A série Teatro #EmCasaComSesc completa um mês de programação de artes cênicas na internet. Toda segunda, quarta, sexta e domingo, às 21h30, tem um monólogo interpretativo diferente transmitido ao vivo direto da casa dos artistas. Até aqui, a série do Sesc São Paulo soma mais de 61 mil visualizações nas 17 apresentações realizadas. Nomes importantes do teatro brasileiro, como Celso Frateschi, Georgette Fadel, Sérgio Mamberti, Cacá Carvalho, Gero Camilo e Matheus Nachtergaele, já realizaram apresentações. Foto: João Caldas
Fechando as apresentações da semana, neste domingo, 14, o ator e dramaturgo Jhonny Salaberg apresenta uma versão adaptada da premiada peça “Buraquinhos ou O vento é inimigo do Picumã”. De sua autoria, o texto aborda o genocídio da população jovem, negra e periférica por meio do realismo fantástico. Narrado em primeira pessoa e dirigido por Naruna Costa, o monólogo aborda a trajetória de um menino negro – morador do bairro Guaianases, Zona Leste de São Paulo – que corre o mundo inteiro com uma sacola de pães nas mãos depois de se chocar com um policial branco. Classificação indicativa 14 anos.
Na segunda-feira, 15, o ator Cassio Scapin encena Eu Não Dava Praquilo, um monólogo cômico dramático a partir da biografia da atriz e diretora paulista Myrian Muniz (1931-2004). A apresentação, que traz passagens da vida pessoal e profissional da homenageada, pretende ser uma ode ao ofício teatral e a sua importância como agente de transformação tanto individual quanto social. O roteiro é do próprio Scapin e do poeta Cássio Junqueira, e a direção leva assinatura de Elias Andreato. Classificação indicativa 16 anos.
Na quarta, 17 de junho, tem a atriz carioca Clara Carvalho em A Mais Forte, com texto do dramaturgo sueco August Strindberg. A obra foi escrita em 1889 e até hoje é um desafio para as atrizes. Traz a história de uma senhora que, ao ver em outra mesa sua rival na carreira artística e suposta amante do seu marido, vomita cobras e lagartos. Um monólogo de diálogo ácido e que exige sutileza na interpretação. Muito adaptada para a televisão, no Brasil ela já foi encenada por Nathália Timberg no grande Teatro Tupi. Clara Carvalho iniciou sua trajetória artística no balé, com passagem pelo Corpo de Baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. A partir da década de 1980, vem para São Paulo com o Grupo Tapa apresentando o espetáculo “O Tempo e os Conways”, de J.B. Priestley. A partir daí, passou a se dedicar definitivamente ao teatro como atriz, diretora, tradutora e professora, com seu trabalho. A Mais Forte tem classificação livre.
Abrindo o fim de semana, na sexta-feira, 19, é a vez de conferir o espetáculo documentário Contos Negreiros do Brasil, com o ator, diretor e articulador cultural Rodrigo França. Um monólogo sobre a condição real e atual da negra e do negro no Brasil, seja o jovem estudante, o gay negro, a negra hipersexualizada pela sociedade, o menor infrator, a prostituta e a idosa. Sob direção de Fernando Philbert, o espetáculo é uma espécie de peça-aula que leva o público a presentificar índices estatísticos, contextualizados com cenas que reproduzem dores, paixões, medos, alegrias e angústias. O texto é de Marcelino Freire. Rodrigo França iniciou sua carreira no teatro e no cinema em 1992 e no ano passado ganhou o Prêmio Shell, na categoria Inovação pelo Coletivo Segunda Black. Cientista social e filósofo, é ativista pelos direitos civis, sociais e políticos da população negra no Brasil. Classificação indicativa 14 anos.
Até aqui, o Teatro #EmCasaComSesc apresentou 15 espetáculos a uma audiência de mais de 42 mil visualizações. Já passaram pela série os artistas Celso Frateschi, interpretando, de sua autoria, Diana, Georgette Fadel em Terror e Miséria no Terceiro Milênio, de Bertolt Brecht, Sérgio Mamberti em Plínio Marcos, Um Homem do Caminho, Ester Laccava com Ossada, Jé Oliveira com, de sua autoria, Farinha com Açúcar ou Sobre a Sustança de Meninos e Homens, Gustavo Gasparani em Ricardo III, de Shakespeare, Lavínia Pannunzio com Elizabeth Costello, Grace Passô, interpretando Frequência 20.20, Denise Weinberg em O Testamento de Maria, Ailton Graça com Solidão, Cacá Carvalho em O Carrinho de Mão in A Poltrona Escura, Bete Coelho interpretando Mãe Coragem, Gero Camilo em A Casa Amarela, Eduardo Mossri com Cartas Libanesas e Cláudia Missura em Paixões da Alma, Matheus Nachtergaele com seu ‘Desconscerto’ e o ator pernambucano Dinho Lima Flor com o espetáculo Ledores no Breu.
