, Asja desenvolveu incansavelmente um teatro com operários e com crianças órfãs de guerra.
Asja é o roteiro da vanguarda e da luta da mulher pelo que precisa ser dito e exposto, seja através da arte ou da vida, onde tudo acaba se misturando. Em fim dos anos 30, Asja Lacis desaparece num campo de concentração stalinista e Brecht registra em seu diário de janeiro de 1939: “Asja Lacis já não me escreve”. A peça traz às luzes da ribalta a vida dessa mulher que foi eclipsada pela história do teatro Ocidental .
Serviço
“Asja Lacis já não me escreve” – Temporada de Arte Cearense – Terça com teatro
Local: Teatro Dragão do Mar.
Datas: 03, 10, 17 e 24 de setembro
Horário: 20h
Ingressos: R$10,00 (inteira) e R$5,00 (meia).
