O podcast já foi considerado como a “mídia popular do futuro” mas 2019 já foi considerado como “ano do podcast”. Pesquisa realizada pelo IBGE em maio de 2019 aponta que 40% dos internautas já ouviram podcast, o que representa 50 milhões de brasileiros. A possibilidade de ouvir conteúdos na internet enquanto realiza outras atividades é um atrativo da mídia que na atualidade já tem um público fiel. No meio desse universo, da “mídia popular do futuro” e que já é presente, novas possibilidades de fazer e transmitir arte também migram para a plataforma, como é o caso do “PodTeatro” que o Cineteatro São Luiz acaba de colocar no ar em seu site www.cineteatrosaoluiz.com.br.
O PodTeatro é um espaço de investigação e experimentação em criações cênico-auditivas, inspirado no significado histórico das radionovelas e suas atualizações na contemporaneidade. A criação é do grupo artístico do Cariri Cearense “Coletivo Dama Vermelha”, composto por Joelma Silfer, Júlia Valério, Larissy Rodrigues, Paulo Andrezio, Penha Ribeiro, Taynaria Romão e Thiago Ápria.
A série recebe o título “Disforia” e sua primeira temporada, composta por quatro episódios (com uma média de 10 minutos cada), tem o subtítulo “Isso é tudo que você precisa saber agora”. A história reflete o período de suspensão de atividades artísticas a partir das perspectivas de personagens presentes nos espetáculos do repertório do Coletivo Dama Vermelha; as personagens se encontram, inesperadamente, em um lugar desconhecido, em contextos deslocados de seus espetáculos originários, sendo impelidas à descoberta de onde estão e o que (e por quê?) está acontecendo com elas. Mesmo em período de isolamento, essas personagens são convocadas à atuação sob novas perspectivas, refletindo as inquietações de seus/suas artistas criadores/as e a incessante necessidade de produzir, mesmo que a distância, mesmo que por meio de reinvenções; reinvenções que afloram a descoberta de outras possibilidades e caminhos à criação, às artes.
O PodTeatro é uma versão contemporânea do drama radiofônico, amplamente conhecido como radionovela. A radionovela teve seu período áureo no Brasil entre os anos 40 e 50, e era um entretenimento popular no difusor mais potente de comunicação da época, o rádio; anteriormente, em meados dos anos 30, já eram apresentados os “teatros em casa”, os “radiatros” e esquetes teatrais em emissoras de rádio brasileiras. Com a chegada do cinema e da televisão, as radionovelas perderam um pouco seu espaço, mas com o avanço tecnológico do século XXI, a efervescência da cybercultura e o surgimento de novas mídias, essa linguagem artística vem sendo ressignificada, ganhando outros espaços, contextos e dimensões.