Dar voz aos trabalhadores silenciosos do meio artístico é a proposta em Os Invisíveis, iniciativa que reunirá profissionais de todas as regiões do país que atuam nas coxias dos espetáculos. Os temas envolvem discussões sobre formação, carreira, desafios enfrentados, impactos da pandemia no setor e o reconhecimento de funções essenciais ao teatro.
Serão seis mesas de debates, uma por dia, entre os dias 15 e 20 de março, das 15h às 18h. Os encontros terão foco no universo de produtores, operadores de luz e som, aderecistas, figurinistas, visagistas, diretores e outros profissionais que atuam por trás das cortinas. A inscrição para participar das atividades do ciclo é gratuita, porém as vagas são limitadas.
Em cada um dos debates serão disponibilizados 40 acessos, via Zoom, para participantes que desejarem interagir com os representantes das mesas de discussão. A transmissão pela plataforma também contará com intérprete de libras em todos os dias de evento. Os debates também poderão ser acompanhados na página Os Invisíveis no Facebook, neste caso sem interação direta entre público e debatedores.
Contemplar um espetáculo, admirar atores, músicos e dançarinos é bastante natural para a maioria das pessoas. Raro, neste contexto, é reconhecer que há responsáveis pelos holofotes, pelo som limpo no momento mais emocionante da música, pelo blackout no tempo certo, além da ilusão conferida pelas maquiagens e figurinos – papeis e recursos “fora de cena”, mas essenciais à magia dos palcos.
“Compreender que o sucesso dos espetáculos é inerente à performance desses profissionais não é uma reflexão recorrente para muitos de nós”, explica Renata Borges, uma das idealizadoras e coordenadora geral dos Invisíveis. “Dar voz aos técnicos desvalorizados é o primeiro passo para que novas gerações almejem essas carreiras e tenham uma vida digna na profissão”, defende.
DA EXCELÊNCIA DISCRETA AO ABANDONO
A iniciativa Os Invisíveis também quer chamar a atenção para as necessidades desses trabalhadores diante dos danos causados pela pandemia de Covid-19. “Quando essa invisibilidade transpõe a característica primordial da excelência e vira abandono, desemprego, perda de registro e fome, todo o patrimônio artístico desenvolvido nas coxias se perde”, analisa Tiça Camargo, uma das idealizadoras do evento, coordenadora de atividades e visagista.
A interrupção total dos espetáculos foi um baque para a indústria cultural, que emprega cinco milhões de pessoas no Brasil e movimenta 170 bilhões de reais por ano, segundo dados do extinto Ministério da Cultura. O setor de atividades artísticas, criativas e de espetáculos foi uma das atividades econômicas mais afetadas pela pandemia, de acordo com lista divulgada pelo Ministério da Economia em setembro de 2020.
“O cenário piora ao considerar que os artistas e técnicos que atuam nos bastidores trabalham em sua maioria como autônomos”, relata Laura Françozo, também uma das idealizadoras do projeto, assistente de curadoria e figurinista. “Quando espetáculos são suspensos, os corpos artísticos não são demitidos, mas as equipes técnicas não têm essa garantia”, explica. “Sem apresentação não há renda”, resume.
MESAS DE DEBATE | PROGRAMAÇÃO
Serão seis mesas de debates que visam trazer depoimentos de diversos profissionais da técnica artística. A seleção dos temas e debatedores levou em consideração a diversidade do teatro brasileiro em questões regionais e sociais, como gênero, raça e sexualidade.
“É importante mostrar que existem diversas realidades do mercado de trabalho de artistas técnicos pelo Brasil. A cultura não está só no eixo Rio-São Paulo. Manaus, por exemplo, tem a maior central técnica do país. Por isso a integração e diversidade regional é essencial”, afirma Flávia Furtado, curadora das mesas de debates e diretora executiva do Festival Amazonas de Ópera.
Mesa 1 | A Regência da Coxia: debate com Diretores de Palco e Assistentes de Direção Cênica
Data: 15/03 Hora: 15h às 18h
Mediadores: Ana Vanessa e Rafael Bicudo.
Debatedores: André Di Peroli, Cláudia Salomão, Elisete Jeremias, Malu Gurgel e Marcelo Gomes.
Inscrições: https://cutt.ly/ek3BeuC
Mesa 2 | A Segunda Pele: debate com Visagistas, Figurinistas e Equipe de camarim
Data: 16/03 Hora: 15h às 18h
Mediadoras: Desirée Bastos e Tiça Camargo
Debatedores: Divina Lujan, Edmylson Rosas, Eilen Queiroz, Fábio Namatame e Guida Maria.
Inscrições: https://cutt.ly/yk3BcPk
Mesa 3 | O Tom da Cena: debate com Criadores e Operadores de Luz e Som
Data: 17/03 Hora: 15h às 18h
Mediadores: Aldo Bellingrodt e Irma Vidal
Debatedores: Fábio Retti, Marcelo Augusto Santana, Sérgio Ferreira, Tainá Rosa e Valéria Lovato.
Inscrições: https://cutt.ly/Ik3BPlP
Mesa 4 | A Construção do Espaço: debate com Cenógrafos e Cenotécnicos
Data: 18/03 Hora: 15h às 18h
Mediadores: Alício Silva e Renata Mota
Debatedores: Aníbal Marques (Pelé), Giorgia Massetani, José Geraldo Martins, Katiana Aleixo e Mizael Costa.
Inscrições: https://cutt.ly/8k3BV1k
Mesa 5 | O Movimento Preciso: debate com Maquinistas, Montadores e Contrarregras
Data: 19/03 Hora: 15h às 18h
Mediadores: Claudio Bastos e Flávia Furtado
Debatedores: Andreyw Batista, Claudia Macedo, Fred Barbosa, Sandra Satomi e Thayson Augusto.
Inscrições: https://cutt.ly/kk3B9R6
Mesa 6 | Do início ao fim: debate com Produtores Executivos, Técnicos e Artísticos
Data: 20/03 Hora: 15h às 18h
Mediadores: Renata Borges e Tarcísio Santório
Debatedores: Anna Patrícia Araújo, Cieny Farias, Nandressa Nuñez, Simone Fontes e Tatiane Fernandes.
Inscrições: https://cutt.ly/Dk3B6aQ
Os Invisíveis: o ciclo de debates Os Invisíveis é um projeto nascido da união de Artistas de Criação, Técnicos e Produtores do segmento. Contemplado pelo edital ProAC Expresso LAB 40/2020, conta com o apoio e incentivo do movimento Salve Coxia e do Fórum Brasileiro de Ópera, Dança e Música de Concerto. A iniciativa é destinada aos profissionais que dedicam suas vidas na coxia para fazer a mágica do palco acontecer.